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Negócios

Há uma solução fácil para a Cielo?

Os analistas do BTG Pactual dizem que não, depois de um resultado em que a companhia ganhou mercado, mas o lucro caiu e as margens se reduziram. Mas avisam: apostar contra as ações da empresa pode ser perigoso

 

O executivo Paulo Caffarelli, presidente da Cielo, abriu a teleconferência de resultados com analistas do mercado com uma boa notícia. “Aumentamos a base de clientes mais uma vez. Saltamos de 1,4 milhão para 1,5 milhão”, disse ele. “É a terceira vez que aumentamos a nossa participação de mercado.”

O otimismo de Caffarelli contrastava com o a reação do mercado aos números da Cielo. As ações da empresa caíam mais de 4% no pregão da B3, liderando as baixas do Ibovespa, o principal índice do mercado brasileiro.

O aumento da base de clientes era um dos poucos dados positivos que Caffarelli poderia mostrar. E o mercado estava de olho, na verdade, em outros números. E eles não eram nada bons.

O lucro de R$ 358 milhões era 56% inferior ao mesmo trimestre do ano passado. E 17% menos do que o trimestre anterior. A taxa que a Cielo cobra de seus clientes também se reduziu. Ela foi para 0,92% contra 1% no trimestre anterior.

Outros indicadores financeiros desapontaram. A receita líquida teve queda de 5,5%, para R$ 2,8 bilhões. O Ebitda encolheu 37,2%, para R$ 742,3 milhões. E a margem líquida atingiu 12,8%, uma redução de 12,2 pontos percentuais.

Um relatório do BTG Pactual disse que o presidente da Cielo “está fazendo um bom trabalho e tentando comprar algum tempo, até que uma solução apareça.” E qual seria ela?

“Por que não fazer uma aquisição de uma grande companhia americana de pagamentos? Ou com a Stone?”, diz relatório do BTG Pactual

Os analistas do BTG Pactual especularam uma série de cenários, lembrando que a Cielo movimenta R$ 850 bilhões por ano em transações com cartões, o que é um volume massivo de pagamentos até mesmo para os padrões internacionais.

“Por que não fazer uma aquisição de uma grande companhia americana de pagamentos? Ou com a Stone?”, escreveram Eduardo Rosman, Thomas Peredo e Thiago Kapulskis. Outra hipótese seria o Bradesco comprar a fatia do Banco do Brasil e fechar o capital da Cielo. “Isso daria mais poder de fogo para o Bradesco usar a Cielo como um centro de custo.” E concluíram: “Não há solução fácil, mas os acionistas aparentemente estão procurando uma, apostar contra as ações da Cielo pode se mostrar perigoso.”

A pergunta que alguns analisas do mercado se fazem é sobre quem tem de fato força para propor uma fusão. Apesar do tamanho da Cielo, que movimenta um volume de transações muito superior ao dos rivais, a PagSeguro e a Stone valem atualmente muito mais que a companhia do Bradesco e do Brasil do Brasil.

A PagSeguro, por exemplo, está avaliada em US$ 12,5 bilhões. E a Stone, US$ 10,1 bilhões. A Cielo valia R$ 20,8 bilhões (pouco mais de US$ 5 bilhões). Neste ano, seus papéis desvalorizaram-se 24%. “A PagSeguro e a Stone estão em uma posição muito melhor para uma aquisição do que a Cielo”, diz uma fonte.

Caffarelli negou que a Cielo esteja a venda. E disse que não há conversas com a Stone. Mas foi enigmático sobre o tema. “A Cielo vai avaliar eventuais chances de consolidação”, disse Caffarelli, sem dar detalhes.

Com consolidação ou não, o plano de Caffarelli é claro: ganhar participação de mercado, que chegou a 42%, em detrimento do resultado. “Estamos no caminho certo”, disse ele. “É manter a liderança, ganhar market share e, com a retomada do crescimento econômico, nós teremos escala.”

O desafio é ganhar os clientes chamados de varejo e empreendedores, nos quais a rentabilidade é maior – são justamente aqueles que PagSeguro e Stone têm uma forte participação.

Mas a Cielo tem um preço a pagar. Hoje, apenas um terço dos clientes da Cielo são do varejo e de empreendedores. E, para conquistá-los, a companhia está subsidiando a venda das maquininhas.

Questionado sobre o tema, o diretor financeiro da Cielo, Gustavo Souza, disse que rotatividade é muito alta nesse segmento, mas que a permanência média desse cliente é de 15 meses. “Temos um primeiro ano negativo. O segundo ano que se equilibra e o terceiro é o retorno da estratégia”, disse o executivo. “Temos de rentabilizar o todo.”

A boa notícia, pelo menos para a Cielo, é que o mercado está mais racional. E, segundo Caffarelli, o ápice da guerra de preços passou. “Vai continuar havendo achatamento de margem, mas não na mesma velocidade.” A conferir os próximos capítulos da guerra das maquininhas.

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