Na "Matrix" em que estamos vivendo, os IPOs de tech ganham cada vez mais força

Para entender a onda tech na bolsa e o impacto em todo o ecossistema, acompanhe a reflexão de dois tech founders e veja um infográfico exclusivo. E mais: o que deve acontecer com o setor de festas e eventos quando tudo passar

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Arthurito “Neo” da Faria Lima desvendando os segredos do ecossistema tech

Estamos chegando ao fim do mês de março com a sensação de que ainda estamos presos na Matrix de 2020. Quem não está lock, está down, ou está lock e down. Para complicar ainda mais, as perspectivas no campo político-econômico estão cada vez mais desafiadoras, a bolsa voltou a negociar 10 mil pontos abaixo do patamar de janeiro e as festas, eventos e qualquer tipo de interação social ainda parecem sonhos distantes.

Bom, velhotes, e como fica a onda tech na bolsa? Continuaremos a ver startups abrindo capital e “porrando” quase 100% de valorização em um dia? E aquelas discussões sobre os valuations das ofertas? Vão rolar festinhas ainda em 2021 ou teremos que aguentar as lives?

O momento traz mais perguntas do que minha antiga namorada quando eu chegava de uma Happy Hour. Para me ajudar com essa coluna eu conversei com dois amigos que têm muito a contribuir sobre esses temas: Bruno Nardon, founder da Norte Ventures e co-founder da Rappi no Brasil; e Gabriel Benarrós, founder e CEO da Ingresse e venture partner da Norte.

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O infográfico da Norte Ventues mostra como as empresas de tecnologia invadiram a bolsa (e a Faria Lima) a partir do ano passado e a performance positiva das ações (a valorização da Locaweb talvez tenha sido um dos principais cartões de visita do setor) é um dos pontos que impulsionam novas ofertas de empresas tech.

“Tínhamos poucos ativos de tecnologia na B3, o que criava um gap enorme tanto para investidores institucionais que queriam alocar parte do seu portfólio para tech no Brasil, quanto para investidores de varejo que queriam exposição a estes ativos” comenta Nardon. Isso, além do potencial de crescimento acelerado dessas empresas, ajuda a explicar a aglomeração que vimos nos books de algumas ofertas apesar da “chiadeira” sobre os valuations esticados.

Outro ponto importante é o efeito benéfico que esses IPOs trazem para todo ecossistema de tecnologia. Os fundos de venture capital e empreendedores começam a ver a abertura de capital na B3 como um caminho viável de saída/liquidez, o que acaba fazendo investidores aportarem mais dinheiro em startups pela alta possibilidade de retorno.

Isso incentiva também mais pessoas a seguirem o caminho do empreendedorismo ou a toparem o risco de entrar cedo em uma startup como colaborador. Sem dúvida, surgem mais empresas tech, que tendem a virar unicórnios cada vez mais rápido, consequentemente aumentando o número de IPOs… O ciclo virtuoso é impressionante.

Considerando que o call aqui é positivo e que a tecnologia é transversal e permeia todos os setores, onde devemos ficar mais atentos? Nardon acredita em setores diretamente beneficiados pela mudança de hábitos advinda da pandemia, como e-commerce em geral e healthtech. Eu agregaria fintechs também nessa lista. Já sobre os próximos unicórnios, alguns candidatos para puxar essa fila são: Buser, Conta Azul e Olist.

E as festas?

Já se foi mais um fim de semana de Netflix e ainda não temos visibilidade sobre a data de retorno dos eventos, mas o que é possível garantir é que esse retorno vai acontecer de forma intensa

“Diferente de outros setores que foram “transformados” pela pandemia e que, dificilmente, retornarão ao que eram antes (como por exemplo, turismo de negócios), a demanda por entretenimento ao vivo nunca foi tão intensa”, diz Gabriel.

“Estamos passando pela maior “crise de abstinência” por experiências ao vivo na história. De um lado, millennials valorizam experiências mais do que posse de bens materiais, de outro, artistas e produtores de conteúdo precisam de performances ao vivo para atingir níveis mais altos de faturamento.”

Já falei o quanto eu tenho preguiça de lives e como sinto falta de eventos presenciais ou mesmo de ver a minha carteira da Ingresse com tickets para as próximas semanas, mas uma tendência é a estruturação de eventos híbridos, com os produtores pensando em streaming como forma de expansão de faturamento e expansão de patrocínios.

Neste artigo (ver seção “O Modelo Híbrido”), Gabriel mostra matematicamente como este modelo é muito mais rentável, por exemplo, que os shows que acontecem somente offline. Fica a ideia de programação com Camarote Salvador no Carnaval e live do Bruno e Marrone na quarta-feira de cinzas para curtir a ressaca.

Arthurito da Faria Lima tem mais de uma década de experiência no mercado financeiro e lançou seu perfil no Instagram, em agosto de 2020, para comentar os bastidores do Condado da Faria Lima – de preferência apreciando um bom Negroni. Nos fins de semana, costuma desembarcar com a sua “tropa” na Baleia, em Campos ou na Península.

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