Negócios

Não é só no Brasil: investidores de Wall Street ampliam descontos e ficam mais seletivos

Segundo pesquisa da Dealogic, 13% dos IPOs tiveram seus preços abaixo das estimativas iniciais nos EUA neste segundo trimestre  o maior índice desde o início da pandemia

 

Nos últimos meses, não faltaram investidores dispostos a pagar um bom preço para financiar a abertura de capital de uma série de empresas nas bolsas de valores dos Estados Unidos. Mas, a julgar pelos últimos movimentos, os investidores estão mais seletivos na hora de apostar em um IPO.

Alguns indicadores recentes compilados por consultorias especializadas em IPOs dão o tom desse novo panorama. Em janeiro e fevereiro, as ações das empresas que ingressaram na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) ou Nasdaq subiram em média mais de 40% em relação ao preço do IPO no primeiro dia de negociação, segundo dados da Dealogic.

É um excelente desempenho. Mas isso mudou entre março e abril, quando o valor médio de crescimento caiu para perto de 20%. Em maio, caiu ainda mais para 18%. Os dados excluem os IPOs de empresas de “cheque em branco”, os chamados SPACs.

Além disso, os investidores estão buscando descontos nos preços. No primeiro trimestre de 2021, uma em cada quatro empresas que abriram o capital nos Estados Unidos precificou as ações IPO acima da faixa esperada, de acordo com dados do Refinitiv.

Desde o início do segundo trimestre, a proporção de empresas que conseguiram precificar o IPO acima de faixa indicativa de preços caiu 11%, de acordo com o Refinitiv. Pior: 13% estão com preços abaixo das expectativas, a maior parcela desde, pelo menos, o início da pandemia.

No primeiro trimestre, 101 IPOs nos Estados Unidos levantaram um total de US$ 42 bilhões, um recorde na pandemia. Já no acumulado do segundo trimestre, 54 empresas concluíram suas ofertas e captaram um volume total de US$ 18 bilhões.

Esse cenário também encontra paralelos em mercados como o Brasil. Entre as aberturas de capital recentes na B3, não são poucas aquelas que foram consolidadas com descontos e abaixo da faixa indicativa.

Em um dos casos mais recentes, a Dotz, empresa de fidelidade, cuja ação começou a ser negociada nesta segunda-feira, 31. O papel saiu com preço R$ 13,20, no piso da faixa indicativa. Antes, a companhia já havia baixado o intervalo inicialmente pretendido, entre R$ 16,20 e R$ 21,40.  A ação subia mais de 2% em seu primeiro dia de negociação.

Outra a aceitar os novos termos impostos pelo mercado foi a Allied, distribuidora de produtos de tecnologia, que fixou o preço da ação no seu IPO, realizado no início de abril, em R$ 18, depois de reduzir sua faixa indicativa de R$ 20 a R$ 26 para R$ 17 a R$ 19.

A rede de hospitais Mater Dei é mais um exemplo. De um intervalo inicial de R$ 21,80 a R$ 26,20, o grupo abriu capital há pouco mais de um mês com um desconto de 20% e as ações fixadas a R$ 17,44. Atualmente, os papéis da empresa, que levantou R$ 1,4 bilhão na oferta, estão sendo negociados na faixa de R$ 16.

Diante desse panorama mais restrito, algumas empresas estão adiando suas ofertas no mercado de capitais. Entre elas, estão a Viveo, distribuidora de produtos médicos, e a Privalia, outlet digital.

Nessa nova janela que começa a partir de agora, há expectativa da retomada de IPOs. Em especial, de operações de grande porte, como CSN Cimentos, Companhia Brasileira de Alumínio e Intercement. A empresa de energia Raízen e a rede especializada de tratamento de câncer Oncoclínicas também devem acessar a bolsa de valores.

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