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A jogada de US$ 250 milhões da Sony no Fortnite vai além dos games

A gigante japonesa abriu o bolso e comprou 1,4% da Epic Games, desenvolvedora e distribuidora do fenômeno Fortnite. Entenda como essa negociação pode beneficiar o PlayStation e outras divisões da Sony como as de música e cinema

 

Fortnite tem cerca de 350 milhões de usuários e gerou US$ 400 mil em receita em abril deste ano

Game over para o suspense: a Sony se tornou sócia minoritária da Epic Games, em uma transação de US$ 250 milhões por 1,4% da empresa. A negociação deu à desenvolvedora e distribuidora de jogos de streaming, dona do fenômeno Fortnite, uma avaliação de US$ 17,86 bilhões.

O anúncio não chega a ser exatamente surpreendente, pois as empresas já firmaram parceria no passado. Em maio deste ano, a Epic Games usou o PlayStation 5, da Sony, para anunciar a atualização de sua plataforma destinada a criadores, a Unreal Engine.

Chama atenção, porém, que o investimento feito pela gigante japonesa não saiu da divisão de games, mas do grupo como um todo. Isso indica que a Sony deve fazer do ambiente virtual do Fortnite e de outros jogos palco para a promoção de produtos do conglomerado, que conta ainda com unidades de música e cinema.

Em abril deste ano, a Epic Games abriu uma nova possibilidade de entretenimento ao sediar, no Fortnite, uma turnê do rapper americano Travis Scott. Uma das apresentações do músico foi assistida ao vivo por quase 15 milhões de pessoas, e impulsionou a criação de um novo ambiente dentro do jogo, que conta com 350 milhões de usuários ativos.

No “mundo” do Party Royale, os jogadores não podem atirar: estão ali apenas para curtir apresentações, shows e outros eventos. A partir de agora, essas atividades possivelmente sejam lideradas por artistas contratados pela Sony, que usaria o Fortnite como uma espécie de rede social, ou “outdoor”, para a divulgação dos trabalhos de seus contratados.

Outras produtoras também estão dispostas a explorar o potencial dos jogos. Há poucos dias foi divulgado que o jogo The Sims 4 ganharia um reality show, onde 12 personagens totalmente online competem entre si. O vencedor leva para casa US$ 100 mil. São notícias como essas que esquentam a chamada “guerra dos consoles”, como ficou conhecida a batalha entre os sistemas de games.

No final deste ano, essa briga deve ganhar um novo capítulo, com o lançamento do novo console do PS 5, desenvolvido para fazer frente ao modelo Xbox Series X, da Microsoft. Mas, disputas à parte, a Epic Games reforça sua missão de disponibilizar seus jogos em todas as plataformas, sem nenhum tipo de distinção. 

Nem todo mundo parece acreditar nesse discurso. O gamer NextGenPlayer, um dos apresentadores do podcast “Down to Play”, disse ao NeoFeed que “há anos o PS4 tem conteúdo exclusivo do Fortnite e, sabendo desse investimento da Sony, fica mais claro que a Epic vai continuar a tradição no PS5”. Para ele, a Sony está, de certa maneira, tentado “forçar” os jogadores de Fortnite a migrarem para o PlayStation. 

Quem ainda não se pronunciou sobre o assunto foi a chinesa Tencent, que em 2012 investiu US$ 330 milhões na Epic Games para controlar 40% da empresa. Desde então, a desenvolvedora de jogos teve seu valor de mercado puxado, sobretudo, pelo sucesso do Fortnite, que em 2019 anotou US$ 1,8 bilhão em receita. Em abril deste ano, o jogo alavancou US$ 400 milhões. 

A Sony vale hoje US$ 90 bilhões e seus papéis avançaram 2,41% por conta do anúncio. Autoridades competentes e órgãos regulatórios avaliam a conclusão da aquisição da Sony, que nada tem a ver com a rodada de investimentos reportada pela Bloomberg em junho de 2020.

Segundo a agência americana, a Epic Games procurava levantar US$ 750 milhões e que os fundos  T. Rowe Price Group e Baillie Gifford estariam envolvidos. De acordo com a própria Epic, a empresa arrecadou US$ 1,58 bilhão em três rodadas anteriores. 

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