Negócios

O plano do Pão de Açúcar para vender R$ 1 bilhão em vinhos até 2023

Rede varejista, que já é a segunda maior importadora da bebida do Brasil, cria um marketplace para aumentar a oferta em seu site e fazer dos vinhos um negócio bilionário

 

Integração do online com as lojas físicas é fundamental para a venda de vinhos do Pão de Açúcar

Em 2020, o Pão de Açúcar vendeu mais de 20 milhões de garrafas de vinho em todo o País, um crescimento de 37% em comparação ao ano anterior. As vendas online de brancos e tintos trouxeram R$ 140 milhões aos cofres da empresa, um avanço de 255% – a rede varejista controlada pelo grupo francês Casino não revela os dados das lojas físicas, apenas diz que elas vêm crescendo a uma taxa de mais de 50% desde 2018.

Esse desempenho fez do Pão de Açúcar o supermercado que mais importou vinhos no Brasil em 2020 e o segundo maior entre todas as empresas que trazem vinho para o País, atrás apenas da VCT, filial local da chilena Concha y Toro, segundo dados da consultoria Ideal Consulting. No total, a rede varejista representou 7% do total dos vinhos importados para o Brasil no ano passado.

Mas isso não significa que o Pão de Açúcar esteja feliz com o resultado. Ao contrário. A companhia está traçando um plano para que a área de vinhos atinja um faturamento de R$ 1 bilhão até 2023. “Queremos ser a maior plataforma de comercialização de vinhos na América Latina”, afirma Rodrigo Pimentel, diretor de e-commerce alimentar do grupo Pão de Açúcar, ao NeoFeed.

O avanço passa pela criação de um marketplace, que entrou no ar no começo deste ano, abrindo espaço para que pequenos produtores, importadores, lojistas até os concorrentes possam vender vinhos na plataforma online do Pão de Açúcar.

Nesse início, já são dez parceiros que disponibilizam por volta de cinco mil itens na plataforma de e-commerce do Pão de Açúcar. Nesse modelo, a rede varejista ganha uma comissão a cada venda – o valor cobrado não é divulgado pela empresa.

Um dos parceiros é o TodoVino, plataforma online da importadora Intefood, teoricamente um concorrente do Pão de Açúcar. Com essa estratégia, a companhia aumenta o número de rótulos disponíveis online sem ter de desembolsar recursos nos custos de estoque e de distribuição. “O marketplace alavanca a venda do pequeno produtor, do importador, de quem precisa de audiência. Temos isso para oferecer com o nosso site”, afirma Pimentel.

O movimento de expansão do Pão de Açúcar acontece em um momento em que as vendas de vinhos estão em alta no mercado brasileiro. Em 2020, foram comercializados 501,1 milhões de litros, uma alta de 31%, segundo a Ideal Consulting. No ano passado, a venda de vinhos nacionais subiu 32,4%, enquanto os importados tiveram crescimento de 26,5%.

As vendas online foram um dos grandes destaques. Tanto que a Wine, maior e-commerce de vinho do Brasil, cresceu quase 40% em 2020, atingindo um faturamento de R$ 450 milhões. Por outro lado, marketplaces com grande tráfego entraram também na área de vinho. São os casos de Mercado Livre, Americanas.com e Magazine Luiza.

Rodrigo Pimentel, do Pão de Açúcar

Mas ao apostar em um marketplace, o Pão de Açúcar não vai abrir mão do espaço que já conquistou no mundo do vinho. A importação própria continua, principalmente com vinhos desenvolvidos para agradar ao paladar brasileiro.

Um exemplo é a linha Club do Sommeliers, que começou a ser trazida para o Brasil no ano 2000 e atualmente representa 14% das vendas entre todos os rótulos disponíveis pelo supermercado.

Os corredores inteiros de vinhos nas lojas físicas também são fundamentais na estratégia do Pão de Açúcar. E o motivo é simples. “Atualmente, boa parte das nossas vendas começa no site e termina na loja. O clique e retire na loja é muito forte”, diz Pimentel.

Uma longa tradição

O vinho ganhou um novo status no Pão de Açúcar na década de 1990, com a chegada de Carlos Cabral. Um dos maiores conhecedores mundiais de vinho do Porto, Cabral entrou na companhia em 1997, quando o grupo vendia quatro milhões de garrafas de vinho por ano e tinha uma importação pífia da bebida.

A primeira grande ação de Cabral foi investir na formação dos atendentes de vinho, apelidados de “cabralzinhos”. São profissionais que ficam na sessão de vinhos das lojas, conversando com os clientes, tirando as dúvidas e criando a sua clientela. Ao todo, o programa formou 525 profissionais e atualmente há 100 desses atendentes nas lojas em todo o Brasil.

A linha Club dos Sommeliers chegou ao Brasil no ano 2000. Cabral foi à França e selecionou 32 rótulos do Casino, então sócio minoritário do Pão de Açúcar. Neste primeiro momento, poucos rótulos emplacaram por aqui. O crescimento da linha veio quando a companhia decidiu, dois anos depois, elaborar também vinhos com essa bandeira no Chile.

Vinícolas parceiras elaboravam o blend com a colaboração de Cabral e equipe, disponibilizando um vinho mais agradável ao paladar brasileiro. Com o sucesso dos rótulos chilenos, o projeto passou a incluir vinhos de Argentina e Portugal. “Atualmente, temos vinhos de 11 países, engarrafados com a bandeira Club dos Sommeliers”, orgulha-se Cabral.

Outro marco nessa história foi a Adega Pão de Açúcar, inaugurada em 2018, na rua Augusta, nos Jardins, em São Paulo. A loja, especializada em vinhos e cervejas especiais, conta com aproximadamente 1,5 mil rótulos. Na faixa acima de R$ 200, são mais de 300 opções, como o champanhe Cristal, da Louis Roederer, vendido por R$ 4.499,90.

Para o grupo, a loja é importante para testar conceitos, ideias de promoções e também entender a reação dos consumidores com os rótulos de maior valor. “O consumidor não pega na mesma compra um vinho caro junto com as batatas”, afirma Pimentel.

Leia também

Newsletter

Receba notícias do NeoFeed no seu e-mail

 
Li, compreendi e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade
do site.

UM CONTEÚDO:

BRAND STORIES

VÍDEOS

Assista aos programas CAFÉ COM INVESTIDOR e CONEXÃO CEO

Newsletter

Receba notícias do NeoFeed no seu e-mail

 
Li, compreendi e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade
do site.