Invest Tech: mais um fundo de venture capital que tenta IPO na bolsa

A Invest Tech, que tem R$ 750 milhões de ativos sob gestão, começa reunião com investidores para buscar entre R$ 800 milhões e R$ 1,2 bilhão em abertura de capital na B3

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Maurício Lima, CEO e fundador da Invest Tech

Poucos setores estão tão aquecidos como o de venture capital no Brasil. Nos últimos dois anos, as principais gestoras conseguiram captar recursos com facilidade para investir em empresas de alto crescimento ou em estágios iniciais no País.

Mas participar dessa festa ainda é um investimento para poucos. Em geral, para investidores institucionais que alocam uma fatia de seus recursos na classe de ativos de venture capital.

Aos poucos, no entanto, essa classe de ativos começa a chegar aos investidores pessoas físicas. Primeiro, com as plataformas de crowdfunding, como CapTable, Kria Investimentos e Clearbook. E até mesmo com gestoras que abrem o seu capital na bolsa, como o caso de G2D, da GP Investments, que captou R$ 281 milhões em IPO em maio na B3.

Agora, mais uma gestora está tentando ir à bolsa. Trata-se da Invest Tech, um fundo de venture capital fundado por Maurício Lima há 17 anos e que tem R$ 750 milhões de ativos sob gestão. Os planos da companhia são levantar entre R$ 800 milhões e R$ 1,2 bilhão, apurou o NeoFeed.

O cronograma inclui as primeiras reuniões com investidores esse mês para apresentar sua tese de investimento e sondar o apetite pela operação. Se tudo der certo, a ideia é tocar o sino da B3 no começo de outubro. “Queremos maior flexibilidade de operação, com investimento perene e com capital proprietário para investir no longo prazo”, diz Lima, ao NeoFeed.

A Invest Tech já levantou quatro fundos, dos quais três ainda estão ativos. Somados, eles captaram quase R$ 460 milhões No prospecto do IPO, a gestora se propõe a aquisição de 100% das cotas do fundo Capital Tech II FIP, gerido pela Invest Tech.

Esse fundo conta em seus ativos com as empresas Ahgora, E-construmarket, Quality, Sky.One e Acesso – está última foi comprada pela Méliuz, em uma troca de ações, que ainda precisa ser aprovada pelo Banco Central.

Ao contrário da G2D, que investe em startups de consumo e voltadas para o consumidor final, a tese da Invest Tech é de apostar em companhias B2B dos setores de saúde, educação, finanças, clean tech e telecom. O pré-requisito é que essas áreas tenham a tecnologia como base de seus negócios.

A busca é por empresas com faturamento entre R$ 30 milhões e R$ 500 milhões e o cheque pode variar de R$ 50 milhões a R$ 150 milhões. Não necessariamente a Invest Tech busca o controle, mas a intenção é sempre participar do conselho e influenciar na tomada de decisões. “Gostamos de estar perto dos empreendedores e de ajudar a pensar o negócio”, afirma Lima.

Com um portfólio concentrado, Lima diz que a estratégia não é fazer várias apostas para tentar encontrar um unicórnio, como são chamadas as empresas que valem mais de US$ 1 bilhão. “Quero dar retorno consistente aos investidores ao longo do tempo”, afirma o investidor. Desde 2015, os três fundos da Invest Tech que estão ainda abertos estão dando um retorno anual de 28,6%, segundo Lima.

A gestora também está propondo uma forma de remuneração diferente. Em vez de ganhar com taxa de administração e de performance dos fundos, a forma tradicional do setor, a ideia é contar com um orçamento anual aprovado pelo conselho de administração da companhia.

Segundo a proposta, a Invest Tech quer contar com 1,2% do que captar como orçamento anual para pagar suas contas e remunerar seus executivos. De acordo com Lima, a medida que o NAV  (net asset value, que é o valor do ativo líquido) aumenta, o percentual vai ficando menor. Na visão de Lima, esse é um incentivo correto, pois não incentiva a gestora a ficar captando recursos só para ganhar taxa de administração.

O investidor diz que poucos fundos ao redor do mundo usam essa estratégia E cita o Vostok Emerging Finance, que investe na Creditas e tem capital aberto na Suécia, e o Draper Esprit e Chrysalis Investments, com papéis na bolsa de Londres, como fundos com modelos semelhantes.

Em breve, Lima saberá se conseguirá tirar do papel os planos do IPO da Invest Tech e se os investidores estão convencidos de sua tese.

O Citi é o coordenador líder da oferta, que conta também com Bradesco BBI, XP, Easynvest (Nubank), Guide, Inter e Orama.

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