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A migração dos bankers do J.P. Morgan

Com a pandemia, muitos dos clientes do braço de private bank da instituição nos EUA deixaram Nova York. Para não perdê-los de vista, muitos bankers estão seguindo a clientela e se mudando para a Califórnia, Flórida e Texas. O banco planeja ainda contratar mais 1,5 mil advisors

 

O prédio da 270 Park Avenue, que abriga a sede do J.P. Morgan

Segundo prédio comercial mais alto de Manhattan, o edifício instalado no número 270 da Park Avenue abriga a sede do J.P. Morgan e fornecia uma visão privilegiada de Nova York aos cerca de 14 mil funcionários do banco que, em tempos pré-Covid-19, trabalhavam por ali.

Entretanto, ao que tudo indica, com as mudanças provocadas pela pandemia, o J.P. Morgan e seus profissionais estão começando a olhar muito além da Big Apple. Com os lockdowns e o trabalho remoto, muitos dos clientes mais abastados deixaram Nova York para se refugiar em outras cidades americanas.

Agora, o banco está se preparando para seguir esse público. Segundo David Frame, CEO do Private Bank do J.P. Morgan, alguns funcionários já estão se deslocando e a instituição vai contratar até 1,5 mil novos advisors nos próximos cinco anos, dobrando o seu time atual. Com um detalhe: 45% deles estarão baseados em estados como Califórnia e Flórida.

“A possibilidade de trabalhar em casa deu às pessoas escolha. Então, os clientes estão se mudando”, disse Frame, em entrevista ao portal americano Business Insider. “Eles podem manter seu consultor em Nova York ou podem querer um atendimento local. A população da Flórida está crescendo e queremos ter profissionais lá para apoiar essas pessoas.”

Alé da Califórnia e da Flórida, cidades do Texas, como Austin e Fort Worth, estão no centro dessa estratégia do Private Bank do J.P. Morgan. A divisão tem mais de US$ 836 bilhões de ativos sob gestão e atende clientes com pelo menos US$ 10 milhões de patrimônio.

Frame assumiu o comando do Private Bank em dezembro de 2019, poucos meses antes da chegada da Covid-19. Ele ressalta que, apesar do desafio de gerenciar a transição da equipe para o home office, a mudança repentina também abriu novas perspectivas. Em especial, o acesso mais fácil aos clientes.

“Tínhamos centenas de reuniões com clientes”, afirmou. “E, em um determinado ponto, estávamos fazendo ligações semanais para clientes com personalidades de todo mundo sobre o que estava acontecendo, porque todos estavam disponíveis.”

Hoje, o braço de Private Bank tem profissionais em 57 cidades do país, A partir do novo plano, a meta é chegar a todos os municípios com pelo menos 10 mil clientes – já da base ou potenciais – com patrimônio de, no mínimo, US$ 10 milhões.

Para formar esse novo time, o J.P. Morgan irá seguir por dois caminhos: investir em promoções do seu quadro e em contratações de profissionais da concorrência. Nesse último caso, os executivos serão recrutados individualmente e não em equipes.

O próprio J.P. Morgan vem sofrendo com o assédio de rivais sobre seus profissionais. Desde outubro, a divisão de Private Bank perdeu ao menos oito equipes para o banco suíço UBS. Frame, porém, não se lamenta. “Essa indústria sempre terá atritos e sempre terá pessoas se mudando.”

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