Os investidores amadores do Robinhood têm mexido nos ponteiros da bolsa

Estudo conduzido pelo JPMorgan mostra que, no curto prazo, as ações mais populares no aplicativo de investimento Robinhood tendem a ter um desempenho melhor, mesmo sem nenhuma explicação plausível

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Robinhood ganhou mais de três milhões de usuários só este ano

Quanto custa subverter a lógica do mercado? Às vezes, US$ 1. O JPMorgan se propôs a investigar se e como o comportamento dos investidores amadores que surfam na onda de aplicativos como o Robinhood podem afetam a bolsa de valores.

Analisando os dados reunidos pelo portal Robintrack.net, que monitora o movimento das contas no app, o banco americano descobriu que, no curto prazo, as ações que ganham popularidade entre os investidores amadores tendem a performar melhor do que as ações impopulares no app. 

O banco alerta, contudo, que o desempenho dos papéis foram monitorados por um período de algumas semanas até um mês e que não é possível calcular o resultado no longo prazo por conta da base de dados disponível. 

A pesquisa indicou ainda que as ações mais cobiçadas no Robinhood são de empresas com valor de mercado pequeno ou mediano, que ganharam atenção da mídia por algum motivo.

Um bom exemplo disso foi a alta da Hertz, que virou manchete ao pedir concordata e viu seus papéis saltarem no aplicativo. Quando deu entrada na papelada de proteção à falência, a empresa de aluguel de carros viu seus papéis caírem para US$ 0,56. Duas semanas depois, as ações da empresa eram negociadas a US$ 5,53 cada, um salto de 887%. 

A explicação para esse movimento atípico pode estar no aplicativo Robinhood. Antes de pedir concordata, 43 mil usuários do app detinham papéis da empresa. Esse número avançou para 73 mil na primeira semana de junho e evoluiu para 171 mil na metade do mesmo mês – o que coincide com a alta da Hertz na bolsa. 

Casos como esse inflamam ainda mais as críticas de especialistas ao Robinhood, que insistem que o app converte em uma espécie de “brincadeira” uma atividade séria e de alto risco.

Um usuário do aplicativo, inclusive, chegou a se suicidar na primeira quinzena de junho ao confundir um prejuízo potencial com o resultado de seu investimento total. O jovem americano Alex Kearns, de 20 anos, tirou a própria vida ao pensar ter perdido US$ 750 mil.

Para evitar outros desfechos trágicos e pesquisas como essa da JPMorgan, o Robinhood vai mudar sua estratégia. O aplicativo comunicou que vai parar de compartilhar seus dados com qualquer plataforma terceira, como a Robintrack.net. O Robinhood não vai também divulgar mais quais companhias surfam em popularidade em seu ambiente virtual. 

O Robinhood tem atualmente 13 milhões de contas ativas e, em maio deste ano, levantou US$ 280 milhões em uma rodada de investimento liderada pela Sequoia Capital, com participação de NEA, Ribbit Capital, 9Yards Capital e Unusual Ventures. Com o aporte, o aplicativo foi avaliado em US$ 8,3 bilhões.

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