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Depois do 737 MAX, um novo ponto de interrogação surge no plano de voo da Boeing

A fabricante americana identifica problemas de produção em seus aviões 787 Dreamliner, que estão sendo investigados pela agência de aviação americana. Esse é o mais novo capítulo da maior crise já vivida pela companhia, cujo calvário teve início com as duas tragédias envolvendo o modelo 737 MAX, há 18 meses

 

Nesta semana, a Boeing completa dezoito meses da maior crise de seus 104 anos de história. O estopim da situação conturbada da empresa foram dois acidentes, o segundo deles ocorrido em 10 de março de 2019, envolvendo os aviões 737 MAX, que vitimaram 346 pessoas.

Desde então, a fabricante americana não conseguiu provar às autoridades americanas e às agências de outros países que o modelo em questão tem segurança para voltar aos ares. E a chegada da Covid-19 só reforçou o horizonte já extremamente instável da companhia.

Agora, um novo episódio está agravando esse cenário e ampliando o sentimento de desconfiança sobre a empresa. Nesta terça-feira, a Boeing informou que identificou problemas de produção em sua linha de aviões 787 Dreamliner.

As possíveis falhas foram informadas a Federal Aviation Adminstration (FAA), agência reguladora da aviação nos Estados Unidos, que disse estar investigando o caso. Segundo a Boeing, os problemas envolvem a fuselagem o estabilizador horizontal do modelo em questão e afetam apenas aeronaves ainda não entregues.

“Estamos dedicando um tempo para inspecionar completamente os 787 prontos para garantir que estejam livres de problemas e atendam todas as especificações de engenharia antes da entrega”, afirmou a empresa, em comunicado. Na nota, a companhia acrescentou que esses processos devem atrasar as entregas do modelo no curto prazo.

No fim de agosto, a Boeing informou que tinha uma carteira total de 526 pedidos para o 787 Dreamliner. No mesmo mês, segundo o The Wall Street Journal, a empresa já havia suspenso a entrega de oito aeronaves desse modelo, também por problemas relacionados à produção.

Ainda em agosto, a fabricante americana revelou um saldo total de 20 cancelamentos e apenas oito novos pedidos, consolidando o sétimo mês seguido no qual essa equação foi desfavorável em sua operação.

Antes desse anúncio, a Boeing reportou um prejuízo de US$ 2,4 bilhões no segundo trimestre, impactada, especialmente, pela queda de 65% na receita da sua divisão de aviação comercial. No primeiro semestre, a perda total da empresa foi de US$ 3,03 bilhões, contra US$ 793 milhões, em igual período, um ano antes.

A Boeing reportou um prejuízo de US$ 2,4 bilhões no segundo trimestre, impactada, especialmente, pela queda de 65% na receita da sua divisão de aviação comercial

Os 787 Dreamliners são mais voltados às rotas internacionais, de longa distância, uma categoria cuja volta ao ritmo pré-pandemia deve ser ainda mais lenta do que as demais aeronaves. Entretanto, os novos problemas voltam a colocar em xeque a capacidade de desenvolvimento e de produção da Boeing, que já estava na berlinda desde os problemas que vieram à tona com os acidentes do 737 MAX.

Com as falhas no 737 MAX, a Boeing não foi a única a sofrer com os questionamentos do mercado. A FAA também passou a ser o alvo de pressões desde os acidentes, por ter certificado o modelo problemático. E, para responder a esse contexto, vem se mostrando mais rígida no processo para liberar a volta da operação dessas aeronaves.

Depois do anúncio de hoje, as ações da Boeing operavam com baixa de 5,26% na Bolsa de Nova York, por volta das 15h45 (horário local). No ano, os papéis da empresa acumulam uma queda de mais de 47%.

Os impactos do drama sem fim na companhia também podem ser medidos por meio de outro indicador. Em março de 2019, na época do segundo acidente envolvendo o 737 MAX, a Boeing estava avaliada em US$ 238,7 bilhões. Hoje, o valor de mercado da companhia é de US$ 91,3 bilhões.

Nesse intervalo, além dos sucessivos retornos frustrados do 737 MAX, da queda nas vendas e dos prejuízos consecutivos, e dos reflexos da pandemia na operação, a companhia também encerrou as negociações para a formação de uma joint-venture com a Embraer em aviação comercial.

O acordo em questão, que vinha sendo costurado desde 2017, era apontado como extremamente estratégico não apenas para a empresa brasileira, mas também para a fabricante americana, que via na operação um atalho para marcar terreno também na competição dos jatos de menor porte.

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