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Nuvini, de Pierre Schurmann, faz quarta aquisição e capta R$ 400 milhões

A Nuvini, holding de internet de Pierre Schurmann, compra a Dataminer, sua quarta aquisição, e levanta R$ 400 milhões para financiar novas aquisições. Meta é adquirir mais de 15 empresas em 2021. Em entrevista ao Café com Investidor, Schurmann explica os próximos passos

 

A Nuvini, holding de internet que está construindo uma plataforma de software as a service (SaaS), comprou a Dataminer, empresa da área de big data, na sua quarta aquisição desde que foi criada em 2020 por Pierre Schurmann, um dos pioneiros da web no Brasil.

A aquisição, revelada com exclusividade pelo NeoFeed, acontece em um momento no qual os investidores estão ávidos por ativos de startups de software as a service, considerada uma das principais tendências do setor de tecnologia.

No começo de março deste ano, a Totvs pagou R$ 1,86 bilhão pela RD Station, líder da área de marketing digital no Brasil, por uma fatia de 92% da startup fundada por Eric Santos, que foi avaliada em R$ 2 bilhões, quase 10 vezes a sua receita projetada para 2021.

“Até 2025, queremos adquirir entre 80 e 90 empresas de três segmentos: marketing, ferramentas de finanças e produtividade”, disse Schurmann, ao Café com Investidor, programa do NeoFeed que entrevista os principais gestores de venture capital e private equity do Brasil.

Com a Dataminer, a Nuvini ganha um ativo que atua na área de big data e analytics e que já conta com mais de 400 clientes. Entre eles, companhias do porte de Edenred (dona da Ticket), Dell, Totvs, Comgas, Itaú e CPFL

A companhia desenvolveu uma ferramenta chamada Datahub, que funciona como um hub de dados de diversas fontes públicas de governos municipais, estaduais e federais e que ajudam as empresas a gerar “insights”. “Ela é uma central de inteligência e de informações para marketing, vendas, riscos e compliance”, diz André Leão, fundador e CEO da empresa.

Na área de marketing, a plataforma da Dataminer usa esses dados para que as empresas possam conhecer o potencial de mercado em que atuam, encontrar seus potenciais clientes e gerar uma lista de leads. Em compliance, a ferramenta ajuda a conhecer melhor os fornecedores, os funcionários e os clientes e dá informações para mitigar o rico de fraudes e de lavagem de dinheiro.

Além da Dataminer, a Nuvini já comprou a Leadlovers, que tem uma ferramenta de automação de marketing digital; a Effecti, uma solução de e-procurement; e a Ipê Digital, dona de uma solução de gestão online para óticas, com 4 mil clientes. Os valores de todas as aquisições não foram divulgados. “Vamos fazer mais duas aquisições até o fim de abril”, afirma Schurmann.

Com isso, a estimativa é que a Nuvini tenha um faturamento de R$ 300 milhões até o fim deste ano. No ano passado, a receita foi de R$ 20 milhões. Nesse início, a holding conta com R$ 100 milhões para fazer aquisições, dinheiro que veio do próprio Schurmann e de alguns family offices, cujos nomes não são revelados, que financiam a expansão da Nuvini.

Mas esses recursos vão aumentar. A Nuvini está concluindo uma captação de R$ 400 milhões, apurou o NeoFeed. O dinheiro será usado para financiar as aquisições neste ano e até meados de 2022. A meta é comprar entre 15 e 20 empresas por ano até 2025, quando a holding espera ter uma receita de R$ 4 bilhões.

O alvo da Nuvini são companhias com faturamento entre R$ 20 milhões e R$ 50 milhões, que sejam rentáveis, com produtos já testados e que crescem de 20% a 25% ao ano. Os negócios envolvem sempre a totalidade das ações e os fundadores ficam no negócio por um período que pode variar de três anos a cinco anos.

De acordo com Schurmann, o papel da Nuvini é funcionar como uma holding que vai cuidar do backoffice, da governança e de outras atividades operacionais. As empresas compradas seguem independentes e ficam responsáveis por produtos, marketing, pessoas e tecnologia. “Ajudamos muito na área de vendas”, diz o fundador da Nuvini.

Um dos nomes recrutados com a missão de reforçar a área de vendas das empresas compradas pelo Nuvini é o do americano Aaron Ross, que se tornou sócio da holding e atua como “growth advisor”. Ross é um ex-funcionário da Salesforce, pioneira na área de SaaS, que ajudou a empresa de Marc Benioff a escalar nos começo dos anos 2000, época em que a computação em nuvem dava seus primeiros passos.

Autor do livro “Receita Previsível”, Ross é considerado uma referência nessa área. “Precisávamos dar um salto de crescimento e expandir o negócio”, diz Leão, da Dataminer. “A Nuvini vai nos ajudar a pensar estrategicamente e vamos poder trocar experiências com as outras empresas da holding.”

A Nuvini conta com com nomes como Carlos Araújo, ex-Pátria Investimentos, que atua como COO, Ronald Domingues, ex-Rede e Multiplus, que é o CFO da holding, e Carolina Carioba, ex-Google e WeWork, na área de recursos humanos. Roberto Medeiros, ex-CEO da Multiplus, e Paula Paschoal, atual diretora do PayPal no Brasil, são conselheiros.

O modelo da holding criada por Schurmann é baseado na canadense Constellation Software, listada na bolsa de Toronto, que vale quase 40 bilhões de dólares canadenses. A companhia já comprou mais de 200 empresas na área de SaaS e as mantém independente. “A diferença é que eles compram negócios mais maduros”, diz Schurmann.

O mercado global de SaaS movimentou US$ 157 bilhões em 2020, de acordo com a Statista, e pode dobrar até 2024. O que já era uma tendência de negócios foi acelerada com a pandemia da Covid-19, que estimulou a migração de muitas companhias para a nuvem.

Isso tem se refletido na avaliação das companhias de capital aberto que atuam com esse modelo. O SaaS Capital Index, que analisa o múltiplo de mais de 60 empresas globais da área cotadas em bolsa de valores, entre elas Adobe, HubSpot, Salesforce e Zoom, disparou nos últimos 12 meses. Em março deste ano, o múltiplo chegou a 14,5 vezes (valor de mercado/receita 2021). Há um ano, era 8,1 vezes.

No vídeo que você assiste acima, Schurmann, filho mais velho de Vilfredo e Heloisa, da família brasileira de navegadores que ficou famosa por suas aventuras no mar, conta ainda sua trajetória como investidor. Ele segue como sócio da Bossa Nova Investimentos, gestora criada com João Kepler, que já fez mais de 700 investimentos em startups em estágio inicial, mas não está mais  no dia a dia.

Schurmann também conta sua experiência como empreendedor. Ele é um dos fundadores do buscador de internet Zeek, um dos primeiros do Brasil, comprado pela StarMedia, no fim dos anos 1990. Assista a mais uma episódio do Café com Investidor.

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