Anitta vira sócia e vai se “envolver” com a Fazenda Futuro

Foodtech brasileira, que vale R$ 2,2 bilhões e está presente em 30 países, traz a cantora pop como acionista. Anitta vai ajudar em projetos de inovação e de marketing

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Marcos Leta, CEO e fundador da Fazenda Futuro, com Anitta, a nova acionista da empresa (Foto: Eduardo Bravin)

No fim de março deste ano, Anitta atingiu o top do Spotify global com a canção “Envolver”, que se tornou a mais ouvida do mundo. Mas engana-se quem pensa que a cantora pop só se “envolve” com música.

Ela participa do conselho de administração do Nubank, é head de criatividade e inovação da cerveja Beats, da Ambev, dá aulas de empreendedorismo em um curso online da Estácio, faz campanhas publicitárias, além de cuidar de sua própria carreira.

Agora, Anitta resolveu se “envolver” em uma nova atividade e está sendo anunciada como acionista da Fazenda Futuro, a foodtech plant-based fundada por Marcos Leta. Os detalhes do acordo não foram divulgados. A cantora se “envolverá” em projetos de inovação e marketing e não terá um cargo na empresa.

“Decidi ser sócia da Fazenda Futuro principalmente por acreditar que a tecnologia de alimentos veio para ficar”, disse Anitta, que respondeu por e-mail a perguntas do NeoFeed. “Tenho experiência em gestão. Participarei sempre que necessário na gestão dos negócios e inovação.”

A relação de Anitta e Fazenda Futuro, no entanto, não é recente. Ela existe desde a fundação da foodtech, em 2019, quando a cantora diminuiu o consumo de carnes e passou a consumir os produtos da companhia feitos à base de proteínas vegetais. “Foi um relacionamento de quase três anos. Ela conhece a marca, consome e gosta”, afirma Leta, ao NeoFeed. “Foi um namoro tranquilo.”

A chegada de Anitta como acionista da Fazenda Futuro acontece seis meses depois de a Fazenda Futuro ser avaliada em R$ 2,2 bilhões, quando captou R$ 300 milhões, em uma rodada série C liderada pelo wealth management do BTG Pactual, com a participação de XP e do fundo de venture capital europeu Rage Capital.

O plano de Leta é usar o dinheiro para ganhar terreno na Europa e nos Estados Unido. Hoje, 65% do faturamento da empresa, que não é divulgado, vem do mercado internacional, onde está presente em 30 países. Lá fora, a marca foi rebatizada de “Future Farm”, uma tradução literal do nome em português. “Brasil e Inglaterra são os maiores países”, afirma Leta.

A Fazenda Futuro já atua de forma discreta nos Estados Unidos, através de diversos sites especializados em venda de produtos plant-based. A empresa tem também uma parceria com o time de basquete da NBA Golden State Warriors, de São Francisco. No estádio, seus “hambúrgueres” a base de planta são vendidos aos torcedores da esquadra liderada por Stephen Curry. A rede PLNT Burger usa também os produtos da companhia em seus sanduíches.

Agora, o portfólio de produtos, que incluiu hambúrguer, linguiça, carne moída, almôndega, frango e atum feitos com proteína vegetal, vai chegar à Amazon Fresh, um serviço de compras de produtos de supermercado da Amazon. No Canadá, a Fazenda Futuro já vende na Whole Foods, rede que pertence à companhia de Jeff Bezos.

Questionado se Anitta vai ajudar a Fazenda Futuro no seu projeto de internacionalização, Leta responde. “Vamos iniciar o projeto pelo Brasil”, diz o fundador e CEO da foodtech. “Mas óbvio que ela tem muitas conexões lá fora e, com certeza, vai ajudar a dar mais informações sobre plant-based.”

A cantora Anitta com produtos da Fazenda Futuro

Anitta, uma voz e um rosto que ganha cada vez mais projeção internacional, terá de se desdobrar na nova função. Perguntada como iria conciliar sua agenda artística com a de negócios, ela diz que sabe administrar sua vida pessoal e profissional. “Não é fácil, mas não é impossível”, afirmou. “Eu não costumo dar passos maiores do que a minha perna. Calculo exatamente o que quero fazer e quando.”

Para dar conta da nova função, Anitta vai encontrar uma empresa que diz que passa ao largo da situação que afeta boa parte das startups. Leta afirma que a retração do mercado não fez a foodtech frear seus planos de expansão, que seguem em linha com o que foi planejado com os investidores no ano passado.

“Mais do que dobramos a cada ano”, afirma Leta. “Precisamos aumentar o espaço em gôndolas e não mudamos o plano de investimento.” Capitalizado com o último aporte, Leta diz que tem recursos para tocar a companhia sem a necessidade de buscar uma nova captação até 2025. Hoje, os produtos da Fazenda do Futuro estão sendo vendidos em 10 mil pontos de vendas.

Celebridades empresárias

Cada vez mais, celebridades do mundo da música, da arte e dos esportes estão deixando de ser rostos que emprestam sua credibilidade para grandes marcas em troca de contratos de publicidade. Em vez disso, estão se tornando sócias de negócios em diversas áreas.

A apresentadora Sabrina Sato, por exemplo, se tornou sócia da One More, foodtech de bebida balanceadora, neste ano. “Já estava de olho em algumas foodtechs para investir. Mas estava em busca de uma marca que tivesse sinergia comigo. Foi aí que a parceria surgiu de forma espontânea dos dois lados”, disse, na ocasião, Sabrina, ao NeoFeed.

A modelo Gisele Bündchen também aderiu essa onda e se tornou acionista da Ambipar, que atua em gestão ambiental e vale R$ 3,5 bilhões na B3. Ela participa do comitê de sustentabilidade da empresa, além de exercer a função de embaixadora.

Essa tendência de unir celebridades a empresas está bem estabelecida nos Estados Unidos. O ator Ryan Reynolds, por exemplo, vendeu marca de gim Aviation, da qual era um dos donos, por US$ 610 milhões, à fabricante inglesa de bebidas Diageo, em 2020.

A marca de lingerie Savage x Fenty, da cantora Rihanna, recebeu, em fevereiro de 2021, um aporte de US$ 115 milhões do fundo de private equity L Catterton, que avaliou a empresa em US$ 1 bilhão.

A The Honest Company, empresa de bens de consumo fundada pela atriz Jessica Alba, abriu o capital na Nasdaq e captou US$ 412,8 milhões em maio do ano passado. No auge, foi avaliada em US$ 1,4 bilhão. Hoje, vale US$ 276 milhões.

Correção: a primeira versão da reportagem informava que a Fazenda Futuro foi avaliada em US$ 2,2 bilhões. O correto é R$ 2,2 bilhões.

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