Marketplace+cashback: a nova fórmula do next na disputa dos bancos digitais

Depois de antecipar a meta de alcançar 7 milhões de clientes, o banco digital do Bradesco lança um marketplace de produtos não-financeiros com parceiros como Casas Bahia e Samsung, e cashback de até 10%

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O next tem uma base de 8,3 milhões de clientes

Criado em 2017, nos corredores do Bradesco, o banco digital next foi, pouco a pouco, ganhando vida própria. Primeiro, em 2020, veio a separação da sua infraestrutura tecnológica e operacional. Já em março deste ano, a empresa ganhou um CEO na figura de Renato Ejnisman, veterano de casa no Bradesco.

No decorrer do ano, sua oferta foi sendo encorpada com produtos como seguros e opções de investimentos. Até antecipar, em setembro, a meta de superar 7 milhões de clientes, prevista inicialmente para o fim de 2021.

Agora, uma nova peça está sendo adicionada a essa trajetória e a esse portfólio. Nesta quarta-feira, 3 de novembro, o next está lançando oficialmente o seu marketplace próprio. Batizada de nextShop, a plataforma marca um passo além na estratégia do banco digital, com o reforço na oferta de produtos e serviços não-financeiros.

“Estamos crescendo em um ritmo forte e não tenho dúvida que o marketplace vai nos ajudar a atrair uma série de novos clientes”, afirmou Ejnisman, em apresentação que marcou o lançamento do nextShop. “Bem como ampliar ainda mais o uso e a frequência dos nossos clientes atuais.”

O executivo não revelou uma meta para o crescimento da base de clientes do banco digital. Mas ressaltou que o plano é dar sequência ao ritmo bastante intenso observado nos últimos meses.

Em outubro, por exemplo, o next alcançou um volume de 8,3 milhões de clientes, alta de 149% sobre igual período, há um ano. Já no acumulado de janeiro a outubro de 2021, o volume transacionado, por sua vez, cresceu 142% e a receita, 147%.

Para ajudar a ampliar esses indicadores, o nextShop chega ao mercado com mais de 13 mil ofertas e vai focar, inicialmente, nas seguintes categorias: telefonia, eletroeletrônicos, eletrodomésticos, eletroportáteis, acessórios, informática e games.

Já de olho na Black Friday, programada para 26 de novembro, a relação de empresas embarcadas na nova plataforma nesse primeiro momento inclui os seguintes parceiros: Casas Bahia, Ponto, Extra, Samsung, Multilaser, Arno, Britânia, Philips, Philco e Webfones.

Uma das apostas para escalar o marketplace é a oferta de cashback. Cada um dos parceiros terá um percentual fixo de “retorno” aos clientes, válido para todos os seus produtos com ofertas disponíveis na plataforma.

“Vamos trabalhar com um cashback que irá variar entre 7,5% e 10%, sendo a grande maioria nessa faixa superior”, disse Ricardo Urada, chief business development officer do next. “Em segundos, o cliente conseguirá ver o valor a que tem direito e esse montante vai estar disponível na sua conta.”

Todas as compras efetuadas no marketplace poderão ser feitas em até 12 vezes sem juros e os valores relativos ao cashback não precisarão ser gastos, necessariamente, no ecossistema do next.

O lançamento chega em um contexto no qual o next está reforçando o uso de ferramentas analíticas e de dados. “Queremos conhecer melhor esse cliente para oferecer mais produtos”, afirmou Urada. Ao longo de 2022, o plano é reforçar o mix do marketplace com categorias como moda, saúde, beleza, mídia e casa e decoração.

Ao mesmo tempo, já nessa largada, o banco digital está ampliando o volume disponível para a concessão de crédito em seu ecossistema. “Já tínhamos feito esse movimento no início do segundo semestre, aumentando nossa capacidade de dar crédito em 125%”, observou Ejnisman. “Agora, com o nextShop, estamos dobrando essa capacidade.”

Renato Ejnisman, CEO do next

O lançamento do marketplace sinaliza mais uma estratégia do next para rivalizar com concorrentes que já ganharam escala há mais tempo no plano dos bancos digitais. É o caso do Banco Inter, que já investe em uma plataforma própria há dois anos e hoje tem uma base de 14 milhões de clientes.

Nesse contexto, Ejnisman também falou sobre a possibilidade de o next atrair um sócio estratégico ou mesmo abrir capital, alternativas que já foram aventadas, em mais de uma oportunidade pelo próprio Bradesco.

“Hoje, nas conversas que temos com o Bradesco, não vemos interesse de iniciar um processo nessas direções”, disse Ejnisman. “Mas acredito que, à medida que a gente cresça, esse momento vai chegar. Talvez, em um prazo de 12 meses ou mais.”

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