Nem só de megafusões vive o maior banco do mundo. O J.P. Morgan Chase enxergou no mercado de assessoramento de M&As de valores menores que US$ 500 milhões uma janela importante para crescimento de seus negócios. E tem apostado neste filão.
Para isso, o banco, liderado por Jamie Dimon, decidiu criar uma equipe de banqueiros de investimento focada justamente nestas empresas que geram um volume de capitalização entre US$ 100 milhões e US$ 500 milhões.
A instituição americana já vinha expandindo sua equipe de empresas de média capitalização, com 400 profissionais espalhados pelo mundo. Agora, o banco planeja montar inicialmente uma equipe com pelo menos 75 pessoas para este pequenos M&As, segundo o The Wall Street Journal.
Segundo John Richert, executivo que lidera a iniciativa do banco de investimento em empresas de médio porte e que vai assessorar a área de pequenos M&As, os negócios com companhias menores surge como uma boa oportunidade na qual seus principais concorrentes não investiram recursos.
O plano agora é expandir os relacionamentos que o J.P. Morgan mantém com empresas menores no setor bancário comercial e em outras áreas. “Quem mais, neste momento, consegue vender uma empresa de US$ 100 milhões e, no mesmo dia, abrir o capital da SpaceX?”, disse Richert.
O J.P. Morgan desempenhou um papel importante na maior oferta pública inicial de ações (IPO) da história, que ocorreu no mês passado, na Nasdaq. A SpaceX levantou US$ 75 bilhões no IPO, realizado no dia 15 de junho.
Somente com taxas pela coordenação do processo de abertura de capital, o J.P. Morgan recebeu da empresa de Elon Musk cerca de US$ 75 milhões. Ao todo, mais de 20 bancos participaram da operação, incluindo o BTG Pactual.
E, com o foco agora para este novo mercado observado pelo J.P. Morgan, a estratégia para avançar em pequenas empresas passa a ter uma relação direta com a questão geracional.
Parte desta atividade tem aumentado justamente porque muitas companhias fundadas por empreendedores da geração baby boomer (nascidos entre 1946 e 1964) vivem hoje movimentos ligados ao planejamento de sucessão, e, em alguns casos, isto passa por vendas e aberturas de capital.
Ao mesmo tempo, o executivo do J.P. Morgan afirmou que tem havido um fluxo grande de capital para fundos de private equity, voltados especialmente para empresas de pequeno e médio portes.
Fato é que o J.P. Morgan já tem concentrado esforços para atuar em fusões e aquisições com com empresas de médio porte, que registram valor de mercado entre US$ 500 milhões e US$ 2 bilhões. Esta unidade de negócios já gera para o banco mais de US$ 1 bilhão em receita por ano, com crescimento anual superior a 20%.
O objetivo da instituição, em direcionar recursos e mão de obra para assessor negócios com empresas de até US$ 2 bilhões, e agora mirar também as pequenas, é de alavancar o relacionamento que mantém com as cerca de 30 mil empresas americanas.
Das companhias em que o banco obtém conta-corrente, linhas de crédito e processamento de pagamentos do banco comercial, o J.P. Morgan agora quer fornecer produtos e serviços de banco de investimento quando elas precisarem de um empréstimo, decidirem abrir o capital ou forem adquiridas por uma empresa de private equity.
O time de investimentos do banco assessora mais de US$ 500 bilhões em negócios nos Estados Unidos até o momento, ficando atrás apenas do Goldman Sachs, segundo dados da plataforma Dealogic.
No acumulado de 2026, as ações do banco registram alta de 3,45% na Nyse. Em 12 meses, a valorização é de 17,9%. O J.P. Morgan tem valor de mercado de US$ 893,5 bilhões.