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O troca-troca dos seriados clássicos movimenta bilhões na guerra do streaming

Direitos por “The Big Bang Theory”, “Friends”, “Senfield” e outros shows antigos atraíram US$ 2 bilhões de empresas como Netflix e HBOMax

 

A WarnerMedia, da gigante AT&T, por exemplo, desembolsou US$ 500 milhões para explorar, por cinco anos, a comédia geek The Big Bang Theory

Um suspense bilionário protagonizado pelas maiores empresas de entretenimento do mundo está “em cartaz” nos Estados Unidos. Na tentativa de reverter a hegemonia da Netflix, que detém 150 milhões de assinantes e 87% do mercado de streaming americano, as concorrentes têm apostado alto em séries originais. E mais alto ainda em séries antigas – os chamados “clássicos”.

Nas últimas semanas, as principais plataformas de streaming do mercado americano gastaram mais de US$ 2 bilhões na disputa por seriados antigos, segundo fontes a par das negociações, citadas pelo jornal americano The Wall Street Journal.

A WarnerMedia, da gigante AT&T, por exemplo, desembolsou US$ 500 milhões para explorar, por cinco anos, a comédia geek The Big Bang Theory, uma das mais populares da tevê americana. O enredo de Sheldon Cooper e seus amigos será exibido no HBOMax, um serviço que está prestes a estrear e reúne produtos da Warner, HBO e outras parceiras.

Com a entrada de novos players de peso no mercado, como a Apple e a Walt Disney, está havendo uma quebra de braço pelos sucessos do passado. Não se trata de nostalgia. É puro interesse comercial. The Office e Friends, que estão deixando a Netflix, eram os dois shows mais populares do catálogo do serviço de streaming fundado por Reed Hastings.

Sucesso dos anos 2000, a série Friends vai integrar o catálogo do HBOMAx

Sucesso dos anos 2000, a série Friends vai integrar o catálogo do HBOMAx. Já The Office irá para a Peacock Peacock, da NBCUniversal, em 2021.

Mas a Netflix não ficou parada e deu o troco. Seinfeld migrará, em 2021, da Hulu, que comprou a série em 2015 por US$ 130 milhões, para a Netflix, num acordo de US$ 500 milhões.

Essa guerra bilionária por seriados clássicos tem fundamento. De acordo com a Grand View Research, o mercado de streaming vai valer US$ 124,57 bilhões em 2025, e os assinantes estão dispostos a desembolsar até US$ 38 dólares por seis serviços do tipo, segundo levantamento da Magid Research.

Até meados de abril do ano que vem, a expectativa é que quatro gigantes estreiem novas plataformas: Apple, Comcast, WarnerMedia e Walt Disney.

Para disputar a preferência dos consumidores, as empresas duelam também pelo valor da assinatura. Com estreia programada para novembro, a TV+, da Apple, vai cobrar US$ 4,99 por mês nos EUA e será a mais barata do mercado. Nos Estados Unidos, a Netflix aplica mensalidade de US$ 12,99. A Disney, que também pretende lançar sua ofensiva em novembro, posicionou seu valor de assinatura em US$ 6,99/mês.

A Comcast e a AT&T, com a HBOMax, ainda não informaram os valores mensais de seus serviços, nem definiram um mês para estreia. Os rumores na imprensa americana, contudo, é que HBOMax possa cobrar até US$ 15. A Comcast, por sua vez, será gratuita para os usuários que pagam pelo serviço a cabo da empresa nos EUA.

Tamanho interesse por conteúdo “vintage” vem da análise de desempenho da Netflix. O conteúdo da Disney e da Warner representa, hoje, 40% do tempo gasto pelos usuários, segundo relatório da empresa de pesquisas Nielsen.

Para não perder a pole position, a pioneira do streaming se apoia nos produtos de sucesso caseiros, como House of Cards, Stranger Things e Orange is The New Black, além da produção de novos produtos e séries.

Essa estratégia é denominador comum no setor. A Apple, por exemplo, já anunciou seu novíssimo Morning Show, com Jennifer Aniston, Reese Witherspoon e Steve Carell. A Peacock aposta no talento de Alec Baldwin e Demi Moore, enquanto a Disney+ leva ao ar um spinoff de “Guerra nas Estrelas”. A WarnerMedia assinou contrato com o produtor JJ Abrams, que passa a desenvolver conteúdo original para a HBOMax.

A corrida pelo streaming levou, no ano passado, à aprovação de 500 roteiros originais – o dobro do volume registrado em 2011

A corrida pelo streaming levou, no ano passado, à aprovação de 500 roteiros originais – o dobro do volume registrado em 2011, de acordo com levantamento da Disney FX Network.

Embora a aposta em novos produtos seja celebrada pela audiência, ela custa caro aos cofres das empresas, que investem entre US$ 8 milhões e 15 milhões na produção de um único episódio, o que torna o modelo de negócio desafiador. Apesar das cifras altas, elas não garantem sucesso imediato.

Ao apostar em seriados clássicos, e que passaram pelo teste da audiência, os serviços de streaming fazem uma aposta de baixo risco e com retorno garantido.

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