Intrigas, ganância e assassinato: um desfile de traições na família Gucci

Com lançamento previsto para novembro, “House of Gucci”, dirigido pelo cineasta Ridley Scott, relembra o assassinato de um dos herdeiros da marca, Maurizio Gucci, em 1995, a mando da ex-mulher, Patrizia Reggiani, que ficou conhecida como a “viúva negra”

0
349
Leia em 5 min

Lady Gaga e Adam Driver em uma das cenas do filme dirigido por Ridley Scott

A trajetória da família Gucci, um sobrenome que é sinônimo de sofisticação no mundo da moda, é marcada tanto por luxo e glamour quanto por ganância, intrigas e tragédia.

E todos esses elementos vão ajudar o cineasta Ridley Scott a contar a história do clã italiano em “House of Gucci”. Provavelmente com foco nos aspectos mais sinistros da família por trás da grife fundada em Florença, em 1921.

O longa-metragem com lançamento previsto para novembro é uma adaptação do livro “Casa Gucci: Uma História de Glamour, Cobiça, Loucura e Morte”. Como o título já adianta, a obra escrita pela jornalista de moda Sara Gay Forden, em 2015, resgata o assassinato de Maurizio Gucci, aos 46 anos.

O então diretor da maison italiana levou quatro tiros na manhã de 27 de março de 1995, quando chegava ao escritório, na via Palestro, em Milão. Os disparos haviam sido encomendados por sua ex-mulher, Patrizia Reggiani, motivada possivelmente por ciúme, dinheiro e rancor, segundo os promotores do caso.

O crime ganhou as manchetes do mundo, sobretudo durante o julgamento, quando Patrizia ficou conhecida na Itália como “viúva negra”.

Ela teria contratado Benedetto Ceraulo, um assassino de aluguel, ao descobrir que o ex-marido tinha planos de se casar novamente com uma mulher mais jovem, a modelo Paola Franchi.

Lady Gaga interpreta a socialite que foi sentenciada a 29 anos de prisão e acabou libertada após 18 anos de pena, por bom comportamento.

É o primeiro papel de Gaga no cinema desde “Nasce Uma Estrela” (2018), com o qual ela foi indicada a um Oscar de melhor atriz na pele da cantora de aparência comum que luta para vencer no cenário musical.

A escolha de Lady Gaga parece acertada, principalmente depois que as primeiras imagens e o trailer oficial do filme foram liberados. Apaixonada por moda, Gaga está perfeita ao reproduzir o estilo exagerado da socialite, com guarda-roupa repleto de casacos de pele, vestidos colados ao corpo, chapéus, óculos de sol chamativos e muitas joias.

A grife trabalha em parceria com o filme, cedendo peças e acessórios Gucci à equipe. Muito do que foi emprestado diz respeito principalmente à moda dos anos 90, justamente a década em que Maurizio foi assassinado.

Detalhes do roteiro não são ainda conhecidos. Em linhas gerais, a história se passa em 1995, resgatando “os acontecimentos e as consequências” do assassinato de Maurizio (vivido no filme por Adam Driver). Mas pelo trailer dá para perceber que a narrativa passará também pelos anos 70, quando Maurizio e Patrizia se conheceram e se casaram.

Inicialmente, os Gucci foram contra a união por Patrizia ser filha de uma lavadeira. “Era um nome que soava tão doce, tão sedutor, sinônimo de valor, estilo e poder. Mas esse nome também era uma maldição”, diz a personagem Patrizia, ao se referir ao sobrenome Gucci, no trailer do filme.

No site da United Artists, responsável pela produção, “House of Gucci” é definido como uma “história real e chocante da família por trás da maison de moda italiana Gucci”. “Ao longo de três décadas de amor, traição, decadência, vingança e, finalmente, assassinato, vemos o que um nome significa, o que ele vale e o até que ponto uma família chega em busca de controle”, revela a sinopse oficial.

A marca nasceu com Guccio Gucci (1881-1953), que começou a confeccionar artigos de couro nos anos 20. As malas foram o cartão de visita, sobretudo pelo seu alto padrão de qualidade. Aos poucos, Guccio diversificou a sua produção englobando sapatos, cintos, bolsas e luvas, caindo no gosto da elite de Florença.

Embora Guccio preferisse manter o negócio apenas na Itália, com lojas também em Roma e Milão, seu filho Aldo (vivido no filme por Al Pacino) optou por cruzar fronteiras. Sob sua direção, a grife ganhou uma filial em Nova York e passou a se posicionar como um símbolo da “Dolce Vita” italiana no mundo.

A internacionalização foi fundamental para a marca se tornar sinônimo de sofisticação. Personalidades como Jackie Kennedy, Audrey Hepburn e Grace Kelly, entre outras, logo passaram a endossar seus artigos, como o clássico mocassim e a bolsa com alça de bambu.

Nessa época, Aldo teve ao seu lado o irmão Rodolfo (Jeremy Irons), que inicialmente se dedicava à carreira de ator. Mas ainda que cada irmão tivesse 50% dos negócios, uma crise familiar começou a se instalar, quando Aldo abriu uma subsidiária de perfumes, na qual passou a ter 80%, nos anos 70.

Com a morte de Rodolfo, em 1983, Maurizio, seu herdeiro, passou a brigar com Aldo pelo controle da Gucci. Após uma guerra de quase seis anos, que incluiu falsificação de documentos e até uma fuga para a Suíça, Maurizio levou a melhor.

À frente da maison, no entanto, Maurízio não se saiu bem com as finanças, sendo responsável por gastos extravagantes. Em 1993, ele que era o último membro da família ativo na empresa acabou vendendo a sua parte a um grupo de investidores, o Investcorp.

A partir daí é que a marca, em declínio, começou a ser revigorada. A Gucci decolou depois que Tom Ford, que até então trabalhava nos bastidores e sempre batia de frente com Maurizio, foi nomeado diretor criativo da grife, em 1994, introduzindo uma visão mais moderna de moda. O magnata do luxo, François Pinault, dono do grupo Kering, acabou comprando a grife e sua história de glamour continua fazendo sucesso nas passarelas até hoje.

Leia também