Depois de diversas especulações, a Sequoia Capital decidiu quem substituirá Doug Leone. Em um comunicado no Twitter, confirmou que Roelof Botha sucederá o investidor, sendo responsável por supervisionar os fundos da empresa nos Estados Unidos e na Europa.

A troca era esperada no mercado, já que Leone atingirá a idade de aposentadoria compulsória da empresa de 65 anos em julho deste ano. Ele está na Sequoia desde 1988, tendo comandado a gestora na última década.

Leone, no entanto, seguirá ativo na empresa e representará a Sequoia Capital em vários conselhos de administração, ele informou, através de e-mail, ao The Wall Street Journal (WSJ).

Botha ganhou espaço na Sequoia Capital a partir de 2017, quando assumiu as operações da empresa nos Estados Unidos. Ele substitui a Leone em um momento em que a gestora tenta navegar em seu relacionamento cada vez mais complexo com sua afiliada na China.

A Sequoia já levantou 31 fundos e captou quase US$ 20 bilhões, segundo o Crunchbase. Ao longo dos anos, se tornou uma dos principais investidoras de startups ao redor do mundo e ficou conhecida por ter feito investimentos iniciais em empresas Apple, Google e Airbnb, entre outras empresas.

Botha, um imigrante da África do Sul, mudou-se para o Vale do Silício durante a era das empresas de internet, na década de 1990, tendo ido trabalhar na empresa de pagamentos PayPal.

Logo após o estouro da bolha de internet em 2000, ele foi trabalhar na Sequoia Capital. Na gestora, fez investimentos iniciais em empresas com Instagram e YouTube, antes de serem adquiridas por Facebook e Google, respectivamente.

Ele assume o comando da Sequoia Capital quando a gestora comemora o seu 50º ano e está tentando virar de cabeça para baixo o modelo do venture capital.

Doug Leone está na Sequoia Capital desde 1988

No ano passado, a Sequoia Capital disse que iria abandonar a captação de uma série de fundos, em que detém capital de investidores, para criar um único fundo aberto de capital permanente que capta dinheiro de sócios limitados.

Mas essa reestruturação não inclui a Sequoia Capital China, que ganhou muito poder nos últimos anos por conta de investimentos em empresas como a plataforma de comércio eletrônico JD.com, a empresa de transporte Didi Global (dona da 99 no Brasil) e a gigante de entrega de alimentos Meituan.

A gestora investiu também em ativos polêmicos e que não agradaram o governo dos Estados Unidos, como a Bytedance, dona do Tiktok, e a empresa de drones DJI, ambas acusadas de colaborarem com o governo chinês – isso sempre foi negado por ambas.

O chefe da Sequoia Capital China, Neil Shen, influenciou nos últimos anos a estratégia global da gestora. E, segundo The Information, site de notícias sobre empresas do Vale do Silício, está levantando um novo fundo de US$ 8 bilhões.