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MasterClass levanta US$ 100 milhões e dá uma aula de empreendedorismo

Nova rodada de investimento vai permitir que a plataforma tenha produção semanal e contrate mais instrutores “celebridades” – a ginasta Simone Biles, o Nobel de economia Paul Krugman, o cineasta Martin Scorsese e muitas outras estrelas já estão a bordo. O cofundador da empresa falou ao NeoFeed

 

Nos primeiros quatro meses de operação, plataforma reuniu mais de 30 mil alunos pagantes

Aprender interpretação com Natalie Portman, a atriz vencedora do Oscar, ou ter uma aula sobre estratégia e liderança com Bob Iger, o chairman da Disney, pode até não ter preço, mas a plataforma que reúne a mentoria desses dois ícones tem: mais de US$ 800 milhões. 

Foi com essa avaliação que a MasterClass, uma empresa de educação online, obteve ao captar US$ 100 milhões na última rodada série E de investimento. 

O aporte foi liderado pela Fidelity Management & Research Company e contou com a participação da Owl Ventures e 01 Advisors. Os atuais investidores, NEA, IVP, Atomico e NextEquity Partners, seguiram a captação. Desde a sua fundação, MasterClass levantou um total de US$ 236,4 milhões em investimentos.

Fundada em 2015 pelo programador Aaron Rasmussen e pelo cientista político David Rogier, a empresa nasceu para democratizar o acesso à educação. A ideia foi criar uma plataforma que misturasse a qualidade técnica das séries da HBO com as apresentações rápidas do TED Talks.

Além disso, o objetivo era reunir nomes reconhecidos mundialmente em suas áreas de atuação para transmitir seus conhecimentos. Depois de alguns contatos e de muita persistência, a MasterClass nasceu com o curso do escritor James Patterson, autor de “Na teia da Aranha”e outros títulos premiados.

“Cada aula é um desafio, mas as do Patterson foram as mais difíceis. Por se tratar das primeiras filmagens, tínhamos que desenvolver o modelo e o formato”, diz ao NeoFeed, Aaron Rasmussen, o cofundador da MasterClass, que agora está se dedicando ao Outlier.org, sua nova aposta na área educacional (leia a entrevista completa).

Todo conteúdo é desenvolvido e filmado como um projeto cinematográfico. E os cursos são divididos em capítulos/aulas que podem variar de 20 a 30 minutos cada, sendo que uma apostila acompanha todos eles. 

Os episódios estão cheios de cenas em close-up, mostrando detalhes de mãos, bocas e olhos, tudo que aproxime o aluno de seu instrutor, prezando ainda pela estética do vídeo. 

É assim que a tenista Serena Williams, vencedora de 23 torneios de Grand Slam, ensina sobre tênis; e Margaret Atwood, autora de “O Conto de Aia”, fala sobre escrita criativa. O economista vencedor do prêmio Nobel Paul Krugman discorre sobre economia e política. 

Apesar de contar com diversos nomes estrelados do mundo dos negócios e das artes, a aula mais acessada pertence ao curso ministrado por Chris Voss, empresário que trabalhou como negociador de sequestros do FBI. A aula “Tática de Empatia” foi a mais vista da história da empresa. 

“O que mais me traz orgulho no MasterClass é justamente o fato de qualquer pessoa conseguir consumir um conhecimento que não estaria disponível em nenhum outro lugar”, diz Rasmussen.

Ao todo são 85 profissionais estrelados, que lideram 85 cursos divididos nove categorias: negócios; política e sociedade; música e entretenimento; escrita; design; fotografia e moda; arte culinária; cinema e televisão; e esportes e games. 

Os alunos podem comprar um curso avulso por uma taxa única de US$ 90 ou desembolsar US$ 180 ao ano para ter acesso a todo conteúdo da plataforma. Em 2018, 80% dos inscritos optavam pela opção de assinatura. Hoje, 100% da receita da empresa vem desse modelo.

Com o novo aporte de US$ 100 milhões, a ideia da MasterClass é ser capaz de produzir uma nova aula por semana.  Além disso, o dinheiro financiará a expansão das atividades e equipe da MasterClass, bem como a inovação de produtos.

De acordo com uma reportagem do site TechCrunch, a empresa está testando uma versão de curso sem imagem, apenas com áudio, e trabalhando com realidade aumentada. 

Disponível em todas as plataformas, para usuários de qualquer lugar do mundo, a MasterClass atraiu 30 mil pagantes quatro meses após seu lançamento em 2015. O número de assinantes atual é guardado a sete chaves.

Além dos professores-celebridades, outra estratégia explorada com sucesso pela plataforma é a formação de comunidades virtuais. Ao se tornar um membro da MasterClass, o usuário passa a participar de um chat onde discute tópicos com outros alunos e, às vezes, até com o “professor”.

Embora os mentores não tenham nenhum tipo de responsabilidade contratual de conversar com os alunos nessas salas de aulas online, sabe-se que muitos bons frutos saíram dali.

A tenista Serena Williams chegou a convidar uma de suas estudantes para uma partida de tênis, enquanto o produtor de música eletrônica DeadMau5 gravou uma faixa com a participação de um usuário do MasterClass. 

Essa programação estrelada da empresa é ainda um trunfo por outros ângulos. Além de atrair interessados do mundo inteiro, o MasterClass garante que suas aulas jamais sejam datadas.

Diferentemente do acervo da Netflix, cuja relevância do conteúdo original tende a cair conforme o passar do tempo, os cursos do MasterClass têm seu valor intacto. Uma aula sobre design de moda com o estilista Marc Jacobs vai continuar sendo valiosa daqui a uma década, mesmo que a tecnologia e os hábitos de consumo mudem drasticamente. 

E, por falar nessas mudanças, a crise do coronavírus tem impulsionado o interesse por aulas online. E o MasterClass surfa nessa onda, embora não revele o crescimento deste período atípico.

Rasmussen, contudo, contou ao NeoFeed que “a pandemia fez com que muita gente pensasse sobre a educação à distância de uma maneira inédita e o estigma das aulas online estão caindo à medida que uma massa migra para os cursos virtuais”. 

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