A “viagem” da Westwing para agradar os investidores

Plataforma online de produtos de casa e decoração compra a agência de viagens Zarpo, em mais um passo para diversificar suas operações e retomar a confiança dos investidores

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Loja da Westwing no bairro da Vila Madalena, em São Paulo

Com uma queda quase 60% no valor de suas ações desde o IPO em fevereiro deste ano, a Westwing anunciou em fato relevante a compra da Zarpo, uma agência de viagens que tem 6 milhões de usuários cadastrados.

Focada em produtos de casa e decoração, a Westwing vem tentando, nos últimos meses, diversificar sua operação. A companhia já acrescentou a esse movimento de diversificação produtos de moda, cosméticos e alimentos premium, como vinhos e chocolates. Nada disso, no entanto, convenceu os investidores até agora.

“Há algumas varejistas que ainda não conseguiram colocar os planos do IPO em prática, como Mobly e Westwing”, diz Danielle Lopes, sócia da Nord Research. “Elas são dependentes de lojas físicas e são produtos que as pessoas compraram muito na pandemia, para reformar a casa e trocar móveis, e no pós-pandemia isso voltou a arrefecer.”

Agora, a Westwing dá mais uma tacada e inclui viagens nessa estratégia de diversificação. “A  aquisição  da  Zarpo  (mediante  a  efetivação  da  operação)  é  mais  um  passo  importante  na  nossa  estratégia  de expansão em categorias de lifestyle”, informou a Westwing em fato relevante, anunciando a assinatura de um memorando de entendimento.

Os valores não foram divulgados e o fechamento da transação, a primeira desde a abertura de capital, estão sujeitos à auditoria legal e financeira que será realizada pela Westwing.

A Zarpo tem 10 anos de atuação no mercado e trabalha em parceria com hotéis, resorts, pousadas e companhias aéreas com um modelo de curadoria.

O negócio acontece em meio a uma queda das ações da Westwing, mas também de outros players de e-commerce especializados, como Enjoei e Mobly, ativos considerados de tecnologia que abriram o capital recentemente na B3.

Em entrevista ao NeoFeed, em agosto deste ano, Andres Mutschler, CEO da Westwing, disse que o plano da empresa passava pelas ampliações do portfólio, da malha própria de logística e da sua rede de lojas físicas.

Com apenas uma loja física, a Westwing tem planos de aumentar o número de pontos. Até o fim de 2022, a meta é adicionar 15 novas unidades ao mapa de operações, com lojas, em média, de 500 metros quadrados.

Outro movimento está centrado na malha logística própria da empresa, batizada de Westlog e composta por um centro de distribuição e um hub em São Paulo.

Depois de abrir outro hub no Rio de Janeiro, em julho, a empresa vai colocar em operação mais um centro até o fim de 2021, em Brasília.

Para 2022, estão previstos um quarto hub, em Belo Horizonte, no início do ano, e mais três estruturas, cujos locais estão em fase de definição.

(Colaborou André Italo Rocha)

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