Na Totvs, a área de gestão não está fora de moda

Em sua 1ª aquisição em 2022, a Totvs reforçou o carro-chefe da sua operação com a compra da Gesplan. O CEO Dennis Herszkowicz explica o racional do M&A

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No ano, as ações da Totvs acumulam alta de 30,9%

A Totvs não tem economizado para turbinar as áreas de produtividade e de ofertas financeiras em seu portfólio. Como exemplo desse foco, essas duas apostas mais recentes da empresa estiveram no centro das compras da RD Station, em 2021, por R$ 1,8 bilhão, e da Supplier, em 2019, por R$ 455 milhões.

Entretanto, isso não significa que a companhia está deixando seu carro-chefe – os softwares de gestão – de fora dessa nova jornada de M&As. É o que ficou claro nesta segunda-feira, 4 de abril, com a compra da Gesplan, companhia brasileira especializada em sistemas de planejamento financeiro e gestão de tesouraria.

Primeira aquisição anunciada pela Totvs em 2022, isso sem contar os acordos feitos pela Dimensa, joint venture da empresa com a B3, a transação envolvendo a Gesplan traz um cheque mais modesto, de R$ 40 milhões. O que não reduz sua relevância dentro da estratégia da operação.

“A Gesplan tem uma profundidade e uma sofisticação de gestão financeira em empresas maiores que, organicamente, demoraríamos 3, 4, 5 anos pra alcançar e colocar no ar”, diz Dennis Herszkowicz, CEO da Totvs, ao NeoFeed. “E eles já têm uma carteira bastante relevante nesse segmento.”

Fundada no ano 2000 por José Sergio Gesser, que permanecerá na operação, a Gesplan desenvolve sistemas no modelo de software como serviço com módulos que controlam e automatizam processos como fluxo de caixa, execução de orçamento, as aplicações de e toda a vida financeira de uma empresa.

Com esse portfólio, a companhia tem mais de 70 funcionários e uma carteira com cerca de 190 clientes, no Brasil e em mercados como a América Latina e a Europa. Em 2021, a empresa reportou um faturamento de R$ 16 milhões e processou mais de R$ 400 bilhões em operações financeiras por mês.

“Só o fato deles atenderem algumas centenas de clientes bilionários já justificaria a aquisição”, afirma o CEO da Totvs. “Mas temos espaço pra que esses produtos sejam simplificados e possam ter aderência para um volume brutalmente maior. A ideia não é ficar só no topo da pirâmide.”

É justamente no espaço das pequenas e médias empresas, um público pelo qual a Totvs ficou mais conhecida, que o executivo enxerga ainda muitas oportunidades de crescimento para os softwares de gestão, ainda, de longe, o ganha-pão da Totvs.

“O gasto de uma PME brasileira com software de gestão fica entre um terço e metade do que uma empresa americana gasta”, diz. “Esse cenário e o ritmo que a Totvs vem crescendo há três anos nesse espaço são uma prova cabal de que o mercado de ERP ainda está bem longe da maturidade.”

Alguns números da Totvs reforçam essa tese. Em 2021, a área de gestão apurou uma receita de R$ 2,81 bilhões, o que representou um crescimento de 14,3% em relação a 2020. O segmento responde por mais de 87% da receita total da empresa, que cresceu 25,2% no ano, para R$ 3,2 bilhões.

Ao mesmo tempo, Herszkowicz ressalta que os benefícios da compra da Gesplan não se esgotam nessa esfera. “Essa é uma aquisição de gestão, com racional de gestão, mas com repercussões secundárias bastante importantes em techfin”, diz, sobre a área cuja receita foi de R$ 281,5 milhões em 2021.

Dennis Herszkowicz, CEO da Totvs

Em uma primeira frente, ele destaca que a Gesplan irá aprimorar, em particular, a geração de insights a partir de um retrato financeiro mais completo e aprofundado das empresas. O que abre a porta para mostrar, por exemplo, que uma determinada companhia vai precisar tomar recursos no mercado.

“Esses sistemas capturam e organizam esses dados de tal maneira que nossa assertividade na oferta de produtos financeiros e na própria precificação vai ficar muito mais acurada”, explica. “Isso, seguramente, vai ter um grande impacto no nosso ecossistema.”

O CEO da Totvs reforça que as aquisições seguem forte no radar da empresa, conhecida por seu DNA em M&As. Nessa estratégia, ele não descarta que os acordos de grande porte também sejam feitos no espaço de gestão, assim como tem acontecido em produtividade e techfin.

“Um exemplo real é a disputa que fizemos pela Linx”, observa Herszkowicz, em uma referência ao longo embate travado em 2020 pela compra da Linx com a Stone, que venceu esse páreo com uma proposta de R$ 6,7 bilhões.

Enquanto planeja novas aquisições, o mercado, ao que tudo indica, está comprando essa estratégia e as movimentações da Totvs. As ações da empresa, avaliada em R$ 22,8 bilhões, fecharam o pregão de hoje na B3 cotadas a R$ 37,50, alta de 1,93%. No ano, os papéis acumulam alta de 30,9%.

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