Infracommerce vai se espalhar pelo Brasil. E quer fazer isso sem que ninguém veja

Em um ano, a companhia quintuplicou o número de clientes. E, para dar conta dessa expansão, vai abrir mais 11 dark stores. O CEO da empresa, Kai Schoppen, conta os planos ao NeoFeed

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O alemão Kai Schoppen é o fundador e CEO da Infracommerce

Quando a Infracommerce realizou o seu IPO, em maio, o fundador e CEO da companhia, o alemão Kai Schoppen, não se animou apenas com os R$ 902 milhões levantados junto a diversos investidores. Schoppen se entusiasmou também com a visibilidade que o processo de abertura de capital garantiu à empresa, que atua no chamado full commerce, uma operação completa de e-commerce, do pedido, passando pelo marketing digital, até a logística.

A exposição, diz ele ao NeoFeed, deu mais credibilidade à Infracommerce e ajudou a atrair 43 novos clientes só no último trimestre. “Deixamos de ser vistos como uma startup para nos tornarmos uma empresa de tecnologia de grande porte”, afirma o executivo, que agora soma 268 clientes, quase cinco vezes mais do que tinha um ano antes. E, para dar conta desse crescimento, a companhia está colocando em prática um plano com várias frentes.

Uma das áreas que mais têm recebido atenção da empresa é a de logística. A Infracommerce planeja mais do que dobrar o número de “dark stores”, unidades que funcionam como pequenos centros para distribuição para entregas em até 2 horas. Hoje, são sete, das quais quatro no estado de São Paulo (capital, Campinas, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto), uma em Salvador (BA), uma em Cuiabá (MT) e a última em Brasília.

A ideia é abrir mais 11 até o fim do ano e chegar a 18 no total. “Vamos estar em praticamente todas as grandes cidades do Brasil”, diz Schoppen, que ainda não revela onde serão instalados os pontos. O plano da Infracommerce é chegar a 80 unidades no País. O esforço para ampliar a rede faz parte de um trabalho para aumentar a velocidade de entrega e driblar os desafios de um país continental como o Brasil, em especial após a pandemia, que acelerou o e-commerce.

“Antes, não era tão relevante você alcançar a população no mesmo dia. Hoje, os executivos começam a olhar para isso”, disse. “E se você quer entregar para o Brasil todo com apenas um centro logístico em São Paulo, vai ficar difícil”, afirma o CEO da Infracommerce, que, além das sete dark stores, conta ainda com nove centros de distribuição.

Para Mauro Schluter, professor de logística do Mackenzie, há um esforço no setor para encurtar a distância entre a velocidade à qual o consumidor se acostumou na hora de comprar um produto na internet e o tempo para a entrega.

Instalar centros de distribuição é um caminho, mas é preciso avaliar a viabilidade econômica do local. “É preciso que haja uma população significativa em termos de demanda”, afirma. “Não dá para prover entrega rápida simplesmente por prover, sem que haja economia de escala”.

Os clientes da Infracommerce são, em geral, empresas de médio e grande porte. Entre elas, estão Nike, Ricardo Eletro, Nespresso, Johnson&Johnson, Motorola e Kopenhagen. Com foco em ganhar escala, a Infracommerce, por enquanto, não tem como prioridade gerar lucro. No trimestre do IPO, a empresa teve prejuízo de R$ 14,7 milhões, mais de quatro vezes a perda registrada no segundo trimestre do ano passado, de R$ 3,2 milhões.

“No IPO, nós dissemos que, para os próximos 12 a 18 meses, o objetivo não era crescer lucro, mas sim acelerar muito”, disse Schoppen. E a companhia, ao que parece, tem acelerado. Só no último trimestre foram abertos três centros de distribuição: no Rio de Janeiro, com área de 4 mil metros quadrados; em Salvador, também 4 mil metros quadrados; e em Fortaleza, com 3 mil metros quadrados.

A operação de logística é só um dos braços do negócio da Infracommerce, que se propõe a ser uma empresa de ‘full commerce’. Os serviços da companhia passam por desenvolvimento do site de e-commerce do cliente, a armazenagem de produtos, a operação de pedidos, pagamentos, as entregas e até a gestão e resposta para a reclamação dos consumidores.

Por ter um modelo como esse, a Infracommerce tem concorrentes em diversas áreas do e-commerce. No segmento de plataformas para comércio eletrônico, por exemplo, compete com Vtex e Magento. Enquanto ‘full commerce’, bate de frente com Synapcom, Magazine Luiza, Via Varejo e Mercado Livre. Além disso, concorre com transportadoras na logística e com adquirentes no serviço de pagamentos.

No segundo trimestre, as transações registradas pelos clientes da Infracommerce somaram R$ 1,5 bilhão, alta de 29% em relação a igual período do ano passado, em meio ao aumento da base e à expansão daqueles que já estavam. A receita líquida da companhia teve aumento de 19%, para R$ 79 milhões.

Com uma maior perspectiva de que a pandemia esteja perto do fim, Schoppen reconhece que o e-commerce deve crescer menos do que em 2020, mas ainda vê muito espaço para expansão, em especial no mundo de abastecimento.

Segundo ele, enquanto o mercado B2C já está de 10% a 15% digitalizado, no B2B a fatia é de 3%. “O que vamos ver, nos próximos anos, é o pequeno mercado ou o restaurante se abastecendo de maneira online, sem depender da visita de um representante de vendas de um distribuidor”, espera.

Para dar mais velocidade à expansão, a Infracommerce também tem apostado em aquisições. Desde o IPO, já foram duas compras. Há duas semanas, anunciou a aquisição da brasileira Tatix, que também atua no segmento de full commerce, por R$ 124 milhões. A companhia tem clientes como Ambev, Uber, Vivo e Mondalez.

Em julho, a Infracommerce também comprou a argentina Summa Solutions. Ela pagou US$ 9 milhões pela empresa que desenvolve softwares para e-commerce e conecta grandes marcas a pequenos lojistas. “Todos os M&As que fizemos nos últimos meses servem para compor o nosso ecossistema e ganhar escala”, diz Schoppen. “Estamos sentados em cima de um foguete.”

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