O Bank of America vê 5 razões para apostar na alta da ação da Raízen

Desde o IPO, realizado em agosto, a empresa de energia tem praticamente andado de lado no mercado de ações, mas o banco americano vê potencial para o papel disparar 71% em 12 meses

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Raízen captou R$ 6,9 bilhões em IPO em agosto deste ano

A Raízen, empresa de energia que estreou na Bolsa há dois meses e foi responsável pelo maior IPO do ano no Brasil, tem, desde então, andado praticamente “de lado” no mercado de ações. Após levantar R$ 6,9 bilhões, a ação da companhia, uma joint venture entre Shell e Cosan, acumula desvalorização de 0,55%, a R$ 7,20.

Para os analistas do Bank of America (BofA), um dos bancos que coordenaram a oferta da empresa, o papel tem potencial para pegar no tranco e decolar. A instituição estima um preço-alvo de R$ 12 para a ação em 12 meses, o que representaria uma valorização de 71%.

“A ação tem apresentado desempenho em grande parte em linha com o índice Ibovespa desde seu IPO em 4 de agosto. A nosso ver, isso é injustificado”, escreveram os analistas Isabella Simonato e Guilherme Palhares, em relatório a clientes. Desde a data, o principal índice da B3 acumula queda de 6,69%.

Os analistas afirmam que estão otimistas mesmo após algumas notícias negativas para o setor de cana-de-açúcar e etanol, a principal área de atuação da Raízen.

Em setembro, por exemplo, o governo brasileiro sinalizou que pode reduzir a proporção de etanol na mistura da gasolina, de 27% para 18%, em uma tentativa de diminuir o preço do combustível, uma vez que a crise hídrica contribui para uma menor oferta do etanol, aumentando o valor do insumo.

O BofA, porém, vê cinco razões para apostar na alta da ação da Raízen. A primeira delas está justamente ligada ao preço das commodities, que estão em alta. Segundo o banco, os preços do açúcar e do etanol acumulam alta de 18% e 11% em reais, respectivamente, e contam com viés de alta para as próximas projeções.

“Em nossos modelos, para cada mudança de 10% em nossas estimativas para os preços de açúcar e etanol, o Ebitda se altera em 8%, assumindo que não há hedge no açúcar”, estimaram os analistas, que lembram que a empresa tem 40% do seu volume total de açúcar protegido para 2022 e 2023.

O segundo ponto é que a empresa “tem entregado mais do que o esperado” nos novos projetos ligados à segunda geração do etanol (conhecida pela sigla E2G, biocombustível produzido a partir de resíduos descartados na produção da primeira geração), biogás e energia elétrica.

O BofA lembra que a Raízen anunciou a construção de uma nova unidade de 82 milhões de litros de E2G, para começar a operar em 2023, e dois novos contratos para 460 milhões de litros, para um período de nove anos, com preços acima de 750 euros por metro cúbico. A empresa, além disso, anunciou a venda de biometano para a Yara Fertilizantes, por cinco anos, e uma joint venture com o Grupo Gera, do setor de energia.

Em terceiro lugar, o banco ressalta o desempenho operacional da companhia. No segundo trimestre (o primeiro trimestre do ano fiscal da Raízen, que segue o calendário agrícola, vinculado às safras), a companhia registrou uma produtividade de 73 toneladas de cana total por hectare, queda de 4% em relação a igual período do ano anterior, mas melhor que o desempenho da São Martinho, que teve recuo de 15% na mesma comparação.

“Acreditamos que a Raízen ainda tem muito espaço para melhorar os retornos, mas eles estão na direção certa”, escreveram os analistas. “Do lado da distribuição de combustíveis, a Raízen teve um desempenho mais resiliente que seus pares no trimestre, dado o sólido relacionamento com revendedores, mix de clientes e combustível e estratégia de abastecimento.”

O quarto ponto é que a Raízen é uma uma holding estratégica de biocombustíveis, com as energias renováveis respondendo por 40% do Ebitda ajustado previsto para o ano fiscal de 2022, que começou no segundo trimestre de 2021. “Nos próximos 10 anos, metade do crescimento do Ebitda da empresa deve vir dos biocombustíveis”, estimaram os analistas.

Por último, o BofA vê um potencial de 10% ao ano, entre os anos fiscais de 2022 e 2025, para o retorno da companhia, com projetos de médio prazo que podem mais do que dobrar o Ebitda em 10 anos.

“Se nós excluíssemos R$ 1,7 da nossa estimativa para o preço-alvo – que se refere a 50% dos projetos da segunda geração do etanol, biogás e energia elétrica – ainda encontraríamos 42% de valorização potencial para o papel”, calcularam.

Por volta das 12h25, a ação da Raízen operava em alta de 2,13%, a R$ 7,20. A companhia é avaliada em R$ 72,7 bilhões.

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