O alerta do “Papa do valuation” sobre o novo padrão de risco para os investimentos

Aswath Damodaran, considerado o Papa do Valuation, alerta para cenário conturbado pelo conflito no Leste Europeu e por pressões inflacionárias, fazendo o custo de capital para empresas americanas e globais dispararem em seis meses

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Aswath Damodaran, professor da Universidade de Nova York

Menor oferta de capital, correção de preços de ativos mais arriscados, mudanças de risco de países com a invasão da Ucrânia pela Rússia, que afeta as duas nações e a região, além de conflitos no Sri Lanka e Paquistão têm provocado mudanças significativas na avaliação de risco entre países. E, por consequência, pode comprometer investimentos que também têm sido atropelados por pressões inflacionárias.

O alerta vem do indiano Aswath Damodaran, conhecido nos mercados de capitais como o “Papa do Valuation” por estudos desenvolvidos em finanças corporativas, matéria que ministra na Universidade de Nova York.

Damodaran, em artigo publicado em seu blog, exemplifica a mudança de cenário nos últimos seis meses, lembrando que, nesse período, ocorreu substancial elevação de custos de capital no mundo em decorrência da inflação e da aversão ao risco exacerbada pela guerra na Ucrânia.

Em seis meses, escreve o professor da Universidade de Nova York, os custos de capital para empresas americanas, subiram de 5,77% para 8,97% e, para empresas globais, de 6,37% para 9,70%, refletindo taxas livres de risco e prêmios de risco.

Entre as condições observadas na precificação de ativos, cita Damodaran, estão perspectivas de estabilidade e de crescimento econômico; estrutura política dos países; os marcos legais em vigor, uma vez que as empresas dependem de sistema legais para aplicar contratos e direitos de propriedade; e também o grau de corrupção observada nos diversos países.

A corrupção, segundo o especialista, atua como imposto implícito nas operações. “O norte da Europa é o destaque, quando se trata de estar livre da corrupção que é claramente um empecilho para as empresas na América Latina, África e grande parte da Ásia. As proteções legais para as empresas são mais fortes na Austrália e na América do Norte; as mais fracas são da África e da América Latina”, escreve Damodaran.

O especialista em avaliação de empresas e precificação de ações apresenta dados da Transparência Internacional que apontam Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia e Noruega como os países com menor grau de corrupção observado. Encabeçam o ranking dos países com índices mais elevados de corrupção: Sudão, Somália, Síria e Venezuela.

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