Aviação executiva vive momento de demanda “nas alturas”

As viagens com jatos particulares estão batento recordes. O efeito colateral para atender à explosão da demanda é a falta de aeronaves e de pilotos

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O último mês de julho trouxe marcas importantes para o mercado global de aviação executiva. Em particular, na América do Norte. Foram exatos 305.136 voos no período, o que representou um crescimento anual de 47,1% e um novo recorde dessa indústria na região.

Os números “nas alturas” foram compilados pela empresa de serviços de aviação Argus International, que prevê novos recordes para outubro. E deveriam ser motivo de comemoração, especialmente em um mercado que esteve entre os mais afetados pela Covid-19. Mas esse não é exatamente o clima no setor.

O aumento do número de viajantes trouxe, por consequência, um efeito colateral para uma indústria que tradicionalmente tem um crescimento mais lento. E que não estava preparada para esse salto.

Esse cenário vem se traduzindo em atrasos crescentes, cancelamentos e em voos insuficientes para atender a essa explosão da demanda. Uma pesquisa da americana Private Jet Card, especializada no setor, mostra que mais de 20% passageiros tiveram um problema com esses serviços nos últimos meses.

“Essas são pessoas que gastaram US$ 200 mil e querem a perfeição”, afirmou Doug Gollan, fundador da Private Jet Card, em entrevista à rede americana CNBC. Além do crescimento na procura pela categoria, um pacote de outros fatores ajuda a explicar esses problemas.

Segundo executivos do setor, o principal desafio é a falta de aeronaves, dado que os proprietários que geralmente alugam os jatos agora estão usando esses aviões com mais frequência, reduzindo, por consequência, a oferta.

Ao mesmo tempo, há um déficit no número de pilotos disponíveis. Seja porque muitos deles se aposentaram ou pelo fato de que outros tantos decidiram voltar ao batente à medida que as companhias aéreas de aviação comercial retomaram as contratações.

Outros componentes que reforçam esse cenário são a escassez e os atrasos na disponibilidade de peças para as aeronaves. Dessa maneira, os serviços de manutenção que levariam, normalmente, um ou dois dias, agora concentram prazos de uma semana ou mais.

Nesse contexto, já existem companhias interrompendo vendas e a abertura para novos clientes. Esse é o caso da americana Sentient Jet, que decidiu seguir por esse caminho. Outra empresa que adotou essa medida foi a NetJets. A empresa americana revelou que a demanda de voos é a maior em seus 57 anos de história, com uma média diária de 500 voos, contra um volume de menos de 400 em 2019.

Tais turbulências também estão afetando o desempenho da americana Wheels Up, que abriu capital em fevereiro, via uma Special Purpose Acquisition Company (SPAC), quando foi avaliada em US$ 2,1 bilhões. As ações da empresa caíram mais de 40% desde o pico em julho e a empresa vale agora US$ 1,8 bilhão.

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