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Startups

Startup brasileira leva inteligência artificial para dentro do consultório médico

Pixeon, health tech controlada pelo fundo americano Riverwood, tem R$ 83 milhões para investir em pesquisa e está apostando em algoritmos inteligentes que chegam até a sugerir diagnósticos para médicos

 

A tecnologia de inteligência artificial vai transformar diversos setores da economia. E um dos mais afetados será o mercado de saúde, cujos algoritmos inteligentes vão ajudar médicos a acelerar diagnósticos e tratamentos.

Não se trata de um cenário de ficção científica. Isso já está acontecendo e uma startup brasileira está correndo para não ficar de fora dessa onda de transformações do setor de saúde.

Trata-se da Pixeon, um health tech brasileira controlada pelo fundo de venture capital americano Riverwood Capital. A startup está investindo R$ 83 milhões nos próximos cinco anos em pesquisa e desenvolvimento para adaptar sua tecnologia à inteligência artificial.

Os primeiros produtos estão começando a ser testados e, em breve, estarão no mercado. O mais avançado deles é um módulo que permite ao paciente marcar uma consulta ou um exame usando o WhatsApp, sem a necessidade de comunicação com uma pessoa, apenas interagindo com um algoritmo de atendimento.

“A conversa pode ser por voz ou por texto. Se for um exame de radiologia, o algoritmo pede os documentos, interage com o plano de saúde e faz todo o pré-atendimento”, explica Armando Buchina, CEO da Pixeon, executivo que trabalhou por quase 20 anos na Totvs. Essa tecnologia está sendo testada por um grande laboratório do Rio de Janeiro, cujo nome não pode ser revelado.

A Pixeon está também concluindo uma solução que pode mudar a relação entre médico e paciente. Trata-se de um algoritmo que escuta a descrição dos sintomas e ao final dá insights e sugestões de protocolos e procedimentos a serem adotados. O médico pode concordar ou não com a recomendação da “robô” de inteligência artificial.

Essa solução está sendo testada pelo Hospital Cárdio Pulmonar, de Salvador. “Os acertos de diagnóstico chegam a 97%”, afirma Buchina. “Com a inteligência artificial, o médico não gasta tempo preenchendo o prontuário e dedica mais tempo ao paciente.” Essa solução deve ser lançada no mercado no primeiro semestre de 2020.

Algoritmo da Pixeon escuta a descrição dos sintomas e ao final dá insights e sugestões de protocolos e procedimentos a serem adotados pelos médicos

A próxima etapa de desenvolvimento da Pixeon é orquestrar, por meio da internet das coisas, informações de uma série de equipamentos. A ideia, por exemplo, é monitorar arritmias cardíacas ou a taxa glicêmica e disparar alertas aos médicos quando algo estiver fora do normal.

Outro projeto é o diagnóstico através de imagens por meio de inteligência artificial. “É algo bastante conhecido e avançamos bastante nessa área”, diz Buchina. “Devemos ter uma prova de conceito no começo de 2020 com imagens de câncer de mama.”

Essa é uma área que  conta com pesquisas de muitas empresas de tecnologia. No fim do ano passado, o Google, por exemplo, anunciou que seus pesquisadores haviam desenvolvido um sistema de inteligência artificial para detectar câncer de mama que era equivalente e até mesmo superior ao laudo feito por médicos. O algoritmo, no entanto, ainda não estava pronto para ser lançado comercialmente.

Reestruturação

A Pixeon não é exatamente uma empresa recente. Ela surgiu nos anos 1990, mas a sua configuração atual tomou forma em 2012, quando se uniu à Medical Systems.

Um ano depois, a Intel Capital e a Riverwood Capital investiram na companhia. O aporte, na ocasião, foi de R$ 30 milhões. Os recursos foram usados na compra de outras empresas, como LabLinc, MedicWare e Digitalmed.

O aporte ajudou também a companhia a se consolidar como uma empresa de soluções de tecnologia para todos os setores da saúde, de hospitais e laboratórios até centros de imagem e policlínicas.

Tudo caminhou bem até 2017, quando a empresa começou a enfrentar problemas. O Riverwood, na ocasião, comprou o controle da companhia. A Intel Capital também saiu do negócio, sendo substituída pelo fundo Ória. Roberto Ribeiro da Cruz, que era um dos fundadores e CEO da empresa, foi para a presidência do conselho de administração e tornou-se minoritário junto com os outros três fundadores.

Armando Buchina, CEO da Pixeon

Em 2018, Buchina foi contratado com a missão de reestruturar a empresa. “Os fundadores levaram a empresa até um determinado patamar. Era preciso fazer mudanças estruturais para dar suporte à nova fase de crescimento”, afirma Buchina.

A missão de Buchina é levá-la para outro patamar tecnológico investindo em inteligência artificial. Compra de empresas voltaram também ao radar da Pixeon, cuja meta é atingir um faturamento de R$ 100 milhões em 2020. “Tenho 11 empresas mapeadas e candidatas a serem adquiridas”, diz o CEO da Pixeon.

Dessa forma, a companhia espera retomar a trajetória de crescimento acelerado. “A empresa já cresceu mais de cinco vezes desde o nosso primeiro aporte e acreditamos que seguirá com altas taxas de crescimento com o suporte do nosso investimento”, afirma Joaquim Lima, diretor da Riverwood Capital.

Lima observa que a companhia pode ser beneficiada no processo de consolidação do setor de saúde, com muitas empresas da área verticalizando suas operações. “A Pixeon tem uma solução completa”, afirma o diretor da Riverwood Capital.

Atualmente, planos de saúde estão em busca de manter uma rede própria de clínicas, hospitais e laboratórios para reduzir seus custos. São exemplos dessa estratégia a Prevent Senior, a Hapvida e da NotreDame Intermédica.

A rede D´Or, a maior rede de hospitais privados do País, adquiriu, em agosto de 2019, uma fatia 10% na Qualicorp, que vende planos de saúde coletivos.

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