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Fundo de private equity KKR abre a carteira na pandemia para evitar erros da crise de 2008

Desde o início de março, o fundo americano investiu US$ 12,7 bilhões em compras de empresas, mais do que a soma de Silver Lake, Apollo Global e Blackstone. Motivo? Na crise financeira global de 2008, ele ficou na defensiva e perdeu oportunidades. Agora, partiu para o ataque

 

Logo do fundo de private equity KKR

Quando o novo coronavírus começou a afetar a economia mundial, os executivos da empresa de private equity KKR, que administra US$ 207 bilhões em ativos, pensaram: nós já vimos esse filme antes.

O enredo envolvia uma queda abrupta do valor das ações, uma paralisação dos financiamentos e um grau enorme de incerteza sobre os lucros das empresas.

Só que, quando esse filme foi ar, o final não tinha sido feliz para a KKR. Isso foi na crise financeira global de 2008, na qual a gestora teve uma atuação decepcionante, demorando para tirar proveito dos múltiplos de avaliações mais baixos.

“Há um esforço consciente de nosso lado de não repetir os erros de 2008 e 2009”, de Johanes Huth, um dos principais executivos da KKR na Europa, em entrevista à Bloomberg. “Decidimos, muito cedo, antes que os mercados atingissem mínimos históricos, que precisávamos investir durante a crise.”

E a KKR não perdeu tempo. A empresa é o fundo de private equity mais ativo do mundo desde que a crise do coronavírus afetou os mercados globais no início de março, movimentando US$ 12,7 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

A cifra investida pela KKR é maior do que os investimentos somados de Silver Lake, Apollo Global e Blackstone. A Silver Lake, por exemplo, foi a segunda empresa que mais fez investimentos nesta crise, movimentando US$ 5,9 bilhões.

As compras da KKR começaram, em março, quando agiu rapidamente para abocanhar a britânica Viridor, uma empresa de gerenciamento de resíduos, por US$ 5,2 bilhões.

Em maio, um acordo semelhante foi fechado com as marcas de beleza Wella e Clairol, que pertenciam a empresa de cosméticos americana Coty. A transação foi de US$ 4,3 bilhões e incluiu um investimento de US$ 1 bilhão na Coty.

A KKR é também uma das três empresas que querem assumir o controle da companhia de telefonia espanhola Masmovil Ibercom, num negócio de US$ 3,3 bilhões.

Ao partir para o ataque, a KKR está seguindo uma estratégia praticada por investidores de renome, como Warren Buffett, que, durante a crise financeira global de 2008 foi às compras (estranhamente, Buffett está quieto e disse que não há bons negócios para se investir no momento).

Na época, Buffett investiu bilhões de dólares em empresas como GE e Goldman Sachs. Quando os mercados voltaram, as apostas foram amplamente recompensadas.

A KKR foi fundada em 1976 por Jerome Kohlberg, Henry Kravis e George Roberts (cada um deles contribuiu com uma inicial ao nome da companhia).

Ela ficou mundialmente conhecida por aquisições alavancadas, imortalizada no livro “Barbarians at the Gate”, de 1989, que narra a aquisição da empresa de alimentos RJR Nabisco, escrito pelo jornalista Bryan Burrough. Atualmente, a KKR está aproveitando seus diversos pools de capital para ajudar a diversificar as aquisições.

Em abril, a empresa decidiu relançar um fundo de crédito malsucedido, em um esforço para recolher títulos e empréstimos em meio à crise. Um mês depois afirmou que usaria US$ 1 bilhão de seu terceiro fundo global de infraestrutura para construir data centers na Europa.

A KRR também está ativa nos mercados públicos e comprou fatias da empresa de mídia alemã ProSiebenSat.1 e do distribuidor de comida americana US Foods Holding. Outros negócios incluem o investimento de US$ 1,5 bilhão na empresa de serviços digitais indiana Jio Platforms, no maior aporte da KKR na Ásia.

Apesar dessa estratégia agressiva, a companhia também está sofrendo com a Covid-19. No primeiro trimestre de 2020, a empresa teve prejuízo líquido de US$ 1,28 bilhão. Sua carteira de private equity teve o valor reduzido em 12%.

Um exemplo do portfólio da KKR que está enfrentando problemas é a Selecta, empresa suíça que opera máquinas self-services de vendas de conveniência e de café, que ficam instaladas em locais públicos, como estações de trem e metrô, bem como dentro de escritórios.

A pandemia do coronavírus, que reduziu a circulação de pessoas, afetou o negócio da empresa e a KKR negocia um novo aporte estimado entre 200 milhões de euros e 300 milhões de euros, segundo reportagem do jornal americano The New York Times.

Mas, apesar disso, suas ações, comercializadas na Bolsa de Nova York, seguem estáveis, com um ligeira alta de 2% em 2020. “Nós nos encontramos na posição privilegiada de estarmos prontos como uma empresa, desta vez, não apenas para jogar na defesa, mas também para jogar mais ofensivas e temos feito muito de ambos”, disse o copresidente da KKR, Scott Nuttall.

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