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Neiman Marcus “respira” com a ajuda de aparelhos e pode ir à falência

Com dívidas bilionárias, tradicional loja de departamentos de luxo já sofria com queda das vendas. Agora, com o coronavírus e suas lojas fechadas, a situação está perto de se tornar insustentável

 

Em junho do ano passado, grupo divulgou prejuízo de US$ 31,2 milhões

Criada à imagem e semelhança da Macy’s, uma das mais antigas e importantes rede de lojas de departamento dos EUA, a Neiman Marcus foi fundada em 1907, no Texas, e rapidamente se tornou uma das redes mais badaladas do mercado americano.

A empresa foi considerada pioneira na arte de importar o melhor da moda europeia para os Estados Unidos. E até hoje suas vitrines e araras incluem gigantes como Chanel, Saint Laurent, Gucci, entre outras. Além de roupas, as lojas Neiman Marcus também reúnem acessórios, bolsas, sapatos e cosméticos.

Mas assim como boa parte de seus pares, a Neiman Marcus foi perdendo a relevância e ficando para trás no processo de digitalização das vendas. No ano passado, a varejista dava sinais de esgotamento de seu modelo de negócio, tendo que renegociar suas dívidas para evitar um desfecho trágico.

Eis que veio o coronavírus. E o que já estava ruim, ficou pior. Em 17 de março, as suas 42 lojas tiveram que ser fechadas temporariamente para combater a propagação do Covid-19. E, agora, a Neiman Marcus luta para sobreviver e não descarta recorrer a uma possível falência.

Além das lojas da bandeira homônima, a empresa também suspendeu as atividades das marcas Bergdorf Goodman e Last Call, igualmente dedicadas ao comércio de roupas. Como consequência, o grupo Neiman Marcus precisou colocar em licença não remunerada a maioria de seus 14 mil funcionários.

Com quase US$ 4 bilhões em dívidas, segundo reportagem do portal americano CNBC, o impacto desta paralisação forçada nas atividades da empresa freou bruscamente seu fluxo de caixa. Dessa maneira, se tornou inviável o pagamento das parcelas e juros sobre o débito, cujo vencimento estava previsto para 15 de abril.

Os investidores estão preocupados com a capacidade de honrar os compromissos financeiros. A saúde econômica da empresa, no entanto, é questionada desde que a TPG Capital e Warburg Pincus compraram-na em 2005, por US$ 5,1 bilhões, fechando seu capital. Depois, em 2013, a companhia passou ao controle da Ares Management e do Canada Pension Plan por US$ 6 bilhões.

Ainda que tentassem manter a marca viva graças ao prestígio de seu passado, as atividades da companhia cediam proporcionalmente ao avanço do e-commerce. O chamado “efeito Amazon” se agravou ainda mais diante das mudanças de comportamento do consumidor americano.

Uma pesquisa conduzida pela consultoria LendingTree, ainda em 2017, já indicava que jovens não tinham o hábito de gastar muito dinheiro com roupas – sobretudo as de luxo, que são a especialidade da Neiman Marcus.

Por se tratar de uma empresa privada, dados de vendas e receitas não são públicos. Mas, em junho do ano passado, quando cogitou voltar a abrir seu capital, a Neiman Marcus revelou algumas de suas informações financeiras.

No terceiro trimestre de 2019, a receita foi de US$ 1,06 bilhão, contra US$ 1,17 bilhão no mesmo período no ano anterior. O prejuízo, no período, somava US$ 31,2 milhões.

A abertura de capital, no entanto, não foi adiante por conta de sua dívida, o que afugentou o interesse dos investidores. Segundo o advogado James Selth, a falência “é sempre o último recurso de uma empresa que enfrenta dificuldades, mas é uma ferramenta a ser considerada”.

Para a empresa, o ônus de acionar essa ferramenta legal é ter de lidar com a desconfiança de futuros investidores, bem como com regras mais duras com bancos ou outras instituições financeiras que possam ser vitais para o crescimento e reestruturação do negócio.

A Neiman Marcus não acompanha sozinha a derrocada do setor. Uma de suas principais concorrentes, a Macy’s, vive sua baixa histórica em Wall Street, com ações sendo negociadas a US$ 4,81 – uma queda de 67,8% nos últimos seis meses.

A JC Penney, outro player relevante no segmento, também experimenta seu “fundo do poço”, com uma queda de 70,6% nos últimos seis meses. Agora, seus papéis valem US$ 0,27, e seu valor de mercado é de US$ 86,7 milhões.

Muitas das lojas desses grupos, que foram fechadas durante a crise do novo coronavírus, não devem voltar a abrir quando o lockdown for suspenso, levando o segmento a uma crise particular – e sem prazo para acabar.

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