AZ Quest entra em quantitativos e traz a Bayes Capital para dentro de casa

Com R$ 19 bilhões sob gestão, a empresa fechou um acordo de cogestão de fundos quantitativos da Bayes. A AZ Quest ainda estuda entrar em venture capital, private equity, entre outros mercados

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Walter Maciel (à esq.), da AZ Quest, e Marcello Paixão, da Bayes

No fim de 2019, a AZ Quest tinha quase R$ 20 bilhões sob gestão. Em 2020, no auge da pandemia, o número caiu para R$ 16,5 bilhões. Atualmente, são R$ 19 bilhões. Mas, depois que o fundo da XP Private Equity comprou uma participação na gestora, Walter Maciel, CEO da AZ Quest, resolveu pisar no acelerador para mexer os ponteiros com velocidade.

Ele sabe que a turma de private equity só aposta em empresas com grande potencial de crescimento, buscando retornos superiores a 35% ao ano. “Para entregar isso, a nossa meta é complementar a prateleira de produtos”, diz Maciel. E ela acaba de ganhar um grande reforço, revelado com exclusividade ao NeoFeed.

A AZ Quest está trazendo a Bayes Capital Management, gestora especializada em fundos quantitativos, para dentro de casa. “Quanti era a última estratégia que faltava no segmento de investimentos líquidos”, diz Maciel. Com a Bayes, liderada pelo experiente Marcello Paixão, um dos principais nomes desse mercado no País, a gestora preenche essa lacuna.

A Bayes conta com dois fundos, o Sistemático Ações FIA e o Long Biased Sistemático FIM, e eles estão sendo trazidos em um regime de cogestão. O time da Bayes, que conta com outros experientes executivos como Helder Palaro, Denis Lee e Lucas Santiago, está sendo internalizado e a ideia é gerar outros produtos para a gestora.

O racional do negócio para a Bayes é claro. “Já temos um set-up muito desenvolvido nessa parte de gestão, risco e sistema. A AZ Quest tem a parte institucional, uma distribuição e parceiros fortíssimos, além da troca de conhecimento”, diz Paixão ao NeoFeed. “Tem um fit muito interessante para as duas partes.”

Por enquanto, as duas empresas têm um contrato assinado de cogestão e que deve virar uma troca de ações em um prazo de três anos. Nesse período, o plano é captar, pelo menos, R$ 1 bilhão nos dois fundos existentes, que hoje têm cerca de R$ 50 milhões. Maciel explica que o objetivo é dar tempo para a Bayes ganhar um tamanho robusto para entrar com uma participação acionária mais relevante no grupo.

Os dois fundos da Bayes usam algoritmos específicos desenvolvidos pela gestora. A Bayes programa critérios que são indicadores fundamentalistas, técnicos, estatísticos e, a partir disso, a gestora ranqueia todo o universo de ações no Brasil. Ela analisa cinco características como qualidade, momento, crescimento, valuation e risco. Com as informações em mãos, o portfólio é montado.

O modelo do FIA, que investe 100% em ações, já foi bem testado ao longo dos anos. A primeira vez foi em 2012, quando lançado pela Principia, gestora que também foi cofundada por Paíxão. A segunda versão, também levada por Paixão, foi para a Constância quando se juntou à Principia em 2014. O fundo chegou a ter R$ 1 bilhão sob gestão com histórico de Ibovespa mais 10% ao ano.

Sob a bandeira da Bayes, desde julho de 2020, com uma modelagem atualizada, Paixão diz que o FIA vem rendendo Ibovespa mais 10% ao ano. O outro fundo da casa, o Long Biased Sistemático FIM, tem a parte long only, long short e outros mercados. Esse fundo, criado em maio de 2020, também tem entregado 10% a mais do que Ibovespa.

“Sabemos que é uma tendência de longo prazo do mercado e identificamos um time super vencedor com uma performance incrível”, diz Maciel. “O Marcello fez um trabalho incrível na Principia, na Constância. Percebemos que tinha um time pronto para ser plugado no nosso.”

A estratégia quantitativa, com investimentos guiados por algoritmos, tem se tornado cada vez mais comum no mercado brasileiro. Além da Bayes, outros players como Daemon, Giant Steps, Kadima, Galapagos, Murano, Rio Bravo, Pandhora, Canvas Capital, Constância, Claritas, Garde, Mauá Capital, Kapitalo, Clave e Encore estão nesse mercado. Grandes players como a Itaú Asset e a Bradesco Asset Management também têm adotado essa estratégia em alguns produtos.

Maciel, da AZ Quest, afirma que essa é mais uma opção para os investidores da gestora, que conta com uma plataforma de produtos diversificada. “Temos ações livre, small mid caps, ações long biased, long short, macro, renda fixa, fundos de arbitragem e estrutura de crédito privado high grade”, diz.

Mas a companhia não pretende parar por aí. A AZ Quest está mapeando aquisições de times em ilíquidos. A gestora estuda entrar em venture capital, private equity, imobiliário, agro e crédito estruturado. “É trazer gente já testada, com capacidade para entregar.”

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