Maré cheia: Advent capta US$ 25 bilhões e pode investir até US$ 5 bilhões no Brasil

Em menos de seis meses, a Advent International captou US$ 25 bilhões e pode destinar até 20% desses recursos para a América Latina e Brasil. Juan Pablo Zucchini, managing partner da Advent no Brasil, explica os planos

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O mercado de investimentos vive uma fase de mais restrições na atração de recursos, com alguns investidores dizendo que a maré está baixando. Mas mesmo diante desse cenário mais contido, a gestora americana de private equity Advent está anunciando nesta terça-feira, 24 de maio, o maior fundo já captado em sua trajetória de 38 anos.

Batizado de GPE X, o fundo em questão alcançou US$ 25 bilhões, o montante máximo estabelecido para o seu porte, após um período de menos de seis meses de captação. E representa uma cifra 40% maior do que o GPE IX, que levantou US$ 17,5 bilhões em 2019.

Com o anúncio, a Advent chega a mais de US$ 30 bilhões captados em cerca de 12 meses, somando a essa conta os US$ 4 bilhões arrecadados para o Advent Tech II, fundo dedicado a investimentos em tecnologia. A gestora também ultrapassa a marca de mais de US$ 100 bilhões de ativos sob sua gestão.

“A captação do GPE X é um marco e mostra a força da Advent no mundo”, diz Juan Pablo Zucchini, managing partner da Advent no Brasil, ao NeoFeed. “E mostra também a confiança e o suporte dos investidores na nossa operação, dado que muitos deles seguem investindo conosco.”

Apesar de um olhar prioritário para a Europa e a América do Norte, e no crescimento da presença da gestora na Ásia, o GPE X também terá flexibilidade para investimentos em outras geografias. Sob essa ótica, o fundo poderá destinar até 20% do total de seus recursos em outros mercados.

Na prática, o destino desses US$ 5 bilhões do novo fundo é o Brasil e a América Latina, região onde a Advent desembarcou em 1997. A gestora já investiu cerca de US$ 3,9 bilhões em 27 empresas sediadas ou com operações no País. Na América Latina, foram mais de US$ 10 bilhões aportados em 65 companhias.

“Temos, sem dúvida, um cheque grande para investir na América Latina”, diz Zucchini. “E não há uma regra, mas o Brasil costuma concentrar entre 60% e 65% dos recursos destinados à região.”

Entre esses exemplos estão a compra da operação brasileira do Walmart, em 2018 – posteriormente vendida ao Carrefour Brasil. E, mais recentemente, em junho de 2021, o investimento de US$ 430 milhões em troca de uma participação na empresa de pagamentos Ebanx.

“As empresas começam a ter um olhar cada vez mais global e, dessa forma, o coninvestimento com o fundo global faz mais sentido”, diz Zucchini, que cita segmentos como pagamentos, serviços financeiros, saúde, varejo e industrial como alguns dos quais essa tese é mais aplicada.

Ao mesmo tempo, ele destaca que o setor de tecnologia também segue no radar da Advent no Brasil. Entre as empresas que tem esse segmento como base de boa parte das suas operações, a empresa também investiu em nomes como Nubank e Ci&T, duas companhias que, em 2021, abriram capital nos Estados Unidos.

“Muitas das empresas que estamos olhando no Brasil hoje não existiam há 10 anos”, afirma Zucchini. “Além de ser o maior país da América Latina, o Brasil é também aquele com a economia mais dinâmica e que está sempre se transformando.”

Da mesma forma, ele entende que o novo fundo dá mais condições para a Advent seguir com sua tese de cobrir diferentes estágios de investimentos no País e na Região.

Essa abordagem parte dos cheques menores, na faixa de US$ 40 milhões a US$ 60 milhões, caso da startup Merama, em que a gestora participou de duas rodadas, a acordos de maior porte, como o investimento de R$ 1,35 bilhão em troca de uma fatia de 25% na Tigre, em fevereiro deste ano.

“Para os cheques maiores, de US$ 300 milhões, US$ 400 milhões ou US$ 1 bilhão, teremos o apoio do fundo global”, diz Zucchini. “Com isso, vamos abranger todos os principais segmentos do mercado.”

A captação do GPE X foi feita junto a investidores internacionais, sendo que boa parte deles já investia em fundos anteriores da Advent. Esse universo incluiu fundos de pensão públicos e privados, fundos soberanos, endowments e fundações, gestores de fundos institucionais, family offices e pessoas de alta renda.

Em linha com a tese da Advent, o novo fundo concentrará seus aportes em cinco setores principais: serviços financeiros; saúde; industrial; varejo, consumo e lazer; e tecnologia.
Em relação ao formato dos investimentos, o foco estará em ativos frutos de desinvestimentos de grandes companhias, também conhecidos como carve-outs, e a aquisição de empresas de capital aberto.

A Advent já investiu um montante superior a US$ 15 bilhões em mais de 90 carve-outs, em 28 países, além de concluir mais de 25 transações envolvendo companhias de capital aberto.

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