Após IPO, TC (ex-Traders Club) mira marketplace de serviços financeiros e M&As

Ações estrearam na B3 com alta de 30%, após empresa captar R$ 606,9 milhões. Recursos vão ser usados para fusões e aquisições. TC tem também planos de criar um marketplace de serviços financeiros

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Pedro Albuquerque Filho, CEO e fundador do TC (no centro), em cerimônia de abertura de capital na B3

As ações do TC (ex-Traders Club) estrearam com uma alta de 30% na B3 nesta quarta-feira, 28 de julho, cotadas a R$ 12,41, com a companhia atingindo um valor de mercado de R$ 3,5 bilhões.

Com 427 mil usuários cadastrados em sua plataforma, que reúne informações, cursos e ferramentas tecnológicas, o TC se prepara para criar um marketplace de serviços financeiros, apurou o NeoFeed.

A ideia é servir como originação de clientes para corretoras, ganhando uma comissão pelos negócios. Nesse sentido, o plano é permitir execução de ordens e distribuição de fundos, entre outros serviços financeiros.

Hoje, o TC já conta com 11 corretoras plugadas à sua plataforma. Neste momento, elas distribuem os relatórios de suas equipes de research. Questionado sobre esses planos, o TC não fez comentários.

O TC captou R$ 606,9 milhões, incluindo o lote suplementar, e conseguiu atrair diversos fundos institucionais. Entre eles, estão o Mercado Bitcoin e uma série de gestoras, como Núcleo, Moat, Itaú Asset, Brasil Capital, Vinci, Kinea, SPX, Vinland e Claritas.

Como a oferta foi toda primária, o plano da TC é usar 60% dos recursos para fusões e aquisições. Nesta entrevista, logo após tocar o sino na B3, Pedro Albuquerque Filho, CEO e fundador do TC ao lado de Rafael Ferri e Israel Massa, conta alguns dos planos:

Como o TC vai investir o dinheiro captado?
Vamos destinar 60% dos recursos para M&As. Há muitas ideias brilhantes, muitos aplicativos legais e plataformas. E são, normalmente, empresas que têm uma baixa capacidade de monetização. O TC é um ecossistema muito sólido. E nossos clientes são de alta renda. Temos capacidade de pegar belíssimos projetos, com baixa capacidade de monetização. Vamos também adicionar recursos e funcionalidades à nossa plataforma

Você pode ser mais específico: que áreas vocês estão olhando e o que vocês pretendem plugar ao TC?
Na parte de varejo, tem três frentes importantes. Uma que posso abrir é a parte educacional. Gostamos de empresas que fazem certificação de cursos e cursos preparatórios para certificação. E, na parte B2B, olhamos com bons olhos empresas que fazem software para cálculo de risco de portfólio e para gestão de carteira para institucional.

Saíram informações de que, durante o road show, você teria dito que um dos alvos é a Agência Estado. Faz sentido?
Não posso comentar rumores de mercado. Esses roads shows são reuniões privadas. Não vou comentar.

O TC tem 427 mil usuários cadastrados. Mas a base de pagantes ainda é pequena. Qual a estratégia para aumentar o número de usuários pagantes?
Primeiro, temos a intenção de colocar todos os investidores do mercado financeiro no TC. Ele é feito para todas as tribos e todas as escolas: a fundamentalista, a técnica e a quanti. Temos recursos para todos no TC: trade de curto, médio e longo prazo. Estamos com um ecossistema cada vez mais robusto. Portanto, nem precisamos que os nossos clientes assinem esses serviços para monetizarmos. Temos também uma parte educacional muito robusta. São mais de 40 cursos que ensinam conceitos básicos de investimentos até cursos avançados. O DJ Alok é o embaixador do nosso produto educacional. Ele vai, inclusive, pré-lançar algumas de suas músicas na nossa rádio. Imagine o fluxo de usuários se cadastrando. Temos uma oportunidade, pois nem 2% da nossa população investe na bolsa e em renda variável. Parece que o nosso mercado cresceu. De fato, está crescendo faz dois anos. Mas ainda é incipiente face ao países desenvolvidos, onde 50% da população está na bolsa.

Hoje, a principal fonte de receita é a área educacional?
O produto educacional está disponível para quem assina os nossos planos. Vamos lançar o TC Academy, com uma assinatura única agora ao custo de R$ 99. Vai ver neste trimestre. Acreditamos que vai ser o produto com o maior número de assinaturas do TC, porque é um tíquete médio menor e por conta da parceria com o DJ Alok.

O TC quer ser uma ‘Bloomberg” para pessoas físicas?
Sim, sem dúvida. Queremos ter a profundidade de dados que a Bloomberg tem e com um componente de comunidade forte. Esse é o diferencial do TC. A sua comunidade é a grande muralha, que dificilmente pode ser replicada. A XP já tentou fazer um ‘social trading’ com a Leadr, dois anos atrás, e acabou fechando. A Genial já tentou fazer uma plataforma de ‘social trading’ e também fechou. Por ter ganho tração tão rápido, acredito que vai ser bem difícil de o TC ser desbancado. Vão surgir ótimas ideias. E como temos uma empresa geradora de caixa e com caixa, pretendemos comprar essas empresas. Vamos fazer o playbook tradicional de uma boa empresa de tecnologia que gera caixa.

Vocês colocaram no prospecto o risco Ferri (Ferri, um dos sócios, foi proibido, em 2011, pela CVM de atuar direta ou indiretamente em operações de valores mobiliários por até cinco anos e a decisão foi confirmada pelo conselho de recursos do Sistema Financeiro Nacional em 2019. Ele recorre). Qual o impacto que pode ter isso para o TC?
O Ferri já foi condenado em segunda instância. O pior impacto já aconteceu. E é um processo público. Sempre, durante todo o processo e até no próprio prospecto, prezamos pela transparência. Comentamos que o Ferri não está na gestão do TC. Caso ele reverta, ele volta como diretor comercial e estatutário. Na minha opinião, o risco Ferri é potencialmente positivo para o TC. Ele pode reverter essas decisões dadas na Justiça. E caso reverta, é espetacular para o TC. E acreditamos nisso. O pior cenário já foi. Nossa obrigação fiduciária dar o disclosure, mas vejo baixíssimo impacto no nosso negócio.

(Reportagem atualizada com valor do fechamento do valor da ação do TC nesta quarta-feira, 28 de julho)

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