Negócios

Para o Magazine Luiza, acordo da Nike com o grupo SBF não é um calo no seu sapato

O CEO da varejista, Frederico Trajano, afirmou que a Nike representa apenas 2% do volume bruto de mercadorias (GMV) do Magazine Luiza e minimizou efeitos de acordo com o dono da Centauro, preferindo ressaltar os avanços da integração com a Netshoes

 

Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza

Há duas semanas, o grupo SBF, controlador da Centauro, fechou um acordo para se tornar o distribuidor exclusivo da Nike no Brasil. Mesmo ressaltando que a operação em questão guardará a devida distância dos negócios da holding no varejo de artigos esportivos, o anúncio criou a expectativa de quais seriam os seus reflexos na concorrência com a Netshoes, comprada em junho de 2019 pelo Magazine Luiza. E maior rival da Centauro.

Em teleconferência com analistas realizada da manhã desta segunda-feira, 17 de fevereiro, Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza, minimizou os possíveis reflexos para a operação da empresa. “Dentro do nosso conceito de ecossistema, o que vale é o todo e não a parte em si. Não vamos ser ‘category killlers’ em todos os segmentos”, afirmou. “A Nike é importante para a Netshoes, mas representa apenas 2% do volume bruto de mercadorias (GMV) do Magazine Luiza.”

Em 2019, o GMV do marketplace do Magazine Luiza foi de R$ 3 bilhões. No quarto trimestre, a plataforma alcançou uma participação de 27% nas vendas do e-commerce da varejista.

O CEO e fundador da Netshoes, Márcio Kumruian, reforçou essa visão, ao ressaltar que a varejista de artigos esportivos já enfrentou essa mesma situação em mercados como Argentina e México.

“Somos um cliente extremamente relevante para a Nike”, disse Kumruian. “E estamos trabalhando com eles nesse momento para que não ocorra nenhuma mudança nesse processo. Mas é muito importante que as regras sejam claras.”

Os avanços na incorporação da Netshoes ao Magazine Luiza foram ressaltados durante a teleconferência. Entre eles, a aproximação da operação do break even e a normalização dos estoques. Nesse processo, para 2020, as prioridades estão em reforçar a integração do back office e também da cadeia logística.

No primeiro ponto, já foram integradas 21 áreas sob o ponto de vista de gestão, de 33 mapeadas. Já na segunda vertente, uma das prioridades é escalar a possibilidade de retirar produtos comprados no e-commerce da Netshoes nas lojas físicas do Magazine Luiza. Hoje, esse recurso está disponível em 20 pontos de venda em São Paulo, de um total de mais de 1,1 mil unidades da rede total da varejista.

“Queremos que a Netshoes opere com rentabilidade e, por isso, vamos compartilhar nossa escala para reduzir os custos operacionais”, disse Trajano. “Esse vai ser um ano de investimentos, muito focados na conclusão dessa integração.”

“Queremos que a Netshoes opere com rentabilidade e, por isso, vamos compartilhar nossa escala para reduzir os custos operacionais”, disse Trajano.

Outro ponto destacado foi a importância da aquisição para o foco do Magazine Luiza em atrair clientes ativos e maior frequência de compra nos seus canais. Com o acordo, a varejista teve acesso a mais de mil vendedores para o seu marketplace, além de 4 milhões de clientes.

Concluída nesta segunda-feira 17, a compra da Estante Virtual também reforçou esse direcionamento, ao trazer mais de 18 milhões de ofertas e mais de 6 mil vendedores para o marketplace da empresa.

“Olhando para frente, o crescimento do e-commerce não virá de eletroeletrônicos, mas de outras categorias”, afirmou Trajano, citando como exemplo o segmento de moda e beleza, no qual a companhia ganhou tração também com a Netshoes e a incorporação da marca Zattini. “São quase R$ 50 bilhões de oportunidades apenas nessa categoria”, completou.

Resultado

Em 2019, o Magazine Luiza apurou uma receita líquida de R$ 27,2 bilhões, um crescimento de 38,7% sobre 2018. O lucro líquido da companhia cresceu 54,3%, para R$ 921,8 milhões.

Já no quarto trimestre do ano passado, a varejista reportou um lucro líquido de R$ 168 milhões, queda de 11,4% na comparação com igual período, um ano antes. A empresa atribuiu o recuo a fatores como o aumento das despesas e dos investimentos entre outubro e dezembro.

Em relatório, o BTG Pactual destacou “mais um resultado otimista” do Magazine Luiza e os números acima das expectativas. Segundo o banco, dois pilares sustentam as boas perspectivas para a varejista: a expectativa de continuidade do crescimento exponencial do comércio eletrônico nos próximos anos e a tendência de consolidação no setor, com apenas alguns vencedores em potencial.

“Como afirmamos desde 2016, o Magazine Luiza é um desses vencedores”, escreveram os analistas Luiz Guanais e Gabriel Savi. No pregão da B3, as ações da varejista estavam sendo negociadas a R$ 58,81 às 13h desta segunda-feira, alta de 4,4%.

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