Em livro, Bill Gates mostra o caminho para vencer a próxima ameaça global

Bill Gates foi um dos protagonistas no combate à Covid-19. Agora, ele está preocupado com outra ameaça: o aquecimento climático. Saiba como o fundador da Microsoft acredita que esse desafio, em sua visão mais difícil que o coronavírus, deve ser enfrentado

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Bill Gates, o fundador da Microsoft

Desde que se afastou do dia a dia da Microsoft, Bill Gates tem se debruçado sobre alguns dos grandes problemas da humanidade e usado sua relevância para chamar atenção a eles. Após ter alertado sobre a iminência de uma pandemia há cinco anos, o fundador da Microsoft assumiu um papel de protagonismo no combate à Covid-19. Agora, Gates volta seu foco para as mudanças climáticas.

O plano de Gates para tentar reverter o cenário catastrófico que elas podem provocar é detalhado no livro “Como evitar um desastre climático: As soluções que temos e as inovações necessárias”, que será lançado nos Estados Unidos nesta terça-feira, 16 de fevereiro. A edição brasileira chegará daqui a alguns dias. Na Amazon, a data de entrega prevista é 1º de março.

O grande desafio para evitar o aquecimento climática será reduzir as emissões de gases poluentes de 51 bilhões de toneladas anuais para zero até 2050. Essa transformação é tão difícil quanto parece.

Em entrevista à BBC, Gates disse que acabar com uma pandemia como a da Covd-19 é “muito fácil” em comparação a zerar as emissões de gases poluentes. E que, se nada for feito, as mudanças climáticas serão tão mortais quanto o novo coronavírus.

Mas o bilionário é otimista e acredita que uma mudança é possível. Para isso, no entanto, será preciso uma grande intervenção governamental para estimular a inovação em um nível nunca visto.

Gates afirma que a adoção de energia solar e eólica em larga escala e zerar as emissões em carros, substituindo combustíveis fósseis por eletricidade, por exemplo, não representam 30% de todas as emissões.

De acordo com o fundador da Microsoft, é necessário descarbonizar outros setores da economia global, como a fabricação de aço, sistemas de transporte, produção de fertilizantes e muito mais. E o papel do governo é justamente fomentar o desenvolvimento de novas tecnologias capazes de substituir métodos produtivos que poluem o ambiente.

Isso pode ser feito oferecendo benefícios fiscais a empresas que busquem a inovação em áreas ainda incipientes, como alternativas ao aço, investindo em startups que testam tecnologias para retirar o gás carbônico do ar ou apostando em empresas que criam combustível para aeronaves feito a partir de plantas.

É claro que todas as tecnologias criadas em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, precisam ser baratas para que países em desenvolvimento, como a Índia e o Brasil, possam adotá-las. E isso só será possível com a produção em larga escala dessas alternativas.

Gates aponta ainda que uma das prioridades do novo governo americano sob o comando do democrata Joe Biden deve ser a criação de um Instituto Nacional de Inovação Energética, com um orçamento de US$ 20 bilhões a US$ 30 bilhões anuais, apenas para focar nos esforços de pesquisa e desenvolvimento.

Afinal, os Estados Unidos são responsáveis por 14% de todas as emissões de gases poluentes do planeta e devem assumir o protagonismo nesse desafio, na visão de Gates. Atualmente, o Departamento de Energia dos EUA gasta US$ 6 bilhões anuais.

Por meio de seu fundo de venture capital Breakthrough Energy Ventures (BEV), Gates tem investido em startups que desenvolvem soluções verdes. A primeira captação, de US$ 1 bilhão, foi dedicada a empresas com soluções para armazenamento e produção de alimentos de maneira sustentável.

Entre as startup que receberam investimentos do BEV estão a Motif, que desenvolve ingredientes à base de plantas para fabricantes de proteínas alternativas; a Biomilq, que cria leite para crianças em laboratório a partir de células mamárias; e a Malta, responsável por um sistema de armazenamento de energia usando materiais de baixo custo.

No fim de janeiro deste ano, Gates anunciou a captação de mais um US$ 1 bilhão, que será destinado a 40 a 50 startups com foco em áreas de difícil descarbonização, como a produção de cimento, o transporte aéreo e a captação de carbono no ar.

Em entrevista ao site do Business Insider, Gates afirmou que a criação do Breakthrough Energy Ventures também é uma forma de estimular outros investidores a apostar nesse tipo de pesquisa de alto risco. “O BEV tem ajudado a criar um ecossistema de investimento em soluções verdes.”

Gates segue ainda como chairman da instituição Bill & Melinda Gates Foundation, uma organização sem fins lucrativos que promove doações para causas humanitárias – a fundação concentrou boa parte de suas iniciativas no apoio a projetos ligados ao desenvolvimento de tratamentos e vacinas para doenças e epidemias como malária, Ebola, HIV, SARS e, claro, a Covid-19. Em 2018, o fundo de endowment da instituição tinha US$ 46,8 bilhões.

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