A joia da Vivara para seguir crescendo sem crise, segundo o Itaú BBA

A Life, marca que concentra joias à base de prata e com preços mais baixos, é considerada por analistas como a principal avenida de crescimento da Vivara

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Life deve atingir 128 lojas até o primeiro trimestre de 2024

A Vivara, maior rede de joalheiras do País, fechou 2021 com receita bruta recorde de R$ 1,84 bilhão e começou o ano com indicativos de que o bom desempenho no ano passado pode se repetir em 2022. 

Para os analistas do Itaú BBA, as expectativas para a Vivara não são só positivas para este ano, mas também para os próximos. E eles entendem que a companhia tem uma joia para manter essa trajetória. É a Life by Vivara, marca que concentra joias à base de prata e com preços mais baixos. 

“A divisão Life é um dos principais motores de crescimento para a Vivara, dada sua proposta de valor única e significativa complementaridade com a marca Vivara”, diz um trecho do relatório. “O segmento é chave para complementar o mix de produtos da Vivara e expandir seu mercado endereçável.”

No relatório, os analistas Thiago Macruz, Helena Villares, Maria Clara Infantozzi e Gabriela Moraes decidiram reiterar a recomendação de compra para as ações. O preço-alvo foi levemente reduzido, de R$ 37,00 para R$ 32,00, para incorporar novas premissas relacionadas ao custo de capital próprio e o plano de abertura de lojas, considerado atualmente menos agressivo. Mesmo assim, ele pressupõe um potencial de alta de 52% dos papéis. 

Os analistas do Itaú BBA atribuem para a Life um papel fundamental na intenção da Vivara de crescer sobre o segmento de mercado que agrega mulheres na faixa dos 20 a 30 anos, normalmente com menos recursos para gastar e que, conforme ascendem profissionalmente, podem migrar para produtos mais caros. A Life também é vista como uma forma eficiente para a companhia entrar na categoria de “presentes e lembranças”, normalmente atendida por lojas de roupas e acessórios.

Eles apontam ainda que a Vivara está se beneficiando do atual momento do mercado, em que a rival Pandora, segundo maior nome do setor e que tem proposta semelhante na parte de joias à base de prata, está reduzindo sua presença no Brasil – no primeiro trimestre, a companhia fechou sete unidades. 

Entre o primeiro trimestre de 2019 e os primeiros três meses deste ano, a Vivara inaugurou 33 lojas da marca Life. Os analistas estimam a inauguração de mais 93 unidades do primeiro trimestre deste ano até 2024, levando o total de lojas a 128. 

Para o Itaú BBA, o ritmo de inaugurações, apoiado no conhecimento do público em relação à marca Vivara, é essencial para a rentabilidade, com as lojas da Life registrando atualmente um Roic (índice que mede o retorno sobre o capital investido) de 31%. 

A Life tem sido estrategicamente importante para a Vivara. Em teleconferência para falar sobre os resultados do primeiro trimestre deste ano, ocorrida em maio, o CEO da rede de joalherias, Paulo Kruglensky, disse que a Life está trazendo novos clientes de forma “acelerada” à base do grupo. 

“Se já estava difícil competir com a Vivara, com a Vivara e a Life aumentando nosso faturamento nos malls, fica mais difícil para os concorrentes”, disse Kruglensky, na ocasião. 

Sobre a companhia como um todo, os analistas do Itaú BBA destacam que desde o IPO, ocorrido em 2019 e que movimentou R$ 2,3 bilhões, a Vivara apresentou uma taxa de crescimento anual composto (CAGR) de 13% entre 2019 e 2021, um dos maiores do setor de varejo. 

A companhia conseguiu acelerar o processo de consolidação de mercado, graças à dinâmica no setor, com muitos nomes sofrendo na pandemia, e também à sua boa posição financeira, o conhecimento do público em relação à marca e o processo de transformação digital, com as vendas na internet ajudando na receita. 

“Nós esperamos que a companhia continue a sustentar esse bom momento e continue ganhando participação de mercado, dadas suas vantagens competitivas relacionadas ao ganho de escala e o conhecimento da marca pelo público, em comparação com a competição”, diz um trecho do relatório. 

O Itaú BBA estima que, mantido o ritmo e o plano operacional, a Vivara terá 28% do mercado nacional de joias em 2026, acima dos 21% que ela deve atingir em 2022. 

Por volta das 13h04, as ações da Vivara subiam 6,44%, a R$ 22,48. No ano, elas acumulam queda de 7,4%, levando seu valor de mercado a atingir R$ 5,3 bilhões. 

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