O bitcoin e a Tesla são bolhas? Uma pesquisa do Deutsche Bank diz que sim

Pesquisa do banco alemão Deutsche Bank releva que a grande maioria dos investidores acredita que alguns mercados financeiros estão em território de bolha. E a moeda virtual bitcoin e as ações de algumas empresas de tecnologia, como a Tesla, estão no topo dessa lista

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Quais as maiores bolhas do momento? Para investidores, o bitcoin e as ações de empresas de tecnologia – em especial, a da fabricante de carros elétricos Tesla. Esse é o resultado de uma pesquisa do Deutsche Bank com 627 profissionais do mercado entre os dias 13 e 15 de janeiro.

Segundo a pesquisa, divulgada nesta terça-feira, 19 de janeiro, a grande maioria dos investidores (89%) acredita que alguns mercados financeiros estão em território de bolha. A moeda virtual bitcoin e as ações das empresas de tecnologia estão no topo dessa lista.

A criptomoeda é vista como um caso extremo, com metade dos entrevistados dando ao bitcoin uma classificação de 10, em uma escala de bolha de 1 a 10. Uma bolha especulativa, financeira ou econômica é quando o valor de um ativo se desvia fortemente de seu valor intrínseco.

O bitcoin está em uma escalada desde o ano passado. A moeda virtual observou seu valor aumentar quase 300% em 2020, quando chegou a quase US$ 30 mil. Neste ano, ela atingiu quase US$ 42 mil há apenas duas semanas. Agora, está cotada a US$ 36.694.

Mesmo assim, é um aumento de mais de 800% em relação às cotações de março de 2020, quando a criptomoeda caiu devido às preocupações sobre a pandemia do coronavírus.

Os investidores que acreditam que a valorização do bitcoin não se trata de uma bolha alegam que a criptomoeda está sendo impulsionada pelo interesse de compradores institucionais, bem como pelo fato de que empresas como PayPal passarem a aceitar o ativo em suas carteiras digitais.

Um desses otimistas é Scott Galloway, escritor, empreendedor e professor da Stern School of Business da Universidade de Nova York, considerado um dos gurus do Vale do Silício.

No fim do ano passado, Galloway fez uma série de previsões sobre o mundo de tecnologia. E uma delas era de que o bitcoin iria ultrapassar o valor de US$ 50 mil em 2021.

Os céticos também têm seus pontos. No começo de janeiro, o Bank of America divulgou uma nota classificando o bitcoin como a “mãe de todas as bolhas”.

No relatório, os analistas do banco apresentaram um gráfico que mostra como a valorização exponencial da moeda virtual se compara a outras bolhas do mercado, como as empresas pontocom, no fim do anos 1990, e a bolha imobiliária dos Estados Unidos, em meados da década de 2000.

A Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido (FCA, na sigla em inglês) alertou em um comunicado, na semana passada, que investir em criptomoedas ou em investimentos e empréstimos vinculados a esses ativos envolve riscos elevados, principalmente quando as empresas oferecem altos retornos e que parecem bom demais para serem verdade. E ressaltou: “Se os consumidores investirem nesses tipos de produtos, eles devem estar preparados para perderem todo o seu dinheiro”.

Tesla

Além do bitcoin, os investidores estão céticos com as ações de empresas de tecnologia. Em especial, da fabricante de carros elétricos Tesla. De acordo com a pesquisa do Deutsche Bank, a empresa fundada por Elon Musk ficou com uma pontuação média de 7,9 na escala de uma bolha – 83% dos entrevistado deram à empresa uma nota de 7 ou mais.

Desde o começo de 2020, as ações da Tesla se valorizaram 545%. Hoje, a empresa é avaliada em US$ 799 bilhões e Elon Musk, por conta disso, se tornou o homem mais rico do mundo, com uma fortuna de US$ 197 bilhões, superando Jeff Bezos, o fundador da Amazon.

Na visão da maioria dos investidores pesquisados pelo Deutsche Bank, a ação da Tesla tem mais chance de perder metade de seu valor ao longo dos próximos 12 meses.

Embora os investidores acreditem que o bitcoin e a Tesla estão supervalorizados não está claro, segundo a pesquisa, o que exatamente pode “estourar” essas bolhas.

A pesquisa também indica que o juro deve permanecer neste patamar baixo ao longo de 2021. E que o Federal Reserve, o banco central americano, não deve apertar a política monetária antes do fim de 2021.

Os investidores disseram ainda que o lançamento de vacinas contra o coronavírus está aquém das expectativas (41%), mas pouco mais da metade dos entrevistados acreditam que a vida voltará ao normal até o fim deste ano.

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