Para o Itaú BBA, a Usiminas ficou barata demais e agora merece um outro olhar

O banco de atacado do Itaú Unibanco, que antes classificava a ação como “neutra”, mudou o patamar da empresa e agora a vê como “outperform”, pelo seu potencial de valorização

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Unidade da Usiminas em Ipatinga. Foto: divulgação

A ação da Usiminas, uma das principais siderúrgicas do Brasil, está caindo 38% desde agosto e, assim como todo o setor, está sofrendo com a queda da demanda chinesa pelo aço.

Para 2022, as perspectivas também não são favoráveis. Com a economia brasileira caminhando para um período de estagnação, o setor tende a enfrentar uma queda no volume produzido, e também nos preços.

Esse contexto sinaliza que a Usiminas é uma ação que deve ficar longe de uma carteira de renda variável? Não para os analistas do Itaú BBA, que reconhecem que o cenário é desafiador, mas acreditam que o papel está barato demais.

Em relatório publicado nesta segunda-feira, dia 29 de novembro, o Itaú BBA ressalta que a Usiminas se tornou a ação de menor valor entre as empresas de commodities que fazem parte da sua área de cobertura. Desde o dia 10 de agosto, a ação caiu de R$ 22,10 para R$ 13,72, na manhã desta segunda, por volta das 11h.

Por reconhecer que o cenário é difícil, o Itaú BBA até reduziu a estimativa de preço-alvo da Usiminas para o fim de 2022, de R$ 24 para R$ 20. Mas, ainda assim, espera uma valorização de 45% em relação à cotação atual.

“Apesar do cenário um pouco mais conservador para o preço do aço em 2022, a Usiminas oferece um forte retorno em relação à geração de caixa para o ano que vem, de 18%, e um múltiplo de 2,3 vezes o valor de mercado sobre o Ebitda, o que é atrativo em relação aos pares do setor”, escrevem os analistas Daniel Sasson, Edgard Pinto de Souza e Barbara Soares.

As projeções do Itaú BBA indicam queda de 5% para o volume produzido pelo setor de aço em 2022 e recuo de 20% nos preços. Para o Ebitda da Usiminas, o banco estima resultado de R$ 6,6 bilhões no ano que vem, a metade do que deve registrar ao fim de 2021, a R$ 13,3 bilhões, mas o dobro do que foi o ano de 2020, com R$ 3,2 bilhões.

Ainda assim, o banco elevou a classificação da Usiminas, de neutra para “outperform” (acima da média do mercado), uma vez que a empresa apresenta uma proposta “atrativa de risco e retorno”.

No terceiro trimestre, a Usiminas teve lucro líquido de R$ 1,82 bilhão, alta de 821% em relação ao número obtido em igual período do ano passado. No acumulado do ano, o lucro é de R$ 7,57 bilhões, revertendo prejuízo de R$ 621 milhões registrado em igual intervalo de 2020.

Avaliada em R$ 16,7 bilhões, as ações da empresa operavam em alta de 6,27% nesta segunda-feira, a R$ 13,72, por volta das 11h.

O Itaú BBA não é o único que considera que a Usiminas está uma pechincha. Logo após a publicação do balanço do terceiro trimestre da empresa, no dia 29 de outubro, o BTG Pactual divulgou relatório no qual afirmou que a ação da companhia estava “subvalorizada” em qualquer métrica e estava antecipando um ambiente mais difícil em 2022.

“Isso está pesando o sentimento de curto prazo, mas vemos a ação sendo negociada a 2 vezes o Ebitda para 2022, assumindo uma queda de 50% para o indicador, e consideramos que o papel está barato”, escreveram, à época, os analistas Leonardo Correa e Caio Grener. Naquele dia, a ação estava a R$ 14. O BTG estima preço-alvo de R$ 24 e recomenda compra.

 

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