Itaú Unibanco prepara fundo de venture capital para se aproximar ainda mais de startups

O Itaú Unibanco vai estruturar um modelo para investir em startups brasileiras de tecnologia e contratou Anderson Thees e Manoel Lemos, da Redpoint eventures, para ajudá-lo nessa tarefa

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Desde que Milton Maluhy Filho assumiu como CEO, em fevereiro de 2021, o Itaú Unibanco vem apertando o passo em sua jornada para se consolidar como uma empresa de tecnologia. Para isso, um dos atalhos escolhidos têm sido desenvolver laços estreitos com o ecossistema de startups do setor.

Depois de iniciar essa caminhada com o Cubo, um espaço de coworking lançado em 2015, e de avançar algumas casas na aproximação com esse mundo, o banco prepara agora uma nova etapa para fortalecer ainda mais essa relação: um fundo de venture capital para investir em novatas de tecnologia.

“Vamos dar outro tamanho, outra visão para o Cubo, que tem um papel muito relevante, mas queremos dar mais esse passo”, disse Maluhy Filho, durante a abertura do Tech Founders Summit, evento promovido pelo Itaú BBA nesta quinta-feira, 8 de abril, em São Paulo. “O Itaú vai apoiar essas empresas não apenas como parceiro, mas também como investidor.”

Para levar à frente esse novo projeto, uma das primeiras ações do Itaú será integrar Anderson Thees e Manoel Lemos à sua estrutura. Entre outras passagens, a dupla é sócia do Redpoint eventures, um dos fundos de venture capital pioneiros no País, com unicórnios como Gympass, Rappi e Creditas no portfólio. A iniciativa terá ainda a liderança de Pedro Prates, cofundador e líder do Cubo.

“Devemos passar os próximos 12 meses desenhando um modelo para que possamos escalar nossos investimentos em venture capital”, afirmou Maluhy Filho. “Mas minha expectativa é que tenhamos isso pronto antes desse prazo.”

O executivo também falou sobre como o banco e as startups podem se beneficiar dessa relação. Sob a ótica das empresas, ele destacou o potencial de alavancar esses negócios a partir do poder de fogo do Itaú, expresso, por exemplo, em sua base de mais de 60 milhões de clientes.

“Não acredito na competição, mas sim na colaboração”, afirmou, por sua vez, sobre como essa estratégia traz vantagens para o banco. “Temos que reconhecer que existem pessoas fazendo coisas muito melhores que nós e sabermos identificar essas empresas e conectá-las ao nosso ecossistema.”

À parte desses planos, o Itaú Unibanco já investe em startups por meio da Kinea Ventures, fundo de corporate venture capital do banco que fez aportes em nomes como a Mola, plataforma para correspondentes bancários e agentes autônomos, e na Paketá, fintech de crédito consignado privado.

Nessa nova etapa, o próprio Cubo pode ser um bom “aquário” para que o Itaú fisgue novas startups. “Hoje, temos aqui mais de 340 membros do Cubo, que levantaram mais de R$ 3 bilhões em capital e têm um faturamento somado de mais de R$ 2,5 bilhões”, afirmou o CEO do Itaú.

Maluhy também destacou outros dados e iniciativas do banco no diálogo com o mercado brasileiro de tecnologia. O Itaú BBA, por exemplo, tem atualmente uma equipe de mais de 100 pessoas dedicadas a atender 1,3 mil empresas do setor.

“Já temos mais de R$ 5 bilhões de carteira de crédito nesse segmento e, desde 2018, lideramos mais de 20 IPOs de empresas de tecnologia no mercado de capitais, boa parte no exterior”, ressaltou Maluhy. “Queremos ser o banco das techs. Esse é o nosso mantra.”

Ao mesmo tempo, o executivo reservou um espaço em sua participação na abertura do evento para falar da transformação que vem liderando no Itaú, em um processo que tem muitos princípios inspirados na cultura e nos modelos das empresas de tecnologia.

Além da simplificação da estrutura de comando, com a eliminação de cargos como vice-presidentes, em suas palavras, “títulos que encastelam as pessoas”, o Itaú tem uma agenda forte de implantação de metodologias ágeis no dia a dia da operação. Hoje, mais da metade do banco já opera em squads.

“Até o fim do ano, devemos ter 21 mil pessoas trabalhando nesse modelo”, observou. “Não adianta nada termos uma plataforma moderna, se não tivemos o mindset apropriado para entender os desafios e com qual velocidade devemos reagir.”

Já sob o ponto de vista da infraestrutura tecnológica, o executivo acrescentou que o banco projeta virar o ano com mais de 50% de seus serviços baseados em plataformas na nuvem. “É um trabalho longo. Mas estamos absolutamente no ritmo para virar o ano como uma empresa modernizada e digital”, afirmou Maluhy.

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