Warren compra Renascença e reforça braço de investimentos institucionais

Essa é a primeira aquisição da Warren depois de aporte de R$ 300 milhões liderado pelo fundo soberano de Cingapura (GIC)

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Tito Gusmão (à esq), fundador e CEO, e Luis Pauli, sócio e diretor institucional da Warren

A fintech Warren está comprando a corretora e distribuidora de títulos Renascença DTVM no primeiro negócio depois de receber um aporte de R$ 300 milhões, liderado pelo fundo soberano de Cingapura (GIC), em abril deste ano.

A transação, que não teve o valor revelado e envolve dinheiro e ações, reforça a área de investimentos institucionais da Warren, que já representa 30% da receita da fintech – os números absolutos não são revelados. “Começamos a crescer nessa área”, diz Tito Gusmão, fundador e CEO da Warren, ao NeoFeed. “Por isso, resolvemos olhar oportunidades para acelerar a expansão.”

A Renascença atua no mercado desde 1976 em atividades de operações de renda fixa e de open market e é um nomes mas tradicionais do mercado financeiro. Conta com mais de 300 clientes ativos e, segundo a Warren, é uma das três maiores em títulos públicos do Brasil.

Com a aquisição, que precisa ainda ser aprovada pelo Banco Central, a Warren passa a contar com clientes que são assets, tesourarias de grandes empresas, family offices, corretoras e gestoras que usam a tecnologia da Renascença para se conectar às mesas de execução de suas ordens de compras e venda. “Esse não é um business de ativos sob custódia”, explica Gusmão.

Hoje, a Warren conta com operações para investidores institucionais focadas em ações. Atualmente, está montando um time dedicado a derivativos. A Renascença fortalece a área de títulos públicos da fintech.

“Mais de 70% do volume financeiro negociado no Brasil é promovido pelos clientes institucionais”, afirma Luis Pauli, sócio e diretor institucional da Warren. “Estamos dando um passo grande para mirar esse volume.”

No curto prazo, a Warren acredita que o braço de investimentos institucionais deve crescer mais do que a área de varejo. Mas, ao longo do tempo, ele deve representar uma fatia de 30% da receita, como a atual.

“O mercado de consumidores finais tem alta competição e alto potencial de crescimento”, diz Fabricio Winter, sócio da consultoria Boanerges & Cia. “Mas, em serviços financeiros, o mundo B2B está pelo menos uma década atrasada em relação ao B2C.”

Apesar dessa aquisição, a Warren segue firme investindo na área B2C, apostando em um modelo que, na visão de seus executivos, elimina os conflitos de interesses embutidos na distribuição de produtos de investimentos, que pagam comissões e estabelecem metas de desempenho.

O cliente que abrir uma conta e investir através da plataforma da Warren vai pagar um fee fixo que varia de 0,5% até 0,7%, dependendo do volume de recursos que investir. Eles ainda recebem de volta 100% da comissão quando investem em fundos de outras gestoras na plataforma.

Quando recebeu o aporte da GIC, que contou também com a participação dos fundos Ribbit Capital, Kaszek, Chromo Invest, QED, Meli Fund (do Mercado Livre) e Quartz (de José Galló, ex-CEO da Renner), a Warren informou que iria usar o recurso para dobrar de tamanho.

Na época, a companhia tinha R$ 6 bilhões de ativos sob custódia e 200 mil clientes. A meta era chegar a R$ 12 bilhões e 300 mil até o fim de 2021. “Estamos com R$ 10 bilhões de ativos sob custódia e temos 250 mil clientes”, afirma Gusmão. “Temos ainda uma corrida para ser feita.”

O dinheiro captado em abril deste ano vai ser também usado para reforçar a área de varejo. Pelo menos duas aquisições devem acontecer ainda em 2021, de acordo com Gusmão. A Warren está olhando, diz o CEO, M&As que agregem “features” à plataforma e possam acelerar algumas entregas.

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