Para o IRB, queda do lucro no 3º trimestre não passa de uma “foto no tempo”

A companhia, que desde 2020 tem tentado recuperar a credibilidade perante o mercado após uma gestora expor inconsistências em seus números, prefere olhar para o balanço do acumulado de janeiro a setembro, que saiu do vermelho para o azul no resultado recorrente

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Raphael Carvalho, novo CEO do IRB, no cargo há 40 dias

Desde o início de 2020, quando uma carta da gestora Squadra expôs uma série de inconsistências no balanço do IRB, a gigante brasileira de resseguros entrou em uma verdadeira cruzada para corrigir o rumo e recuperar a credibilidade perante os investidores. Com a imagem da companhia arranhada, o preço das ações despencou de R$ 41,43 para R$ 6,47 em apenas dois meses, entre janeiro e março do ano passado.

Uma das partes mais importantes desse trabalho de reestruturação foi o cancelamento de contratos que apresentavam algum tipo de problema, o que elevou os custos da empresa e afetou negativamente o resultado líquido dos balanços. Em razão disso, a cada trimestre, os analistas e acionistas olham os dados do IRB com lupa, para entender se a companhia está realmente virando a página.

O balanço do terceiro trimestre, divulgado na noite desta quinta-feira, dia 11 de novembro, traz uma notícia pouco animadora: o lucro líquido recorrente, que já desconsidera os efeitos negativos dos contratos que foram descontinuados, caiu para R$ 44,5 milhões. Em igual período do ano passado, havia sido de R$ 173 milhões.

O IRB, porém, argumenta que essa variação nada mais é do que “uma foto no tempo”. No acumulado de janeiro a setembro, ressalta a empresa, o lucro líquido recorrente é de R$ 101,7 milhões, revertendo um prejuízo de R$ 568,4 milhões em igual intervalo do ano passado. “Essa é a prova mais óbvia do trabalho de recuperação”, afirma ao NeoFeed, Raphael Carvalho, o novo CEO da companhia, que assumiu o cargo há 40 dias.

Segundo Carvalho, quando se analisa o lucro líquido de uma empresa de resseguros, é importante olhar um prazo mais longo porque se trata de um setor com alta volatilidade nos negócios. “O resultado está sujeito a oscilações, como quando há um grupo pequeno de sinistros multo vultosos, gerando desvios pontuais em períodos mais curtos”, ele diz.

O executivo ressaltou que o terceiro trimestre teve uma concentração de sinistros no segmento patrimonial, em riscos especiais e aviação, que resulta em valores maiores. Não à toa, o índice de sinistralidade da companhia ficou em 99,6% no terceiro trimestre, enquanto o acumulado do ano mostra resultado menor, de 85,6%. “E quando olhando as maiores resseguradoras globais, há um índice combinado acima de 100%. Nas sete que olhei, houve prejuízo no trimestre”.

De acordo com o novo CEO, “o grosso do trabalho (de reestruturação da companhia) já foi feito” e, “mais importante do que isso”, ele diz, o caixa operacional da companhia ficou positivo pelo quinto trimestre consecutivo. Entre julho e setembro, foi de R$ 604,8 milhões, 332% de expansão em relação a igual período do ano passado.

No resultado líquido contábil da companhia, o efeito dos contratos descontinuados ainda é visível, mas está em queda. No terceiro trimestre, houve prejuízo de R$ 155,7 milhões, com impacto negativo de R$ 329,5 milhões dos contratos cancelados. A perda contábil, porém, é 27,8% menor que a registrada no terceiro trimestre do ano passado.

Segundo o novo CFO do IRB, Willy Jordan, que assumiu o posto há duas semanas, os efeitos negativos da reestruturação também estão ficando cada vez mais amenos.

Em 2020, foram quatro contratos cancelados, com impacto negativo de R$ 753 milhões naquele ano. Em 2021, os efeitos desses mesmos cancelamentos já foram reduzidos pela metade, para R$ 316 milhões. Neste ano, porém, outros 13 contratos foram descontinuados, com perdas de R$ 221 milhões. “Estes 13 devem seguir a mesma trajetória, com a diminuição do efeito à medida que o tempo avança”, diz.

O executivo, contudo, não crava quando a empresa voltará a dar lucro líquido no critério contábil. Mas ressalta que isso é questão de tempo. “O contábil está evoluindo e se tornando menos negativo. À medida em que a evolução continua, ele vai se tornar positivo”.

Em março, em entrevista ao NeoFeed, o antecessor de Carvalho no comando do IRB, Antônio Cássio dos Santos, afirmou que não tinha dúvida de que a empresa voltaria a dar lucro em 2022.

Em seus primeiros 40 dias, Carvalho diz que está pondo a maior parte da sua energia em “identificar alavancas” para que a companhia volte a crescer com rentabilidade. “Crescer por crescer, jamais”, afirma.

Nesta quinta-feira, a ação do IRB fechou em alta de 3,09%, a R$ 5,01. Em 2021, acumula desvalorização de 36,5%.

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