Katie Haun levanta US$ 1,5 bilhão, maior fundo de VC captado por uma mulher

Os recursos serão investidos em startups de cripto e da Web3, áreas nas quais Haun se notabilizou quando era managing partner da Andreessen Horowitz

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Katie Haun, da Haun Ventures

Quando saiu da respeitada casa de venture capital Andreessen Horowitz, a investidora Katie Haun deixou o Vale do Silício surpreso por abandonar o que seria “o emprego do sonho” em uma das principais gestoras do mundo.

Agora, a investidora, que se tornou uma das principais gestora de criptoativos quando estava na Andreessen Horowitz, surpreendeu novamente. Haun acaba levantar um fundo de US$ 1,5 bilhão para investir nesses ativos digitais.

O primeiro fundo da Haun Ventures, nome da nova casa da investidora, quebra um recorde logo em sua largada. É a maior captação feita por um fundo criado exclusivamente por uma mulher, de acordo com o Pitchbook. O recorde anterior era de Mary Meeker, que captou US$ 1,3 bilhão depois de sair da Kleiner Perkins.

“Parece, honestamente, muita pressão. Mas acho que isso motiva todos na equipe”, disse Haun, em entrevista à CNBC. “Web3 é a nova era da internet e merece uma nova era de investidores.”

O primeiro fundo de Haun vai reservar  US$ 500 milhões para empresas e protocolos em estágio inicial. A maior fatia será destinada para startups em estágio avançado.

A chegada do fundo de Haun acontece em um momento de baixa para o mercado de criptoativos. O bitcoin, principal moeda digital do mundo, caiu aproximadamente 40% desde seu pico em novembro do ano passado.

A Coinbase, da qual Haun faz parte do conselho, perdeu quase 5o% de seu valor do mercado desde seu pico, também em novembro do ano passado.

Esse comportamento no mercado, no entanto, não tem afetado os investimentos no que está sendo chamada de Web3, aplicativos construídos com a tecnologia blockchain, a mesma do bitcoin e de outras criptomoedas.

No ano passado, as startups de blockchain geraram um recorde de US$ 25 bilhões em investimentos de venture capital, de acordo com dados da CB Insights. Esse número é oito vezes superior aos aportes de 2020.

Mulheres no venture capital

Haun, uma ex-promotora federal, foi a primeira mulher a ser managing partner da Andreessen Horowitz. Os antigos sócios serão também limited partner (LPs) do Haun Ventures. “Obviamente há um relacionamento lá. Ainda pretendemos colaborar de perto com Andreessen Horowitz”, disse Haun.

A nova gestora de venture capital nasce com nove funcionários. Entre eles Chris Lehane, ex-executivo do Airbnb e funcionário do governo do ex-presidente americano Bill Clinton; Tomicah Tillemann, ex-funcionário do presidente Joe Biden; e Rachael Horwitz, que liderou equipes de comunicação no Twitter, Google, Facebook e Coinbase.

Em um mercado no qual os homens ainda dominam, as mulheres começam pouco a pouco a ganhar espaço e criar suas próprias gestoras para investir em startups. Segundo dados do site Pitchfork, s mulheres ocupam cerca de 15% dos cargos de sócios gerais em venture capital nos Estados Unidos.

No Brasil, há vários exemplos. Um deles é a Maya Capital, fundada por Mônica Saggioro e Lara Lemann, filha do empresário brasileiro Jorge Paulo Lemann.

O fundo de impacto Positive Ventures, que investe em empresas como Labi Exames e Eureciclo, tem também duas mulheres entre suas sócias: Andrea Oliveira e Bruna Constantino.

A Unbox Capital, gestora da família Trajano, controladora da Magazine Luiza, tem Patricia Moraes de sócia. Patrícia foi uma das principais banqueiras de investimentos de Brasil, tendo atuado por 22 anos no J.P. Morgan.

A Barn Investimentos, uma gestora especializada em greentech, incluindo o agronegócio, tem Lina Lisbona como sócia. E Laura Constantini fundou a Astella Investimentos, uma das principais casas de investimento early stage no Brasil.

O universo do venture debt também conta com uma gestora fundada por uma mulher. É a Brasil Venture Debt, que tem Gabriela Gonçalves à frente da casa.

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