Em queda na bolsa, Westwing arruma a casa com novos serviços e expansão de lojas físicas

Para ir além do mundo online, a plataforma de móveis e decoração vai ampliar sua rede de lojas físicas e sua malha logística, e prepara o lançamento de um serviço de design de interiores

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A loja da Westwing no bairro da Vila Madalena, em São Paulo

Plataforma online de móveis e decoração, a Westwing abriu o capital em fevereiro deste ano na B3. Com a janela favorável, a empresa viu suas ações precificadas em R$ 13, perto do topo da faixa indicativa, e levantou R$ 1,16 bilhão, dos quais R$ 430,2 milhões foram diretamente para o seu caixa.

Mas os primeiros meses como empresa listada não têm sido fáceis. A companhia é um dos ativos cujas ações vêm se desvalorizando diante de um cenário com investidores menos propensos ao risco. A Westwing já tem, no entanto, uma estratégia arquitetada para começar a se sentir em casa no mercado de capitais.

O plano passa pelas ampliações do portfólio, da malha própria de logística e da sua rede de lojas físicas. “Estamos crescendo trimestre a trimestre e nunca tivemos tanto caixa como agora”, diz Andres Mutschler, CEO da Westwing, ao NeoFeed. “Vamos acelerar o core e pilares como o nosso mercado endereçável.”

Nessa última frente, a próxima novidade é um serviço de design de interiores, que será lançado em até quatro semanas. Inicialmente, ele estará restrito a poucos clientes. A Westwing quer testar e afinar o formato antes de estendê-lo a todo o mercado.

O serviço será acessado por meio de uma plataforma batizada de WestwingDesign. Nela, o cliente irá escolher o ambiente que deseja transformar e vai preencher um formulário com informações como estilo, principais referências e o que imagina para o projeto em questão.

Com uma base de profissionais de decoração parceiros, o modelo a ser validado envolverá, a princípio, três planos de comercialização: Mini, Max ou Max Plus. Todos eles, com pagamentos por projeto, a partir de R$ 100.

A compra dos itens envolvidos nos projetos contratados não estará ligada obrigatoriamente às plataformas e ofertas da Westwing. “Vamos abranger desde projetos mais simples, como reorganizar as prateleiras da casa, até aqueles mais completos, como a renovação de toda a decoração de um ambiente”, explica Mutschler.

Ainda sob a ótica do portfólio, a Westwing vai testar ofertas no segmento de automação residencial, a começar por itens como fechaduras eletrônicas. Na ampliação do sortimento, a prioridade segue sendo a categoria de lifestyle, com destaque para alimentos, chocolates e vinhos.

Hubs e lojas físicas

Os novos aportes também buscam colocar a Westwing, de fato, no mapa de todos os consumidores do País. Um dos movimentos está centrado na malha logística própria da empresa, batizada de Westlog e composta por um centro de distribuição e um hub em São Paulo.

Depois de abrir outro hub no Rio de Janeiro, em julho, a empresa vai colocar em operação mais um centro até o fim de 2021, em Brasília. Para 2022, estão previstos um quarto hub, em Belo Horizonte, no início do ano, e mais três estruturas, cujos locais estão em fase de definição.

A companhia quer começar a replicar os níveis alcançados na Grande São Paulo. No segundo trimestre, essa malha foi responsável por 89% das entregas na região, contra 8%, um ano antes. “Hoje, 75% desse mix já têm entregas no dia seguinte”, diz Mutschler.

Uma segunda via de ganho de capilaridade dará mais peso ao “tijolo e concreto”, um formato restrito atualmente à loja própria inaugurada em 2014, no bairro da Vila Madalena, zona oeste de São Paulo.

Até o fim de 2022, o plano é adicionar 15 novos pontos ao mapa de operações, com lojas, em média, de 500 metros quadrados. Duas estão prestes a ser inauguradas, em Ipanema e na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O plano inclui uma terceira unidade na capital fluminense.

Nesse ano, outras duas lojas serão abertas em Brasília e em Campinas (SP). O plano para 2022 deve incluir a entrada nas regiões Nordeste, começando por Salvador (BA), e também nos estados do Sul do País, além de mais uma unidade na capital paulista, no bairro de Moema.

Andres Mutschler, CEO da Westwing

“Mesmo com a força do digital, na nossa categoria, quase 90% das vendas ainda estão no offline”, afirma Mutschler. “Além de impulsionar a própria plataforma e o conhecimento da marca, nas lojas físicas, os móveis têm 60% de participação nas vendas, contra 20% no online.”

A Westwing não é a única nativa digital do setor que está dando mais ênfase ao offline. A Mobly, por exemplo, anunciou recentemente o plano de acelerar sua expansão nessa área. Sob essa orientação, em julho, a empresa inaugurou uma megastore em Jundiaí (SP).

Até o fim do ano, a companhia prevê novidades nesse formato e também nos modelos de outlets e de franquias. A estratégia inclui, por exemplo, um outlet em Carapicuíba (SP) e mais três megastores, também na capital paulista.

Turbinada por um aporte captado em janeiro, de US$ 190 milhões, liderado pelo Softbank, quem também tem um plano agressivo é a MadeiraMadeira. A empresa planeja fechar 2021 com 120 Guide Shops, como são batizadas as suas lojas físicas.

“Todos esses players estão começando a perceber que o modelo de vender móveis e decoração, puramente online, ainda é difícil, complexo e pouco escalável”, diz Alberto Serrentino, sócio da consultoria Varese. “Nessa categoria, poder tocar e ver a ambientação do produto é essencial.”

Ações e rumores

O olhar mais atento para as lojas físicas não é o único traço que une a Westwing e a Mobly. Novatas na B3 – as empresas abriram capital com uma diferença de cinco dias, as duas operações vêm assistindo ao preço de suas ações despencar no mercado.

No caso da Westwing, o recuo desde o IPO foi de 41,3%. Avaliada em R$ 1,55 bilhão em sua oferta pública, hoje a empresa tem um valor de mercado de R$ 851 milhões. Nem mesmo os indicadores registrados no segundo trimestre foram capazes de impulsionar uma reação.

No período, a Westwing reportou um crescimento de 14,1% em seu GMV, para R$ 115,8 milhões, e um salto de 50,5% em sua receita líquida, para R$ 79,6 milhões. Já o número de compradores ativos teve alta de 55,7%, para 331,5 mil usuários.

No segundo trimestre, o GMV da Westwing cresceu 14,1%, para R$ 115,8 milhões

“Em geral, a bolsa como um todo está sendo impactada. Entretanto, as small caps de tecnologia estão, de fato, sofrendo mais”, diz Mutschler. “Mas esse fenômeno, em particular, está sendo puxado pelos investidores pessoa física, que ainda não estão acostumados com esse tipo de ativo.”

Além desse desempenho, outra questão recente colocou a Westwing sob os holofotes. Em reportagem publicada há duas semanas, o jornal Valor Econômico diz ter apurado a informação de que a companhia estaria buscando sócios para a sua operação. Entre os nomes que teriam sido procurados estão a Renner, dona da Camicado, e a Riachuelo.

Procurada pelo NeoFeed, a Renner afirmou por meio de sua assessoria de imprensa que não comenta rumores de mercado. Já a Riachuelo não se manifestou até o fechamento desta reportagem. Mutschler, por sua vez, ressalta:

“Como dissemos em um comunicado, estamos sempre monitorando oportunidades que podem envolver uma operação societária”, diz. “Mas não há nada de concreto. Nosso plano A é investir e executar aquilo que prometemos aos investidores no nosso IPO.”

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