Na SumUp, um cheque de € 590 milhões e um choque de realidade no “valuation”

A companhia com sede em Londres fez uma nova rodada de captação e, diante do mercado mais restrito, foi avaliada em € 8 bilhões, menos da metade do valor que esperava alcançar

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SumUp agora está avaliada em 8 bilhões de euros

A era das startups supervalorizadas parece mesmo estar chegando ao fim. Agora, foi a vez da SumUp dar mais uma prova desse “novo normal”, ao fechar uma nova captação de recursos. Na rodada, a fintech buscava um valuation de mais de € 20 bilhões, segundo a agência Bloomberg, mas foi avaliada em € 8 bilhões.

Nesta quinta-feira, a companhia com sede em Londres levantou € 590 milhões (o equivalente a US$ 623 milhões). O valor foi dividido em uma operação de dívida e outra de venda de equity, que somou € 400 milhões. Entre os investidores estão Bain Capital, BlackRock, btov Partners, Centerbridge, Crestline e Fin Capital.

A companhia não revelou o percentual da operação negociado na rodada. Segundo Marc-Alexander Christ, CEO da SumUp, o processo foi realizado porque mostraria para os investidores que, mesmo durante um momento delicado, a empresa ainda foi capaz de levantar capital, de acordo com o Financial Times.

Ao jornal britânico, Christ afirmou que a empresa “não necessariamente precisava do dinheiro, já que está próxima do break even”. Entretanto, ele ressaltou que o capital extra pode ser útil caso a fintech enfrente um eventual momento mais delicado no futuro. O dinheiro também poderia ser usado para financiar novas aquisições

O CEO da SumUp também ressaltou que está “mais contente” com a avaliação de mercado mais tímida. “Definitivamente, torna a vida mais fácil. Posso confortavelmente dizer que € 8 bilhões é uma avaliação verdadeira e justa porque este é o preço que as pessoas colocam na empresa no pior momento do mercado”, disse.

Já sobre a possível avaliação acima de € 20 bilhões, Christ disse que o mercado estava superaquecido e que havia “todo o tipo de rumor”. “Alguém olhou para os números e imaginou até onde eles iriam”, afirmou.

Ainda que nessa rodada mais recente a fintech tenha captado um valor maior do que o esperado – mesmo que parte do dinheiro tenha chegado por dívida –, a SumUp ficou bem distante da avaliação de mercado que pretendia. E isso não é exatamente culpa da empresa fundada em 2012 e que opera em 35 mercados, inclusive no Brasil.

Marc-Alexander Christ, CEO da SumUp

Vale citar como exemplo a Klarna. A fintech sueca, que opera com um modelo de buy now, pay later e que já foi considerada a startup mais valiosa da Europa, está buscando uma nova rodada de investimentos. Quando concluir essa operação, o resultado pode ser um valuation de menos da metade de US$ 45,6 bilhões, que a empresa já chegou a alcançar.

Recentemente, a companhia demitiu 10% de sua equipe. Os cortes foram atribuídos a “um ano tumultuado”, segundo o CEO Sebastian Siemiatkowski. O executivo atribuiu as demissões a fatores como a guerra na Ucrânia, a mudança na confiança do consumidor, a pressão inflacionária, o mercado de ações volátil e “uma provável recessão”.

Por falar em demissões, a SumUp promoveu cortes em sua operação brasileira. De acordo com o site Layoffs Brasil, 92 funcionários da companhia no País foram desligados em maio deste ano, seguindo uma onda de demissões de funcionários de startups.

Os cortes aconteceram meses após a companhia dar indícios de que iria impulsionar sua operação no mercado brasileiro ao “ressuscitar” a guerra das maquininhas num esforço para bater de frente com empresas como Cielo, Rede, GetNet, PagSeguro e Stone.

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