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A Iguá tem uma concessão para pagar e recorre a acionistas para levantar R$ 2,4 bi

Após levar um dos blocos concedidos pela Cedae, a companhia anunciou que captou R$ 1,5 bilhão com seus acionistas e fará uma emissão de debêntures para atrair outros R$ 877 milhões

 

Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Dom Aquino  – Imagem: Divulgação/Keydson Barcellos/QAQ Filmes

No início do mês, a Iguá Saneamento se juntou à longa lista de dezenas de companhias que desistiram de fazer um IPO em 2021. Era a sua terceira tentativa, mas a empresa recuou após levantar R$ 1,1 bilhão com o fundo canadense de pensão Canada Pension Plan Investment Board (CPPIB), que ficou com uma fatia de 45% da empresa.

Não significa, porém, que a empresa não precise de mais recursos. Ao contrário: a Iguá assumiu recentemente o compromisso de pagar R$ 7,28 bilhões pelo direito de explorar por 35 anos uma das áreas de atuação da Cedae, a estatal de saneamento do Rio de Janeiro, que realizou em abril um leilão para conceder seus serviços a empresas privadas.

Como parte do esforço para honrar o pagamento, a empresa anunciou nesta terça-feira, 13 de julho, que recorrerá aos seus acionistas para captar mais R$ 2,4 bilhões, dos quais R$ 1,522 bilhão já estão garantidos pela emissão de 157,6 milhões de novas ações ordinárias, ao preço unitário de R$ 9,66.

Controlada pelo fundo IG4 Capital, de Paulo Mattos, a companhia é composta por quatro grandes acionistas: dois deles são fundos de investimentos em participações (FIPs) e são geridos pela IG4: o Iguá e o Mayim (a fatia da CPPIB está incluída nesses dois fundos) . Os outros dois são o BNDESPar, o braço de participações do BNDES, e a Alberta Investment Management Corporation (AIMCo). Todos compraram novas ações.

A Iguá também pretende levantar com seus acionistas outros R$ 877,3 milhões, por meio de uma nova emissão de debêntures, mandatoriamente conversíveis em ações, com participação nos lucros. Com prazo de vencimento de 15 anos, os títulos de dívida serão emitidos em duas séries, ambas também com preço unitário de R$ 9,66.

O leilão da Cedae dividiu as áreas geográficas da estatal em quatro blocos. A Iguá levou o bloco 2, com um ágio de 129% em relação ao preço inicial. As regiões que serão atendidas pela empresa envolvem os bairros cariocas da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, além dos municípios de Miguel Pereira e Paty dos Alferes – com 1,2 milhão de habitantes no total.

O Rio de Janeiro será o sexto estado de atuação da companhia. Atualmente, a Iguá conta com 18 operações em cinco estados: São Paulo, Mato Grosso, Paraná, Santa Catarina e Alagoas.

A vitória no leilão faz parte de um plano maior da Iguá para triplicar de tamanho em um período de dois a quatro anos, que inclui também um crescimento inorgânico. O leilão da Cedae era, inclusive, tratado pela Iguá como a “estrela” das licitações de 2021.

Para seguir crescendo, é claro, o IPO tinha papel relevante, mas a entrada do fundo canadense fez os planos serem adiados, além de que o momento não tem sido favorável para aberturas de capital. Com o aumento dos juros no Brasil e nos Estados Unidos, o dinheiro tem ficado mais caro, o que diminui a demanda de investidores e leva uma precificação inferior à desejada pelas companhias.

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