Sem a “marca” Lionel Messi, Barcelona pode encolher 30%

O jogador Lionel Messi representava até 30% das receitas do clube catalão. Sem ele, o Barcelona, que enfrenta grave crise financeira e tem dívida bilionária, começa um duro processo de reestruturação

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O jogador Lionel Messi

Imagine se uma empresa perdesse, da noite para o dia, 30% de sua receita com algum produto que deixasse de existir. Guardadas as devidas proporções é o que está acontecendo com o Barcelona com a saída de Lionel Messi, um dos principais jogadores de sua história e eleito seis vezes o melhor jogador de futebol do mundo pela Fifa.

É difícil fazer uma conta exata, mas estima-se que Messi, que chegou ao clube catalão com 13 anos em 2000, representasse 30% da receita do Barcelona. Esse número se traduz em vendas de camisas, torcida no Estádio (torcedores do mundo todo iam até o Camp Nou para ver o craque argentino jogar) e títulos e mais títulos (que dão premiações e aumentam os valores pagos por patrocinadores e direitos de transmissão).

O Barcelona tem 122 anos de história e ganhou 36% de seus títulos durantes os anos em que Messi esteve em campo. No total, o jogador argentino ajudou na conquista de 35 campeonatos, sendo quatro Liga dos Campeões, o principal torneio de clubes da Europa (três deles com o jogador argentino como protagonista), três Mundiais de Clubes e 10 espanhóis.

Mas por que um jogador tão valioso como Messi está, então, deixando o Barcelona? A delicada situação financeira do clube o obrigou a se desfazer de seu maior ídolo em meio à pandemia, em que as receitas com estádios minguaram e o clube vive a real necessidade de readequar seu orçamento urgentemente.

Como Messi tem um dos mais altos salários do planeta, cerca de 130 milhões de euros anuais, o Barcelona não teve alternativa e foi obrigado a não renovar com o craque. Mesmo com esse contracheque astronômico, o jogador representava apenas 20% da folha de pagamento. Resumindo: era lucrativo.

“Infelizmente temos uma instituição com 122 anos de história, que está acima de tudo, de todos os jogadores, inclusive do melhor jogador do mundo”, disse Joan Laporta, presidente do Barcelona. “Os motivos pelos quais não pudemos e decidimos (não renovar) foram as razões econômicas muito claras, em que se encontra a entidade.”

De fato, a situação econômica do Barcelona é bastante delicada. Em 2020, o prejuízo atingiu 97 milhões de euros. Neste ano, a estimativa é chegue a 487 milhões de euros. Isso tudo com uma dívida que ultrapassa 1,1 bilhão de euros.

As receitas estão em queda afetadas pelos estádios fechados, mas também pela redução de ganhos com marketing e direitos de transmissão. Antes da pandemia da Covid-19, o time tinha uma receita de 835 milhões de euros. No ano passado, o faturamento encolheu quase 15%, para 715,1 milhões de euros.

A queda financeira do Barcelona, no entanto, não pode ser atribuída exclusivamente aos efeitos do novo coronavírus. Desde a transferência recorde do atleta brasileiro Neymar para o PSG, em 2017, o clube catalão criou um círculo financeiro perigoso.

Com os 222 milhões de euros embolsados com a venda do craque brasileiro, o Barcelona foi às compras. E agora está pagando o preço de contratações arriscadas, como Coutinho, Dembélé e Griezmann, que não trouxeram o sucesso esportivo e mercadológico dos tempos de Messi, Suárez e Neymar.

Com isso, o Barcelona viu seu equilíbrio financeiro depender excessivamente das vendas de jogadores. Essa política arriscada explodiu com a pandemia. Agora, Messi passa a ser um retrato na parede. Um dos mais bonitos da história do clube catalão.

*Amir Somoggi é sócio-diretor da Sports Value e tem mais de 20 anos de experiência na indústria do esporte, com projetos realizados para diferentes clubes, patrocinadores, agências e empresas investidoras

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