Teto solar: Ruuf é o 1º aporte de novo fundo da Positive Ventures

A startup chilena Ruuf está desenvolvendo um marketplace para facilitar a compra e a instalação de painéis solares. O aporte conta também com a participação da Collaborative Fund e de Juan Carlos Jobet, ex-ministro de energia do Chile

0
0
Leia em 5 min

Tomás Campos e Domingo García, cofundadores da Ruuf

Pouco mais de um mês após concluir o first closing de seu segundo fundo, a gestora de venture capital Positive Ventures faz o seu primeiro investimento do novo veículo. Trata-se de um aporte numa rodada pré-seed na startup chilena Ruuf, que trabalha com um marketplace para facilitar a compra e a instalação de painéis solares.

A rodada, cujo valor não foi divulgado, está sendo liderada pela gestora americana Collaborative Fund e contou também com a participação de Juan Carlos Jobet, ex-ministro de energia do Chile.

Fundada em Santiago por Tomás Campos e Domingo García, engenheiros com passagens por empresas como AES e Tesla, a Ruuf ainda está em seus primeiros meses de operação. O dinheiro captado será direcionado para o desenvolvimento de uma plataforma de marketplace, que terá sua primeira versão lançada em agosto deste ano.

O negócio se baseia em conectar proprietários de casas com instaladores solares e bancos para ajudar no financiamento da instalação das estruturas nas residências. A ideia é que os proprietários possam utilizar o marketplace para obter projetos personalizados e ofertas de diferentes instaladores de painéis e opções de financiamento.

Para ganhar dinheiro, a companhia vai apoiar seu modelo de negócio em comissões cobradas dos instaladores contratados e em taxas pela originação do crédito aos bancos que financiarem os projetos. Para o proprietário da residência, não haverá custo no uso da plataforma.

“O maior obstáculo é o financiamento, porque os bancos mais tradicionais não estão acostumados com este tipo de produto”, diz Campos. O executivo espera firmar acordo com grandes bancos, como Santander e Itaú, para financiar a instalação. “Quando fecharmos com um banco, será mais fácil trazer outros.”

Este não é exatamente um negócio novo. No Brasil, uma das empresas que já explora este mercado é a Solfácil, startup que captou R$ 500 milhões em maio deste ano. Com 40 mil clientes e expectativa de subir este número para 100 mil até o fim deste ano, a fintech já era no ano passado um dos maiores financiadores de energia solar do país. Estava atrás apenas de bancos como Santander e BV.

Campos, no entanto, afirma que apesar da Solfácil ser uma competidora, o modelo de negócios é diferente. “Eles são um grande financiador de energia solar. Nós trabalhamos com um marketplace, somos uma empresa de software”, afirma. O empreendedor ainda diz que os financiamentos contratados por meio da Ruuf tendem a ter prazos maiores, o que significa tarifas menores, mas não detalhou as alíquotas.

“A Ruuf traz um modelo asset light que aposta em tecnologia para ajudar a fazer a transição energética”, diz Marina Ferraz, que faz parte do time de investimento da Positive Ventures. “É um movimento em que não teremos somente uma ou outra empresa, mas várias que vão ajudar a realizar essa transição o mais rápido possível.”

Ainda que seja cedo para falar de expansão, a Ruuf tem um plano concreto para expandir seus serviços. A ideia é desembarcar em novos mercados da América Latina já no ano que vem. O Brasil está no radar, além de México e Colômbia. Para isso, no entanto, a empresa deve realizar uma nova captação de recursos, agora numa rodada seed.

Segundo fundo

O segundo fundo da Positive Ventures foi lançado no começo deste ano e levou apenas quatro meses para levantar pouco mais de R$ 75 milhões, concluindo o first closing. De acordo com Ferraz, o segundo closing deve ser realizado até setembro. Metade do dinheiro captado será deixado para operações de follow on.

Os recursos obtidos até agora vêm em grande parte de investidores que já haviam injetado dinheiro no primeiro fundo da Positive Ventures. Entre eles estão Candido Bracher, ex-CEO do Itaú Unibanco, e Fabio Barbosa, ex-CEO do Santander e atual CEO da Natura. O family office HS Investimentos, da família Seibel, da Dexco (ex-Duratex) e Leo Madeiras, também injetou dinheiro na ocasião.

No primeiro fundo, a Positive Ventures captou R$ 55 milhões e utilizou o dinheiro para investir em nove startups, guardando 30% para realizar operações de follow ons. Entre as investidas estão a Eureciclo, plataforma que trabalha com créditos de reciclagem; a Good Money, fintech que opera com um banco digital; e a Neomed, healthtech que ajuda a organizar e reduzir os prazos de entrega de laudos médicos.

Para o segundo fundo, a estratégia envolve investir em 20 startups. Tal como no primeiro fundo, em que o dinheiro foi alocado em startups de setores como saúde, educação, energia e sustentabilidade, o segundo fundo também não terá um segmento específico como guia para os investimentos.

O valor dos cheques vai variar de acordo com o estágio em que as empresas se encontram, mas a tendência é apostar mais em empresas que ainda estejam buscando uma captação pré-seed – caso da Ruuf. Para as rodadas pré-seed, o valor dos cheques deve ficar entre US$ 300 mil e US$ 500 mil. Já para o seed, a cifra sobe para algo entre US$ 600 mil e US$ 1 milhão.

A exemplo da Ruuf, a tese de investimento da Positive Ventures também vai continuar olhando para empresas estrangeiras. No primeiro fundo, a gestora apostou nas operações das edtechs americanas Letrus e Slang; e da Favo, startup de social commerce fundada no Peru.

Leia também

Brand Stories