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O novo CEO do Next explica como pretende “atacar” na guerra dos bancos digitais

Em entrevista ao NeoFeed, Renato Ejnisman, nomeado nesta semana como CEO do banco digital nascido nos corredores do Bradesco, fala sobre como planeja escalar a base de clientes, aquisições, concorrência e outras estratégias da operação

 

Renato Ejnisman, CEO do Next

Aos 51 anos, Renato Ejnisman é um veterano dentro do Bradesco. Há 14 anos no banco, o executivo já teve passagens por negócios como o banco de atacado, a corretora Ágora e, nos últimos anos, liderava as operações da Bradesco Asset Management, BAC Florida Bank, Câmbio, Private e Corporate One.

Desde o início desta semana, no entanto, ele tem um novo endereço, ainda ligado ao banco, mas, ao mesmo tempo, com fôlego para ganhar vida própria. Na segunda-feira, Ejnisman foi nomeado como CEO do Next, banco digital criado pelo Bradesco em 2017, como uma resposta ao avanço das fintechs nesse terreno.

O executivo é o primeiro CEO do Next que, desde o ano passado, já opera separadamente do Bradesco. Com a sua chegada, a expectativa é de que o banco digital ganhe ainda mais independência e possa acelerar a sua jornada.

“Estou agora em uma empresa relacionada ao futuro do mercado financeiro e com a perspectiva de alto crescimento”, diz Ejnisman, em entrevista ao NeoFeed. “Da minha parte, o que não falta é energia, curiosidade intelectual e confiança nesse negócio.”

Além dessa disposição e de ser um velho conhecido da “casa”, o executivo traz outras credenciais. Antes do Bradesco, ele teve passagens por cargos de liderança em grandes nomes do setor, como Bank of America e BankBoston.

O desafio à frente, porém, não será fácil. Ejnisman terá que comandar a escalada do Next, que hoje conta com 4 milhões de contas ativas, em um mercado no qual nomes como Nubank e Banco Inter, já marcaram fortemente suas posições, atraindo, respectivamente, 34 milhões e mais de 10 milhões de usuários. Em entrevista ao NeoFeed, o executivo fala sobre esses e outros temas. Acompanhe:

Quais pontos pesaram na sua decisão de aceitar esse convite?
Do ponto de vista de alguém que está no setor há muito tempo, que já esteve à frente do banco de investimentos, passou por muitas áreas do banco de atacado e esteve envolvido com a Ágora, é um desafio muito interessante. Estou agora em uma empresa relacionada ao futuro do mercado financeiro e com a perspectiva de alto crescimento. Da minha parte, o que não falta é energia, curiosidade intelectual e confiança nesse negócio.

Quais serão os seus primeiros focos como CEO do Next?
Temos o desafio grande de concluir esse desacoplamento do Bradesco e, a partir disso, há uma série de frentes de crescimento, algumas bem mais complexas, como explorar como atuamos em outros serviços não financeiros e aprimorar diversas jornadas dos nossos clientes. Mas já temos muitas iniciativas em pleno andamento.

O Next ainda é muito associado ao Bradesco. Como planeja se desvencilhar desses laços?
O ponto mais relevante já aconteceu, com a chegada de um CEO e a criação de um novo CNPJ. Nosso objetivo de desacoplar do Bradesco não é tanto perder essa imagem, porque existem vários benefícios de estar atrelado ao banco, como segurança, conhecimento do mercado, confiança. A gente separou muito mais para ganhar agilidade, capacidade de tomada de decisão e menor time to market. Agora, são questões muito mais operacionais.

Quais questões?
No fundo, o foco será pensar o que é melhor para o cliente. Se o melhor for um produto do Bradesco, ótimo. Se o melhor é o produto de um terceiro, vamos oferecer também, sem ter nenhuma pressão do banco.

Outros bancos digitais já têm uma imagem disruptiva consolidada no mercado, o que ainda não é o caso do Next. Como você pretende trabalhar essa questão?
Acho que, de fato, alguns concorrentes conseguiram emplacar talvez uma imagem, mas quando eu vejo nossos clientes, estão muito satisfeitos, temos um NPS muito alto. Inovação por si só não serve para muita coisa, mas sim, se de fato gerar algo que melhore a vida do cliente. E esse é o nosso objetivo. Fazendo isso e entregando, essa imagem vem. E, para os nossos clientes, temos entregado isso.

O Next tem hoje 4 milhões de contas ativas e projeta chegar a 7 milhões no fim do ano. Concorrentes como Nubank e Inter já estão na casa de dezenas de milhões. Ainda dá tempo de virar esse jogo?
Não acho que é questão de virar o jogo. Você tem diferentes concorrentes com diferentes bases de clientes. A rentabilidade de um cliente correntista é muito maior do que a de um cliente que só tem cartão de crédito, por exemplo. O Next começou em 2017. Fomos um dos primeiros a entrar nesse jogo de plataformas digitais. Em termos de clientes correntistas, a gente está muito bem e tem expectativa de crescer bastante, quase dobrar a base em 2021.

Como vocês planejam concretizar essa projeção de quase dobrar a base de clientes?
Temos muitas frentes, como a jornada de proteção, ligada a seguros, a pessoa pode, por exemplo, comprar um imóvel, ter um seguro residencial. Também temos um marketplace que dá descontos, promoções e acesso a serviços exclusivos, que chamamos de Mimos. Ampliar a oferta dessa plataforma é algo que estamos olhando com bastante seriedade. Enfim, há muitas parcerias que podemos ampliar.

Que tipo de parcerias?
Hoje, há uma convergência de diversos setores da economia, como entre os varejistas e os bancos. Desde o varejista que está querendo entrar em meios de pagamento até o que está querendo abrir um banco. E essa tendência não está acontecendo apenas nesses setores. A gente tem, por exemplo, a conta Next Joy com a Disney, com uma conta para adolescentes e crianças, onde o pai pode monitorar e que está atrelada a educação financeira, com texto de gamificação, produzido em conjunto com a Disney. Então, essa convergência vai acontecer cada vez mais e a gente já está inserido nela.

No segmento de plataforma de investimentos, a ideia é manter a Ágora ou buscar uma solução própria?
A ideia é manter a Ágora, mas vamos olhar o que faz mais sentido para os nossos clientes. Existem aqueles que, de fato, podem usar tudo o que a Ágora tem a oferecer, porque têm conhecimento e também um patrimônio que permite fazer uso de todas as funcionalidades. E tem os que talvez precisem de uma experiência mais simplificada para ter acesso. São jornadas que vamos aprimorar.

A estratégia passa por aquisições? Se sim, qual o perfil de ativos no radar?
Sim, passa por aquisições. É difícil falar o tipo de ativo porque temos muitas iniciativas em curso e, dentro delas, algumas fintechs podem facilitar um elo dentro de uma determinada cadeia de valor. Em alguns casos, talvez tenha um player com atuação mais completa, em toda a cadeia de valor, e mesmo algumas empresas menores que talvez tenham produtos menos eficientes, mas uma equipe muito boa. Mas, certamente, essa é uma frente que a gente vai olhar com cuidado e com atenção.

Quanto à possibilidade já levantada de trazer, no médio prazo, um sócio estratégico, qual seria o perfil desse acionista?
Não existe um dogma, nem contra nem a favor, de IPO ou de uma parceria, seja estratégica ou financeira. É natural todo mundo falar de IPO, pois eu venho com uma formação de investimentos. Então, muita gente está entendendo esse movimento como se eu estivesse vindo para abrir capital. Isso ajuda, mas não foi o racional da decisão. A expectativa é fazer o banco ter escala e com uma visão de rentabilidade no médio prazo. A partir daí, as alternativas vão se abrir naturalmente e o Bradesco tem hoje cabeça aberta e flexibilidade para escolher a que fizer mais sentido. Desde um IPO até eventuais parcerias e combinações de negócios.

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