O "next step" do Next deve ser um IPO

A fintech do Bradesco já contabiliza 4 milhões de contas ativas e realizou 734 milhões de transações em 2020, informou Octavio de Lazari Junior, presidente do banco

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Octavio de Lazari Junior, presidente do Bradesco

No fim de 2017, o Next chegou ao mercado como um braço do Bradesco para se posicionar diante da ameaça representada pelas fintechs. Em 2020, essa proposta ganhou novo fôlego com a decisão de segregar a infraestrutura de tecnologia e operação do banco digital, para colocá-lo no mesmo passo e velocidade que outras startups financeiras.

Nesse desenho, o Bradesco já considera outras possibilidades no caminho do Next. “Eu não diria que em 2022, mas, em dois anos para frente, a abertura de capital é um caminho natural para o Next”, afirmou Octavio de Lazari Junior, presidente do Bradesco, em teleconferência nesta quinta-feira. “Muito mais do que uma hipótese, um IPO é uma alternativa para um negócio que vem crescendo muito bem e já opera totalmente apartado do Bradesco.”

Um IPO, no entanto, não é a única opção considerada pelo banco. “Também não temos nenhum problema em ter um sócio estratégico”, disse Lazari. “Desde que ele que traga competências, valor e novas alternativas. E isso vale para outros negócios, como a Bitz e a Ágora, mais para frente.”

Alguns números traduzem a evolução da oferta do Next. O banco digital saiu de uma base de 1,8 milhão de contas ativas, em 2019, para 3,7 milhões de contas ativas, no fim de 2020. Dessa base, 77% dos clientes não são correntistas do Bradesco, o que mostra o alcance da operação.

“Em janeiro, já batemos 4 milhões de contas ativas”, observou Lazari. “E, em 2021, certamente iremos além de 7 milhões”, completou. No ano passado, o Next movimentou 734 milhões de transações, contra 375 milhões processadas em 2019.

No saldo do ano, Lazari também destacou a migração de toda a infraestrutura do Next para a nuvem, “a primeira grande experiência do Bradesco nessa direção”, além das parcerias costuradas pelo banco digital.

Entre elas, o acordo com a Disney, em agosto, para a oferta de uma conta gratuita voltada a crianças e adolescentes. “Essa e outras parcerias que fizemos, como a Avon, conferiram qualidade e grife ao negócio.”

Os outros negócios citados pelo executivo, ainda menos maduros, também mostraram evolução no ano passado. A Ágora saltou de uma base de 347 mil clientes, no fim de 2019, para 547 mil, em 2020. E de R$ 46,9 bilhões sob custódia para R$ 62,4 bilhões na mesma base de comparação.

Já a carteira digital Bitz, lançada em setembro, fechou o ano com 332,2 mil donwloads e 217,7 mil contas acumuladas.

Ajuste na estrutura segue na agenda

Enquanto vislumbra os próximos passos do Next e de outros negócios adjacentes, o Bradesco planeja seguir com sua agenda de redução de custos e de adequação de sua estrutura, um dos componentes que ganharam velocidade na estratégia do banco em 2020, especialmente a partir do segundo semestre.

Como saldo desse plano, o Bradesco encerrou as operações de 1.083 agências no ano passado, sendo 400 delas apenas no quarto trimestre. No período, outras 700 foram convertidas em unidades de negócios ou agências satélites, sem back office e voltadas exclusivamente ao fechamento de negócios.

Na esteira dessas iniciativas, houve uma redução de 7,7 mil profissionais, ou 8% do quadro total do banco, que hoje conta com 89,5 mil funcionários. “Concentramos um grande esforço nessa frente em 2020”, disse Lazari. “Todavia, esse trabalho não está finalizado.”

Para 2021, ele projeta entre 100 e 150 fechamentos de agências. A estratégia de conversão em unidades de negócios, por sua vez, parte de um número inicial de 300 agências. “Nesse ponto, em 2020, nos concentramos em corredores como São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Minas Gerais e a região Sul”, disse. “Agora, estamos olhando as sobreposições de agências no Centro-Oeste, Nordeste e Norte.”

Embora não tenha revelado detalhes, Lazari acrescentou que uma das prioridades no ano é um programa batizado como 100% Cliente, que será trabalhado em todas as esferas do banco, “dos escriturários ao Conselho”. “Queremos colocar o cliente no centro das nossas decisões”, afirmou.

A estratégia também envolveu a criação da posição de Chief Customer Officer. O próximo passo terá início em 18 de fevereiro, com workshops com os mais de 10 mil gerentes gerais do banco. Segundo Lazari, os esforços nessa direção estarão atrelados a políticas de remuneração variável.

Resultado

Em 2020, o Bradesco apurou um lucro líquido recorrente de R$ 19,4 bilhões, queda de 24,8% na comparação com 2019, mas 29,9%. Entretanto, no quarto trimestre, o banco reportou alta de 2,3% no indicador, para R$ 6,8 bilhões, acima das expectativas do mercado.

Em 2020, a carteira de crédito expandida do banco cresceu 10,3%, para R$ 687 bilhões, com destaque para a expansão de 12% no segmento de pessoas físicas. Já em pessoas jurídicas, o Bradesco destacou o avanço anual de 19% entre as pequenas e médias empresas.

O Bradesco também divulgou seu guidance para 2021. No ano, o banco projeta um crescimento para a carteira de crédito entre 9% e 13%, e das receitas de prestação de serviços de 1% a 5%. Já para as despesas operacionais, a previsão é de uma queda entre 1% e 5%.

As ações do Bradesco operavam com alta de 3,13% por volta das 10h40 na B3. Em 2020, os papéis do banco, avaliado em R$ 209 bilhões, acumularam um recuo superior a 13%.

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