A Petz está cara? Uma análise mostra que o retorno ainda pode ser “animal”

Relatório do Itaú BBA faz as contas e enxerga uma valorização de até 40% para o papel da Petz, que pode se aproveitar do crescimento robusto do mercado de pets nos próximos anos. Entenda os motivos

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A Petz vale R$ 7,7 bilhões na B3

Principal sobrevivente da conturbada safra de IPOs de 2020, afetada duramente pelos efeitos da pandemia, as ações da Petz têm sido uma das principais recomendações de small caps entre os analistas, diante dos resultados robustos que tem apresentado desde então, em um mercado em franco crescimento.

Depois de quase dobrar de valor em setembro do ano passado, em relação ao valor do IPO, as ações passaram por correção e acumulam alta de 0,6%. Mas se considerarmos apenas 2022, elas avançam 6,5%, após fecharem o pregão desta quarta-feira, 13 de abril, com valorização de 1,20%, a R$ 16,85, avaliada em R$ 7,7 bilhões.

Isto seria suficiente para deixar qualquer investidor feliz. Mas alguns deles estão com a pulga atrás da orelha com o papel, afirmando que a ação está muito cara quando olham os patamares em que se encontram os múltiplos dos papéis da varejista de produtos para animais.

Um dos múltiplos mais citados é o de preço sobre lucro, o P/L, que mede a relação entre a cotação atual da ação e o lucro da empresa. Para 2023, o índice tem mostrado uma relação de 37,7 vezes, um patamar alto para os padrões.

Mas para o Itaú BBA, diante do potencial de crescimento do mercado, a dominância da Petz no setor e a perspectiva de maturação das novas lojas, os papéis da companhia estão em um nível adequado e com capacidade de ter um retorno animal: 40%, a partir de um preço-alvo de R$ 23, suscitando uma recomendação de compra.

Para provar que a Petz tem espaço para crescer e dar o retorno indicado pelos múltiplos, os analistas Thiago Macruz, Helena Villares, Maria Clara Infantozz e Gabriela Moraes desenvolveram um índice específico para o setor de pets, que utiliza dados de cartões de crédito e débito do Itaú para entender os hábitos de consumo nesse segmento.

Segundo os analistas, os dados do período entre o primeiro trimestre de 2019 e o quarto trimestre de 2021 mostram um crescimento robusto do consumo de produtos para pets e uma tendência de manutenção desse ritmo. E o mais importante: a correlação entre a receita da Petz e os dados sobre gastos é de 98%.

Considerando a expectativa de manutenção do ritmo de crescimento das vendas nesse mercado, as perspectivas de curto prazo da Petz são muito positivas, diante dos enormes investimentos que tem feito para expandir sua rede de lojas.

A Petz, por exemplo, reduziu sua diferença para a Cobasi, passando a ter uma fatia de 9% contra 10% de sua concorrente. E, ao mesmo tempo, elevou sua presença no mercado online, em que detém participação de mercado de 24%, pouco abaixo da Petlove, que tem 26%.

“Esta tendência de crescimento no mercado de cuidados para animais mostra que essa é uma das categorias que cresce mais rapidamente no varejo, provavelmente impulsionada por fatores como o envelhecimento da população e a redução do número de criança por casal, fatores que continuamos vendo como guias para o setor”, informa um trecho do relatório.

Demonstrando que a Petz possui boas avenidas para crescer e conquistar ainda mais espaço, os analistas do Itaú BBA se debruçaram sobre os múltiplos para explicar por que não estão tão esticados quanto alguns investidores afirmam.

Segundo eles, os índices estão sendo afetados pelos números vindos de novas unidades, que ainda vão demorar pelo menos cinco anos para amadurecer, prejudicando a última linha do balanço por um tempo.

“Como as despesas dessas lojas não amadurecem no mesmo ritmo que a receita, a rentabilidade de uma unidade nova é apenas uma fração do seu potencial no começo”, disseram os analistas.

Para refletir o potencial de retorno da atual base de lojas, o Itaú BBA ajustou as projeções para lucro. Com isto, o P/L das ações da Petz para 2023 vai para 18,1 vezes, o que os analistas consideram atraente para uma varejista que deve expandir sua área de vendas a um ritmo de 20% pelos próximos três anos.

“Continuamos a gostar da Petz dado crescimento robusto e resiliente do setor, as enormes oportunidades de consolidação num setor ainda fragmentado, as entregas e execuções consistentes da companhia e o valuation ajustado, que é palatável”, escreveram os analistas.

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