A Cíngulo quer reduzir a ansiedade e o estresse. A DNA Capital comprou a ideia

A gestora de venture capital e private equity DNA Capital, que foi fundada por Pedro Bueno, da família controladora do laboratório Dasa, faz rodada seed no aplicativo de saúde mental Cíngulo

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O aplicativo de saúde mental da Cíngulo

A pandemia trouxe um holofote para a necessidade de se prestar mais atenção para a saúde mental. Não apenas pelos pacientes, mas também pelos investidores que enxergam nas startups dessa área. Neste contexto está a DNA Capital, gestora de venture capital e private equity fundada por Pedro Bueno, da família controladora da Dasa.

Nesta quarta-feira, 9 de março, a gestora está anunciando um investimento em uma rodada de seed na Cíngulo. Fundada em 2017 pelos médicos Diogo Lara e Gustavo Ottoni, além de Ricardo Serro, a startup atua com uma plataforma para auxiliar no tratamento de quadros emocionais como ansiedade e estresse por meio de programas com sessões terapêuticas virtuais e com conteúdo previamente produzido.

“As pessoas procuram ajuda muito tarde ou nem procuram. Por vezes, podem encontrar soluções de pouca qualidade. A gente quer fazer algo digital que possa chegar às pessoas e quebrar todas as barreiras que envolvem o bem-estar mental”, diz Lara, cofundador e CEO da Cíngulo.

A startup já vinha dobrando de tamanho a cada ano antes da pandemia, quando viu sua base de usuários aumentar ainda mais. Embora não revele o número de assinantes, a companhia diz que já ultrapassou a marca de 3 milhões de usuários cadastrados – que optam por um plano gratuito ou pago, com acesso a mais terapias e que custa R$ 199 por ano.

Apesar do valor do aporte não ter sido revelado, os cheques da DNA Capital variam entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões e vem de um fundo de US$ 150 milhões criado para que a gestora invista principalmente em rodadas séries A e B, ainda que alguns investimentos possam ser de série C ou, como neste caso, numa rodada seed.

Com foco exclusivo em empresas do setor de saúde, a DNA Capital vem aumentando seu portfólio aos poucos e tem R$ 3,5 bilhões em ativos sob gestão. Em outubro do ano passado, ao lado da Temasek, investiu R$ 100 milhões na Memed, startup de prescrição médica digital.

Na época do aporte, Luiz Henrique Noronha, gestor da DNA Capital, disse ao NeoFeed que a companhia estava “apostando na tendência de digitalização da jornada dos pacientes”. Com a Cíngulo, a ideia é a mesma, pois se trata de um serviço que roda completamente no ambiente virtual.

Assista ao programa Café com Investidor com Luiz Henrique Noronha, da DNA Capital:

Com o aporte, a startup vai focar no crescimento no mercado corporativo. As vendas B2B representam apenas algo entre 15% e 20% dos negócios da startup. A meta é que, nos próximos anos, elas dominem o negócio.

Entre os clientes corporativos estão companhias como Mondelez, Grupo CRK, Kunumi, entre outras que não são reveladas por conta de contratos de confidencialidade entre as empresas. “O produto nasceu no B2C, mas os próprios usuários começaram a puxar o serviço para as empresas”, diz Ottoni, cofundador e diretor da Cíngulo.

Além de fortalecer a estratégia voltada para o setor corporativo com a ideia de atrair mais empresas e permitir que as companhias paguem a acesso ao serviço para os funcionários – algo semelhante ao que a Gympass faz com planos voltados para o uso de academias de ginástica –, a Cíngulo estuda também dar seus primeiros passos fora do Brasil.

A estratégia de internacionalização ainda está sendo desenhada pela empresa e não há uma data exata para o desembarque em novos mercados. A princípio, o destino é o mercado americano. “É um grande mercado e onde as pessoas estão mais acostumadas a pagar pela assinatura de serviços”, diz Lara.

Terapia virtual

Ao se cadastrar no aplicativo, o usuário é convidado a realizar uma autoavaliação psicológica em que responde perguntas sobre sua motivação, ânimo, força de vontade, tensão, entre outras. Ao fim, recebe uma análise que detalha seus traços favoráveis e prejudiciais, além de uma nota que calcula o nível de bem-estar emocional.

A partir de então, o usuário tem à disposição uma série de conteúdos, gratuitos ou não, em texto e áudio sobre temas como autoestima, estresse, relacionamentos, medo, amor-próprio, ânimo, entre outros.

Diogo Lara, cofundador e CEO da Cíngulo

Depois disso, é possível utilizar o aplicativo como um diário para registrar a evolução no tratamento. Também é possível selecionar conteúdos específicos de acordo com o humor momentâneo, como quando a pessoa está estressada, ansiosa, insone, culpada, insegura e por aí vai.

Por oferecer um serviço menos individualizado, a Cíngulo não compete diretamente contra serviços como Zenklub, Televita, Psicologia Viva, entre outros, que oferecem plataformas para conectar psicólogos com pacientes em terapias realizadas no ambiente virtual.

A Cíngulo pode concorrer contra aplicativos como o Happify, que oferece meditações diárias, exercícios e jogos rápidos desenvolvidos por especialistas da área comportamental. Com sede em Nova York, a companhia já levantou US$ 118 milhões em injeções de capital de investidores como Mangrove Capital Partners, Deerfield Management e TT Capital Partners.

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