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Negócios

A tempestade perfeita da Braskem

A maior petroquímica da América Latina enfrenta problemas de toda ordem: lucro em queda, ações na Justiça e sócios que estão endividados, como a Odebrecht, ou que buscam deixar a empresa, como a Petrobras

 

Maior petroquímica da América Latina, dona de uma receita anual de R$ 58 bilhões e de um parque com 40 unidades de produção no Brasil e no exterior. Essas e outras credenciais reservam à brasileira Braskem uma posição de destaque no mapa global do setor. Mas, sob a pressão de um contexto recheado de incertezas, a companhia tem pela frente o desafio de não entrar em ebulição.

A empresa anunciou ontem, 7 de agosto, que apurou um lucro líquido de R$ 129 milhões no segundo trimestre, queda de 76% na comparação com a última linha do balanço, um ano antes. No período, a receita líquida recuou 3,2%, para R$ 13,3 bilhões. Já o lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) foi de R$ 1,6 bilhão, 49% inferior.

Boa parte do desempenho foi atribuída à desaceleração econômica em mercados como a Europa e o México. E, sob a tensão contínua e sem sinais de arrefecimento entre Estados Unidos e China, a perspectiva é de um ciclo mais longo de baixa no setor.

“Há um grau de incertezas sobre o impacto dessas questões na economia global”, afirmou Fernando Musa, CEO da Braskem, em teleconferência nesta quinta-feira, 8 de agosto. O executivo acrescentou que a disputa traz “nuvens” ao horizonte do crescimento econômico.

Fernando Musa, presidente da Braskem

Como reflexo, a Braskem anunciou uma redução de US$ 100 milhões no investimento previsto anteriormente para 2019, de US$ 887 milhões. O preço das suas ações registrava queda de 2,28% na tarde de hoje.

Em relatório, a corretora Coinvalores destacou que os papéis da empresa “tendem a ficar pressionados pela divulgação”, bem como pelas inúmeras incertezas relacionadas ao negócio.

A cotação atual dá à companhia um valor de mercado de R$ 25,7 bilhões. A cifra está bem distante dos níveis de setembro de 2018, quando a empresa alcançou seu pico de avaliação. Na época, o valor ficou próximo a R$ 48 bilhões, impulsionado pela eminente venda de participação detida pela Odebrecht na operação, de 50,11%, à holandesa LyondellBasell.

Ativo mais valioso da Odebrecht, a venda da fatia na Braskem era vista como a tábua de salvação para o grupo, atolado em dívidas e um dos principais símbolos da Lava Jato. Dona de 47% na operação, a Petrobras também aguardava o desfecho para se desfazer de sua participação de 47% na operação.

A negociação, no entanto, não vingou. A LyondellBasell deu como encerradas as tratativas no início de junho. A negativa precipitou, dias depois, o pedido de recuperação judicial da Odebrecht.

Incertezas

Os motivos por trás da negociação frustrada ajudam a explicar a tempestade perfeita que atinge a Braskem. Não são poucos os elementos no entorno da companhia brasileira que deixariam um eventual acordo sob um contexto de forte insegurança jurídica.

O leque de incertezas é amplo. A começar pela participação da Odebrecht na operação. A fatia em questão foi dada como garantia de empréstimos, em 2016, a cinco bancos. Hoje, elas cobrem uma dívida de R$ 12,7 bilhões.

No início de julho, a Justiça de São Paulo concedeu uma liminar determinando que Bradesco, Itaú, Santander, Banco do Brasil e BNDES tomassem posse dessas ações. O que até agora, de fato, não aconteceu, já que o grupo negocia um acordo com essas instituições.

Nesse intervalo, a Petrobras já manifestou que segue interessada em vender sua fatia na Braskem. “É um investimento financeiro que não faz nenhum sentido”, afirmou Roberto Castello Branco, presidente da companhia, durante evento realizado no Rio de Janeiro, no início de julho.

Outro componente desse caldeirão teve início em maio. Indícios apontaram que a operação de mineração de sal-gema da Braskem em Maceió gerou rachaduras em imóveis e ruas de três bairros da capital alagoana. O incidente motivou um imbróglio judicial.

A pedido do Ministério Público e da Defensoria Pública de Alagoas, a companhia teve R$ 3,8 bilhões bloqueados, sob a alegação de garantir eventuais indenizações à população afetada. Uma ação adicional movida pelo Ministério Público do Trabalho pede um bloqueio adicional de R$ 2,5 bilhões.

A Petrobras já manifestou que segue interessada em vender sua fatia na Braskem

Enquanto contesta essas decisões na justiça, a Braskem contabiliza os impactos. A empresa suspendeu a extração de sal e as atividades das fábricas de cloro-soda e dicloretano em Maceió. A unidade de produção de PVC é a única em operação, com o apoio de matérias-primas importadas.

“Esse modelo traz um impacto de US$ 30 milhões a US$ 40 milhões na rentabilidade por trimestre”, afirmou Musa. Segundo o executivo, a empresa busca alternativas. Entre elas, estruturar um modelo para trazer sal e matéria-prima de outras unidades ou regiões.

Como um agravante, a Braskem tem ainda uma audiência marcada para 17 de outubro na Bolsa de Valores de Nova York. O caso tratará de um recurso apresentado pela empresa que contesta a suspensão da negociação e a deslistagem das American Depositary Shares (ADS) emitidas pela companhia. A decisão foi tomada depois de a empresa não arquivar no prazo as informações referentes ao ano de 2017.

À parte dos resultados reportados, esse pacote compõe um cenário desafiador para o futuro da Braskem. Levando-se em conta apenas a possibilidade de confirmação dos bloqueios relacionados à operação em Alagoas, que podem chegar a R$ 6,3 bilhões, o caixa da empresa e sua capacidade de investimento estariam fortemente comprometidos.

Todo esse contexto não atinge apenas a empresa, mas também, Odebrecht e Petrobras, já que dificilmente eventuais interessados mostrariam apetite por uma companhia cercada de tantos problemas. Ao menos até que as nuvens no horizonte da Braskem se dissipem e descortinem um horizonte mais favorável.

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