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Negócios

Sinais trocados entre Banco Inter e Mercado Livre

Enquanto o banco digital quer ganhar mercado com um marketplace, a empresa de comércio eletrônico se fortalece no setor financeiro com o Mercado Pago. Entenda esse jogo

 

Ao fazer um cheque de R$ 760 milhões para comprar 8,1% do Banco Inter, no follow on realizado em julho, o Softbank enxergou algo que poucos no mercado estão observando.

O banco digital da família Menin fará nos próximos meses um movimento que nenhum de seus concorrentes financeiros estão fazendo. No fim de setembro, o Inter vai lançar um marketplace.

Na verdade, será um superapp que vai concentrar tanto produtos financeiros do banco como uma área de serviços e lojas de varejo de eletroeletrônicos, viagem, drogarias, entre outras.

Uma fonte que conhece o plano do banco contou ao NeoFeed que o aplicativo será lançado com 40 parceiros e o visual trará a metade do app com serviços bancários e a outra metade de baixo com os produtos do marketplace.

É um movimento sutil, na verdade, um sinal trocado com os varejistas. “Todos estão querendo virar fintech”, diz um experiente executivo do setor financeiro. “Se os bancos não fizerem o movimento inverso, ficarão para trás.”

Esse mesmo executivo prossegue em sua análise. “O Mercado Livre é forte no varejo e foi inteligente em criar o Mercado Pago”, diz . “Eles sabiam que não dava para ficar apenas com a operação de varejo.”

A aposta do Inter, comandado por João Vitor Menin, é ousada porque o banco quer aproveitar que tem dados dos clientes, recorrência, dinheiro depositado nas suas contas e pode oferecer crédito para essas compras. Somado a isso, tem crescido a sua base de clientes mês a mês.

No fim do segundo trimestre deste ano, a instituição financeira anunciou que estava com 2,5 milhões de clientes. Estima-se que atualmente esteja com 2,9 milhões. O aumento da base significa mais TPV ou volume transacionado.

E é aí que mora a estratégia do Inter com o superapp. No primeiro trimestre deste ano, o Inter contava 2 milhões de clientes e um TPV de R$ 2,1 bilhões – uma média de quase R$ 1 mil por cliente. Mas 99% disso foram gastos fora de sua plataforma.

Um analista que conhece a operação afirmou ao NeoFeed que o banco planeja estar com nove milhões de clientes na segunda metade de 2021.

Dentro do banco fala-se que o TPV trimestral passaria para R$ 9 bilhões, e, deste total, 40% ou R$ 3,6 bilhões seriam movimentados no marketplace do superapp. Detalhe: o take rate, a porcentagem que o banco ganha do vendedor quando uma compra é feita na sua plataforma, deve variar entre 5% e 15%.

R$ 3,6 bilhões devem ser movimentados no marketplace do superapp do Inter em 2021

Enquanto o Inter vai entrar no marketplace, o Mercado Pago, uma costela da empresa de comércio eletrônico do Mercado Livre, está expandindo seus domínios no setor financeiro.

Em recente entrevista ao NeoFeed, Stelleo Tolda, o COO e cofundador da plataforma de e-commerce, disse que o futuro do Mercado Pago, que hoje conta com as maquininhas e conta de pagamento, é oferecer seguros e até investimentos.

“O Mercado Pago será maior do que o Mercado Livre”, disse Tolda na ocasião. “E isso vai acontecer em pouco tempo.” O resultado do segundo trimestre, divulgado recentemente, já mostra o poder de fogo do Mercado Pago.

O volume total de pagamentos com o Mercado Pago alcançou US$ 6,5 bilhões, um aumento de 47% em dólar em relação ao mesmo período do ano passado. Deste total, US$ 3,1 bilhões foram transacionados fora da plataforma do Mercado Livre.

Em junho, pela primeira vez na história, o volume de pagamentos fora da plataforma do Mercado Livre foi maior do que o transacionado dentro. Sinal de que a estratégia do Mercado Livre está dando certo. Sinal também de que o Inter não pode ficar parado assistindo ao avanço das empresas de comércio eletrônico.

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