Clubhouse: o lado bom e o ruim da nova rede social, segundo um investidor

A rede social de áudio virou uma sensação entre os brasileiros. O investidor João Kepler, sócio da Bossa Nova Investimentos, “navega” por ela há vários dias e traz suas primeiras impressões sobre o Clubhouse

0
93
Leia em 4 min

Clubhouse: a nova rede social de áudio que virou uma sensação entre empreendedores

Quem não gosta de se sentir “parte” de algo importante, de ter a sensação de acesso a algo exclusivo, poder aprender e até mesmo trocar ideias com personalidades que admira? Ouvir celebridades batendo papo, sem roteiro, nem script, de forma até “desnudada” e em tempo real a qualquer hora do dia, da noite e madrugada adentro?

Bom, nem preciso dizer que só por essa pequena introdução já dá para imaginar porque o Clubhouse se tornou em poucos dias uma plataforma tão popular no País. O aplicativo é surpreendente em vários sentidos, mas como uma pessoa pública e já ativa nesta plataforma com mais de 10 mil de seguidores, posso passar as minhas primeiras impressões.

No Clubhouse, já são muitas pessoas conhecidas que entram como speakers em salas aleatórias, com debates sem rumo, com falas desconexas e sem objetivo. O que leva consequentemente a um “problema”: muita gente em um lugar querendo aparecer ao mesmo tempo. De certa forma, em alguns momentos, acaba virando uma certa bagunça virtual.

Eu mesmo, quando entrei em algumas salas como ouvinte, tive a impressão de ser meio que “conversa de compadres em mesa de bar”. Esse é o lado ruim!

Meu alerta é só para que o uso da nova rede social seja mais produtiva. De nada adianta mais uma rede para aproximar pessoas, se o foco se perder. Mas talvez esse seja mesmo o objetivo da ferramenta: ser descontraída e com salas sem muitos objetivos. Se você curte assim, aproveite!

Para mim, o melhor do Clubhouse é ir além do podcast, com poucas pessoas ao vivo como speakers, debatendo um tema específico em salas agendadas, temáticas e moderadas por quem entende do assunto, como se estivesse dentro do ambiente de escolha do evento SXSW.

Se conseguirmos avançar neste sentido, de edificação e disseminação de conhecimento que agrega, como já existem em muitas salas organizadas lá dentro do aplicativo, aí sim, para mim, vale a pena parar e escutar o Clubhouse e deixar de ouvir áudios longos no WhatsApp. Faça o seu filtro!

Para quem ainda não conhece, o Clubhouse é uma rede social somente de áudio, que dá essa dimensão de “parecer uma festa exclusiva”. O convidado pode entrar em conversas ao vivo, compartilhar seus pensamentos ou simplesmente ouvir “do lado de fora”, como um podcast ao vivo.

No fundo, nada mais são do que salas de bate-papo. Para os mais antigos como eu, o Clubhouse lembra em seu formato o mIRC e ICQ, ou até mesmo as salas de bate-papo do UOL, só que com áudio.

Para os mais antigos como eu, o Clubhouse lembra em seu formato o mIRC e ICQ, ou até mesmo as salas de bate-papo do UOL, só que com áudio

Você pode seguir assuntos de seu interesse, acompanhar salas temáticas e até criar as suas próprias salas. Quando você entra, conecta seus contatos e imediatamente ele te mostra os seus amigos que já estão no Clubhouse. Vá selecionando e seguindo.

Após isso, escolha as salas, entre ou agende sua participação no calendário ou abra uma sua sala pública/privada. Dá até para fazer um encontro, uma reunião, um evento ou uma festa virtual.

E aí entra um ponto interessante desta nova rede social, que imprime ainda mais essa ideia de importância aos participantes. A possibilidade de aproximar o “pequeno” do “grande”. Isso já está acontecendo em salas internacionais.

Ao contrário da maioria das redes sociais, nas quais você pode ficar por dentro do que aconteceu após elas terem acontecido, no Clubhouse é tudo em tempo real e você precisa estar lá o tempo todo se não quiser “perder nada”. Nenhuma das conversas é gravada e nenhuma transcrição é disponibilizada.

A ideia de exclusividade só para convidados e somente para usuários iOS, do iPhone, gera a sensação de FOMO (Fear of missing out) e está atrelada a possibilidade de “estar finalmente perto” de pessoas que admira. Esses são de fato bons argumentos para explicar a rápida adesão dos convidados ao aplicativo.

De fato, é uma experiência social mais adulta e bem mais humana, onde, em vez de postar, você pode se reunir com outras pessoas (até desconhecidos) e conversar.

O maior atributo do aplicativo é obrigar as pessoas serem elas mesmas, sem roteiros, sem edições, sem maquiagem e sem poder terceirizar o conteúdo. É enfim, uma nova forma de aprendizado, relacionamento e, consequentemente, negócios. Esse é o lado bom!

João Kepler, que está no Clubhouse como @JoaoKepler, é escritor, anjo-investidor, conferencista, apresentador do Reality Show TV [O Anjo Investidor] na RedeTV! e na Jovem Pan,  podcaster e pai de empreendedores. Especialista na relação empreendedor-investidor, foi premiado por 4 anos como o Melhor Investidor Anjo do Brasil pelo Startup Awards. CEO da Bossa Nova Investimentos. Palestrante Internacional. Conselheiro de várias empresas e entidades. Autor de 7 livros (sendo 2 best-sellers: “Smart Money” e “Gestão Ágil”). O seu mais recente livro é “Se Vira Moleque!”.

Leia também